Não vai embora

Rodrigo Prata Orge
Jul 21, 2017 · 1 min read

Já havia admitido meu humor como inconstante há tempos. Ainda tinha tremeliques e espasmos de prazer. Um sentimento de êxtase prolongado assolava o meu corpo. Um sentimento tão contrastante com a minha usual melancolia.

Perdi o dia inteiro para a ansiedade. Batalhei, lutei contra ela com unhas e dentes. Daria murros, se pudesse. Mas ainda assim, ela venceu. Errei de caminho três vezes. Vim para casa quando deveria ter vindo para a biblioteca. Fiz mercado e não lembro de um só segundo. Mais uma vez, ela roubara meu tempo, minha noção, minha presença.

Geralmente tinha sono. Hoje só tinha prazer. Tinha vontade. A boca ainda seca. Mesmo se tentasse dormir, não conseguiria agora. Queria mais, mas nem sei se estava ali.

Ainda assim, não tinha jeito. Essa melancolia não ia embora. Essa tristeza não vai embora. São parte de mim; até nos bons momentos. Queria aprender a conviver com elas. Mas em geral, elas vivem mais do que eu. Se não posso vencê-las, ao menos tornarei elas as minhas aliadas.

Eu ainda queria mais. Perambulava um meio mundo. Estava acordado, mas nunca iria dormir. A visão embaçava. Eu era Morfeu e Lúcifer. Sensível, insensível, sedento. Querendo mais. Mais.

Nem ouse pensar que esse texto é sobre você.

Prostasia

Do grego, προστασία: “Proteção”. (Livro 2)

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    Rodrigo Prata Orge

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    Baiano sem sotaque. Gosta de escrever, mas só escreve quando quer.

    Prostasia

    Prostasia

    Do grego, προστασία: “Proteção”. (Livro 2)

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