Dionatan, o Tinga, na praça central de Sucre. Foto: Denise Matsumoto

Dionatan: espelho do futebol real, nômade e sem holofotes

De Caxias do Sul a Alagoas, do Distrito Federal à Bolívia: meia gaúcho de 24 anos já passou por mais de dez clubes em uma curta carreira que já teve quase glórias e toda a sorte de reveses que costuma atingir a maioria dos jogadores brasileiros

Puntero Izquierdo
Jul 10, 2017 · 11 min read

POR FELIPE DE SOUZA

Sucre foi uma das primeiras cidades a gritar pela independência da Bolívia. Por lá, Simon Bolívar escreveu a constituição do país e o local deu origem não só a um território — hoje chamado República Plurinacional — mas uma série de revoluções, insurgências e tretas territoriais de toda sorte. Quem desembarca pelo aeroporto Juana Azurduy de Padilla e segue de carro até o centro da cidade é brindado com uma estrada estreita, margeada por onipresentes plantações de trigo, milho e batata que servem de sustento e alimentação aos cerca de 260 mil habitantes do lugar.

Dionatan no Caxias. Foto: Divulgação

Começo em outras serras

O vírus da bola foi inoculado em Dionatan lá pelo fim dos anos 90 no Clube Seco, sociedade esportiva de sua cidade natal. Dali, foi à base do Juventude, de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, mas acabou se profissionalizado pelo arquirrival Caxias. “Só peguei um táxi e troquei de estádio. Em 2009, joguei o Campeonato Gaúcho e algumas partidas da Série C”, lembra o jogador, sentado em um banco da Plaza 25 de Mayo, área central de Sucre, num final de tarde de maio deste ano. Na terceirona daquele ano, ele e seus companheiros levaram a equipe grená às quartas de final da competição, quando caíram diante do Guaratinguetá. O bom desempenho na competição resultou no convite para jogar pelo Santos, em uma negociação intermediada pela empresa Traffic.

Um gaúcho no altiplano. Foto: Denise Matsumoto

Vítima de uma fusão

Passada a experiência na Capital Federal, Tinga deu de cara novamente com a realidade do futebol do interior brasileiro. Acertado com o Guaratinguetá para jogar a Série C de 2014, não chegou a entrar em campo. “De uma hora para outra, o presidente inventou de fazer uma fusão com o Audax. Era um sábado e recebemos a notícia pelos sites da Internet. Quando nosso capitão foi ver no BID, tinham inscrito mais de 20 jogadores e também o técnico [Fernando Diniz]. Fomos liberados e só os jogadores do Audax foram aproveitados. Ficamos sem clube.”

Na Bolívia, a Libertadores

Depois de ficar marcado na lembrança do torcedor alagoano, o gaúcho rodou por Grêmio Barueri, Pelotas, Central (PE) e novamente Caxias. Foi nessa segunda passagem pelo time grená que apareceu a proposta do Universitario de Sucre, convite intermediado pelo empresário Sérgio Santana. “Decidi vir pois era uma oportunidade única para jogar a Libertadores, além do bom salário e da estrutura”, conta. No país andino, o atleta teria como inspiração brasileiros como Marcelo Gomes, veterano de 35 anos que atua há mais de uma década na Bolívia e já passou por clubes como Aurora e Jorge Wilstermann, ambos de Cochabamba; Bolívar (La Paz) e San José (Oruro). Outro brasileiro de destaque por lá é Fernando Marteli, zagueiro que está desde 2014 no The Strongest, se naturalizou boliviano e chegou a ser convocado para a seleção local nas seis primeiras rodadas das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. Marteli foi titular em jogos contra Uruguai, Equador, Venezuela, Paraguai e Argentina.

Dionatan em ação pelo Universitario. Foto: Divulgação

La Boba, altitude e penúltima colocação

O campeonato boliviano conta com 12 equipes: Universitario de Sucre, Nacional Potosí, Real Potosí, Club Petrolero (Yacuiba), Blooming (Santa Cruz), Sport Boys Warnes (Capiatá), San Jose (Oruro), Bolívar (La Paz), Guabirá (Montero), The Strongest (La Paz), Jorge Wilstermann (Cochabamba) e Oriente Petrolero (Santa Cruz). Os times se enfrentam em turno e returno por sistema de pontos corridos. Neste ano não houve descenso e o rebaixamento vai passar a ser definido a partir da média dos próximos três torneios. O Universitario terminou a competição em nono lugar.


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