Beleza perdida


Haverá um dia que você se arrependerá de todas as rugas que vieram, de todos os cabelos brancos desnecessários, e de todos os estresses que poderia ter evitado. Haverá um dia que você se arrependerá de todo o tempo que parecia infinito e que foi desperdiçado no vazio; tempo que poderia ser usado para crescer, para viajar, para se desenvolver, para amar.

Haverá um dia que você sentirá todo o peso das suas escolhas, da falta de comprometimento e da falta de organização que povoavam todos os dias anteriores. Haverá um dia que você se arrependerá de todos os dias tristes que viveu, pois não conseguiu viver eles em alegria; por mais que você soubesse que o humor é algo volátil e inconstante. Haverá um dia que não será só um dia, mas um ano, uma década; e essa década passará como um piscar de olhos, como um ônibus que você perdeu, como uma carona que te esqueceu, e você ficará eternamente contemplando o tempo perdido e se perguntando onde você esteve durante todo aquele tempo.

Haverá um momento que você se arrependerá de todos os amores que viraram cólera. E de todo o tempo constante e imutável que se foi, e de toda a amargura e ressentimento que você terá em ter aceitado conviver um só dia em sofrimento.

Haverá um tempo em que você se arrependerá de toda a sua vida, dos sins e dos nãos, das vezes que tentou a sorte e das vezes que se machucou. Arrependerá-se de tudo; e ainda assim, voltando ao presente, não saberá fazer diferente, pois o diferente nunca lhe foi ensinado.

Haverá um tempo que você aprenderá que o tempo é efêmero, e a beleza é perdida; e os cravos das rosas que antes espetavam as suas mãos agora simplesmente não doem, pois já murcham as flores de todos os campos e todos os pastos, e mesmo o seu coração palpitante já não possui mais aquele vermelho escarlate que um dia o habitava, novamente te afirmando de como o tempo passa e a beleza inevitavelmente se vai.

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