Traducoworkers #6 — Kelli Semolini

Nossa convidada de junho conta um pouquinho sobre como descobriu o conceito de coworking em São Carlos (SP)

Ouvi falar de coworking antes de um escritório compartilhado chegar em São Carlos. Quando aconteceu, fui das primeiras a me cadastrar e testar o ambiente. Adorei, e passei a ir com frequência.

Não preciso descrever muito o local — não tinha muita coisa de diferente dos diversos coworkings já descritos aqui. Mas tinha uma sala de jogos e uma rede com livros do lado, ideia que achei genial (e até tirei uma sonequinha nessa rede).

Os colegas eram os mais diversos. Um trabalhava para uma empresa europeia envolvida com identidade digital, uma equipe estava montando a Petiko, uma rede social para quem tem animais de estimação, e tinha ainda quem trabalhasse no desenvolvimento de um dicionário (que, claro, eu esqueci qual era). Depois que eu saí, diversificou ainda mais.

A primeira sensação que eu tive no coworking foi de vergonha na cara. Explico: o pensamento que passava pela minha cabeça de procrastinadora era “tanta gente trabalhando de verdade e ganhando dinheiro aqui, não dá para eu ficar no Facebook ou vendo vídeo no Youtube”. O resultado disso era eu chegar em casa às 17h30 e não ter que trabalhar mais naquele dia porque… bem, a cota estava cumprida e as tarefas do dia seguinte, encaminhadas. Foi um verdadeiro boom de produtividade que poucas vezes eu experimentei.

O Bridge Coworking também promovia um campeonato entre as empresas que frequentavam o espaço, o que rendia, na verdade, uma excelente confraternização. E também tinha (tem) palestras sobre os mais variados assuntos que pudessem interessar aos frequentadores.

Com o tempo, eu parei de ir porque era bem longe da minha casa e, francamente, acabava dando preguiça, além de ter começado a sentir um clima de escritório, com direito a fofocas no bebedouro e tal. Isso, eu não curti.

Depois, quando mudei para Curitiba e estava morando com uma amiga, fazíamos um cohome. Todo mundo trabalhando, às vezes vinha mais gente, mas acho que, como era em casa, o boom de produtividade não era tão alto. Eu, pelo menos, preciso não me sentir à vontade para ter esse aumento grande — de preferência, com gente desconhecida em volta.

Agora, que moro sozinha, tenho dó de deixar os cachorros presos num apartamento sozinhos, enquanto passo o dia num coworking. Por isso, ainda não conheci nenhum em Curitiba. Mas está nos planos, só preciso me organizar melhor. Uma hora vai!


Kelli Semolini é tradutora e revisora. Formada em Letras pela UNESP, há oito anos está na vida de home office e não troca por nada. Também é cachorreira e distraída, fora do trabalho: só esta semana, o leite já derramou três vezes no fogão.

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