Florescer


Iniciar é recomeçar, alguém um dia poderia ter dito. Eu não sei de onde vem, mas eu consigo sentir o cheiro fraco das flores e do florescer das árvores, lá em algum lugar, esperando que eu as encontre. Eu posso não saber onde, mas sei que existe.

A maior parte das minhas memórias felizes hoje são isso: memórias. Memórias nunca nascem como memórias, mas como experiências. Essas experiências mudam e são formadas e reformadas de acordo com como deixamos nossos sentimentos se expressarem. Deixar sentimentos se expressarem é o melhor que podemos fazer com eles.

Eu consigo lembrar de um tipo infantil de nostalgia, um que me botaria descalço, correndo com meus próprios pés em meio as àrvores e pisando na lama. Um que ignoraria sensações como o calor e o cansaço e o desconforto, como se o clima fosse sempre perfeito a todos os momentos. Quando se é uma criança você nunca leva essas coisas muito em consideração: a menos que você esteja doente, você geralmente se sente bem a maior parte do tempo.

Em meio à vista de uma grama verde e exuberante e um vento gentilmente confortante repousa esse sentimento; um que eu não tenho absoluta certeza se existe, se é apenas um desejo, ou se não passa de minha imaginação. Ainda assim, é um confortável o suficiente a ponto de saber o que ele é e a ponto de querer procurá-lo. É um que eu sei que é real, que eu já senti uma vez, e que eu tenho certeza que vou voltar a sentir novamente.

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