Aprender a teoria sem estar sentado na carteira? Uma conversa sobre o projeto integrado

Nosso departamento de Engenharia de Produção é um pioneiro dentro da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC/USP), senhores. Há tempos os estudantes vêm refletindo sobre o distanciamento entre a Graduação e o Mercado de Trabalho e o questionamento é clássico: “Será que realmente usarei determinado conteúdo na minha vida profissional? Acho que vou deixar para aprender tal conteúdo quando já estiver trabalhando…”

O questionamento acima seria válido e confortavelmente concretizado se não fosse por um pequeno valor esperado de grandes engenheiros no mercado de trabalho: Liderança.

Espera-se, dos formados nesta escola, Liderança para enfrentar os problemas do mundo lá fora (ESCRIVÃO, 2017), fazendo com que seja cobrado o papel de líder logo no começo de nossa carreira como “produteiros da USP”. Devemos ter consciência de que somos referência entre os demais recém-formados no mercado de trabalho; logo, ajamos como tal.

Liderança não é uma tarefa fácil: é necessário ser aceito como líder, ou seja, ter um cargo, dentro de uma empresa, que outorgue autoridade, não implica em assumir um papel de líder. A Liderança é orgânica, surge dentro da caótica rede de relações sociais e ocasiões mundanas das quais fazemos parte. Porém, há como incitar o espírito de Liderança no cerne dos estudantes. Explicaremos:

A capacidade de diagnosticar um problema está muito ligada com uma posição de Líder, assim como a interpretação da consciência coletiva da equipe e motivação para tomada de decisões; o que pode ser desenvolvido aliando o desenvolvimento da teoria dentro da execução da prática, das situações que aparecem no “mundo lá fora”, dos imprevistos inerentes a qualquer situação: desenvolvendo a teoria dentro do sistema PBL.

O que é PBL, afinal?

“Problem-Based Learning, isto é, a aprendizagem decorrente do enfrentamento de problemas, é tão antigo quanto a própria civilização. O ditado ‘a necessidade é a mãe da invenção’ poderia ser um de seus corolários” (RIBEIRO, 2009). Porém, sua sistematização é recente, sendo desenvolvida nos anos 1960 na Universidade McMaster no Canadá, ao perceberem que os estudantes de medicina, embora concluído a graduação com boas notas, não conseguiam fazer diagnósticos e procedimentos vitais no exercício de sua profissão.

O PBL tem a intenção de construir o aprendizado, em vez de expor o conteúdo e esperar sua absorção.

O aprendizado é construído quando se tem a responsabilidade de tomar decisões para solucionar um problema, quando o estudante é o protagonista que define o rumo que se tomará para resolver uma complicação, com base nas decisões conjuntas da equipe; haja vista que sempre há mais de uma maneira para resolver qualquer situação.

Logo, o PBL na Engenharia baseia-se em colocar o estudante em situações problemáticas reais, deixando que o mesmo (pertencente a um grupo) tome as decisões de como será melhor resolver o problema, recebendo ajuda (ou direcionamento) de um tutor para com as questões teóricas necessárias a fim de se ter a solução esperada.

É a teoria sendo buscada, em vez de esperá-la sentado em uma carteira.

Agora que temos uma melhor contextualização do assunto tratado, podemos voltar ao começo do texto e explicar melhor o que faz nosso departamento, pioneiro da Escola de Engenharia da maior Universidade da América Latina: Projeto Integrado.

Enfim, Projeto Integrado.

Mais direto, Projeto Integrado é uma disciplina cursada no 7º Período de Engenharia de Produção, sendo associado à 7 disciplinas que os estudantes devem se matricular simultaneamente: Gestão de Programas e Projeto, Projeto da Fábrica, Ergonomia, Simulação da Produção, Gestão da Qualidade, Sistemas de Apoio à Decisão e Engenharia do Ciclo de Vida; que visa utilizar o PBL para o aprendizado de tais matérias da seguinte maneira:

Formam-se grupos de estudantes para executar um projeto de melhoria em uma organização produtiva, isto é, os estudantes são “colocados em situações problemáticas reais” para executar o projeto de melhoria, aliado com a tutoria de um professor e teoria vista em sala de aula durante o passar do semestre, assim como laboratórios e orientações.

Os problemas que serão analisados pelos alunos têm uma maior interface com as disciplinas citadas cursadas no semestre, porém, o intuito é o estudante aplicar todo conhecimento aprendido na graduação até o momento e desenvolver competências transversais como liderança, aprender a aprender, trabalho em equipe etc.

A avaliação do estudante no Projeto Integrado baseia-se na média ponderada entre os relatórios e apresentações. É também considerado um fator de correção que leva em conta o trabalho individual do aluno em relação ao grupo, ou seja, caso o estudante não se dedique na mesma intensidade do grupo, poderá ter um fator de correção menor do que 1, acarretando numa diminuição da nota final. Com o intuito de integrar as disciplinas, a nota do Projeto Integrado compõe 50% da nota das demais 7 disciplinas cursadas no 7º Período.

O interessante de tal disciplina é a quantidade de oportunidades que os alunos terão para identificar melhor a área de interesse dentro da Engenharia de Produção, verificar a validade de suas interpretações sobre os conceitos compreendidos nas aulas expositivas e criar uma networking com a organização produtiva que teve contato.

“Trata-se de uma experiência que deve ser expandida para toda a Graduação e ensino de Engenharia” foi a fala de um estudante participante do Projeto Integrado na Apresentação Final realizada no Anfiteatro Jorge Caron da EESC. Uma iniciativa com essa magnitude não pode ser subestimada e deixada de lado: é um aprendizado contínuo para todas as partes envolvidas, desde docentes, estudantes, e até empresas e organizações que receberão os futuros profissionais


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puxa uma cadeira, pega um café. Curte a prosa. Um espaço para construção de ideias e reflexão. Mantido pelos estudantes de engenharia de produção da EESC-USP

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Vinícius de Camargo

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