Das fraldas ao trabalho: a igualdade entre os novos casais

Um pai sorridente diante de seu bebê em um trocador. Um cenário prosaico nada surpreendente se não fosse por um detalhe: o cara trocando fraldas na fotografia é Mark Zuckerberg.

Há muito mais do que um pai babão por trás dessa e outras fotos despretensiosas divulgadas desde dezembro por Zuckerberg com seu filhinho recém-nascido. Ali, entre berços e bichinhos de pelúcia, está o interesse do Facebook em se reposicionar diante de uma geração que quer construir relacionamentos e famílias mais igualitários.

O equilíbrio dentro dos relacionamentos e da vida doméstica já é uma demanda antiga do universo feminino, mas está cada vez mais comum entre os homens. Uma nova geração de rapazes está muito mais interessada em lavar a louça e trocar fraldas do que qualquer geração anterior.

Sejam eles casais hetero ou homossexuais, esses jovens não se identificam nem um pouco com os papéis tradicionais de cada gênero. Juntos, eles querem mais é rachar a conta do restaurante e o aluguel, se revezar entre o preparo do jantar e o cuidado dos filhos e comemorar as conquistas pessoais de cada um fora do relacionamento. Um dos maiores desafios está em fazer com que esse projeto sobreviva ao mundo real, onde o trabalho e os filhos exigem cada vez mais tempo e as mulheres ainda recebem menos pelos mesmos trabalhos.

Atentas a essas transformações, gigantes do Vale do Silício como Netflix, Google e o próprio Facebook estão incluindo a licença-paternidade na extensa lista de benefícios concedidos aos seus funcionários. Com uma abordagem muito à frente das outras empresas dos EUA (já que por lá não há licença remunerada garantida por lei nem para as mães), elas estão elevando a licença para os novos papais à um novo patamar tão cool quanto poder jogar videogame entre uma reunião e outra.

Além do impacto positivo que isso pode ter sobre a imagem das empresas, a adoção e ampliação da licença-paternidade também é reflexo de um interesse muito mais pragmático. Elas simplesmente perceberam que essa será uma demanda cada vez mais comum entre os jovens que elas querem ter como seus funcionários ou admiradores, sejam eles homens ou mulheres.

Os grandes motivadores dessas primeiras transformações são justamente esses novos casais, diferentes dos seus pais e avós porque souberam fazer da igualdade de gêneros um interesse comum. E essa é ainda uma tendência, o que significa que o futuro nos reserva mais e mais casais que entendem a igualdade entre os sexos como um estilo de vida que deve acontecer não só entre quatro paredes, mas fora delas — e que uma coisa depende da outra.

Se por um lado a licença-paternidade representa um baita avanço na redução da desigualdade, por outro ela precisa ser acompanhada por uma série de outras mudanças — como a flexibilização real das jornadas de trabalho e o fim dos salários menores para as mulheres, atualmente um dos maiores obstáculos para pais e mães que querem fugir do scriptconvencional. Essas iniciativas também precisam entrar na lista de prioridades de Zuckerberg e seus colegas CEOs caso eles realmente estejam interessados em levar a igualdade de gêneros para dentro das empresas.

Mas se depender dessa nova geração essas transformações vão acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde. Se agora, quando estão apenas começando suas vidas profissionais, eles já estão sacudindo as estruturas de algumas das corporações mais influentes do mundo, imagine só do que serão capazes quando estiverem ocupando cargos de liderança.

Quando chegarem lá, o equilíbrio realmente terá rompido as fronteiras dos relacionamentos: teremos cada vez mais mulheres no comando das grandes empresas e homens trocando fraldas serão simplesmente papais corujas inundando a sua timeline.

Nicole Alfieri
Content creator