As mulheres avisaram

o caso de Yaniv e seus direitos humanos é o resultado inevitável da ideologia de identidade de gênero.

Katyusha
Katyusha
Jul 23, 2019 · 6 min read

As mulheres avisaram à mídia, aos políticos, aos ativistas e ao público em geral sobre as consequências inevitáveis de legislar a ideologia de identidade de gênero e, agora que essas repercussões verificadas se executam em tempo real, os avisados permanecem em silêncio.

Tradução do artigo Women warned you: Yaniv’s human rights case is the inevitable result of gender identity ideology, por Meghan Murphy.

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Estranhamente, o movimento queer inteiro, a esquerda e também toda a mídia popular estiveram educadamente ignorando o completo show de horrores que esteve acontecendo no Tribunal de Direitos Humanos da Colúmbia Britânica este mês. Estranhamente, jornalistas que costumam cobrir o “fenômeno queer” estiveram se recusando a realizar esta tarefa, mesmo que estas audições apenas se realizem pelos grandes passos feitos pelo movimento queer em sua luta para legislar a ideologia de identidade de gênero. Estranhamente, aqueles que estão incrivelmente preocupados com as mulheres “desprezíveis” — que ousam discutir as implicações de homens se identificarem como mulheres — não têm conseguido encontrar tempo para comentar sobre um indivíduo que registrou reclamações aos diretos humanos contra 16 mulheres por estas se recusarem a depilar a sua genitália, alegando que a recusa constitui discriminação com base em identidade de gênero. Estranhamente, plataformas midiáticas com alta capacidade financeira e equipe disponível para cobrir este caso deixaram-no com autônomos que, por sua vez, são muito mais vulneráveis e muito mais pressionados por recursos que as redes populares. Estranhamente, uma mulher influente no Twitter que esteve ativamente postando sobre sobre a reclamante — Jessica (anteriormente, Jonathan) Yaniv — foi recentemente banida permanentemente da rede social. Estranhamente, outra mulher influente (a própria autora deste texto) que publicamente nomeou Yaniv como a pessoa por trás destas alegações no Twitter, foi também banida da rede. Estranhamente, o fato de isto ser precisamente o tipo de acontecimento sobre os quais mulheres têm tentado alertar aos legisladores, à mídia, aos ativistas e ao público em geral como um certo resultado da legislação da ideologia de gênero, esta mesma repercussão prevista está sendo ignorada completamente pelos que foram avisados.

Estranhamente, descobre-se que a ideologia de identidade de gênero fere mulheres, afinal.

Ontem, o The Post Millennial reportou que algumas das mulheres acusadas por Yaniv no Tribunal de Direitos Humanos de B.C. pela recusa de depilá-lo foram obrigadas — como resultado — a fechar os seus negócios. Muitas das mulheres que Yaniv denunciou eram imigrantes cujo inglês era a segunda língua. Jay Cameron — um advogado da JCCF que representa judicialmente três das mulheres contra quem Jessica Yaniv reclamou por direitos humanos, entre elas a imigrante do Brasil Maria da Silva, que trabalhava em sua própria residência (onde crianças estão presentes), — disse ao juiz do tribunal que Yaniv procurou especificamente mulheres de minorias étnicas e religiosas.

Estranhamente, repórteres cobrindo o fenômeno da “diversidade” e ativistas que alegam interesse em proteger as minorias estão, visivelmente, despreocupados com isto.

A reclamação de Yaniv é sem fundamento por diversas razões, sendo uma delas o simples fato de a depilação masculina ser diferente da feminina. John Carpay — presidente do JCCF — noticia que uma testemunha especialista (“AB”) com 29 anos de experiência em depilação — operando atualmente em um salão depilatório apenas para homens e, também, lecionando em um relevante curso de estética — relatou que “a cera ideal utilizada para depilar a genitália masculina é diferente, pois a pele é extremamente fina e, com isso, a depilação pode causar ferimentos, caso executada de forma errada.

Além disso, há importantes questões de segurança para esteticistas — particularmente para mulheres trabalhando sozinhas em casa. Carpay escreve:

AB começou provendo serviços de sua própria residência e discutiu os riscos envolvidos nisto. Para depilar um cliente homem, AB deve segurar o seu saco escrotal e a base do pênis. Muitos homens ficam eretos, alguns acabam pedindo por sexo e, quando esta solicitação é recusada, alguns deles ficam irritados. AB fora chamada de vadia, puta e outros termos piores.

Há ótimas razões para mulheres não desejarem estar sozinhas com um homem nu e desconhecido, além de a maioria das pessoas sãs compreenderem que uma mulher não deveria ser forçada a tocar a genitália de um homem contra a vontade dela. Entretanto, quando há certos casos — segundo as alegações do transativismo — tal como um “pênis feminino”, questões e condições que costumam ser diretas, íntegras e óbvias viram, subitamente, uma mácula indefensável. Subitamente, o direito feminino de dizer “não”, de colocar limitações, de proteger a si e ao seu espaço, de entender que mulheres não têm pênis, nada disto poderá ser defendido.

Eu fui convidada para falar no Parlamento Escocês em maio, ao lado de Bec Wonders (feminista ativista e fundadora da Biblioteca Feminina de Vancouver) e, também, de Joan McAlpine (MSP do Partido Nacional Escocês), em prol de deliberar a situação da legislação da identidade de gênero no Canadá e, da mesma forma, para avisar aos políticos sobre as repercussões desta questão para as mulheres. Eu afirmei:

Nada disso é sobre transfobia. Isso é sobre homens e isso é sobre mulheres terem o direito de dizer não aos homens, de não serem manipuladas ou lesionadas por ousarem priorizar a sua própria proteção, direitos e sentimentos.

Nós estamos sob uma condição em que não apenas permitimos aos homens ditar o que é ser uma mulher, mas também destruir direitos arduamente conquistados por feministas, isto tão rápido e sem qualquer debate público. Nós estamos colocando mulheres e meninas em perigo para conseguirmos evitar de ofender os sentimentos de uma pequena minoria de pessoas. E de novo, sem um debate público. Nós estamos deixando mulheres serem demitidas, ameaçadas, assediadas, difamadas, silenciadas, intimidadas, ostracizadas e até mesmo espancadas, para assim conseguir-se confortar os sentimentos dos homens. E eu me recuso a aceitar ou a repetir mentiras sob ameaça — especialmente mentiras que são claramente prejudiciais. Nós podemos apoiar os direitos e a dignidade das pessoas, nós podemos fornecer-lhes os serviços de que necessitam, isto sem mentir ou ludibriar as mulheres.

Eu fui ameaçada e caluniada incontáveis vezes, eu fui ofendida de incontáveis maneiras. Este website foi alvo de massivos ataques cibernéticos, sucessivamente, desde janeiro (nós experienciamos ataques similares anteriormente, mas nenhum tão intenso e impiedoso). Eu recebi uma ligação do Departamento de Polícia do Canadá — também em janeiro — para ser informada de que alguém denunciou o Feminist Current por discurso de ódio. Eu tenho recebido ligações perturbadoras e sexualizadas no meu celular. Meus discursos são rotineiramente alvos de protesto (250 protestantes apareceram no segundo evento do #GIDYVR em Vancouver, onde foi discutido o tema crianças e a identidade de gênero. Nós tivemos de contratar uma equipe de segurança para nós e para o local do evento, além de que a polícia teve de aparecer para proteger os apresentadores e os participantes do evento em geral). É improvável que eu ainda seja contratável — em qualquer sentido normal da palavra — , certamente não na mídia canadense. Eu perdi amigos. Eu temo pela minha própria segurança. Eu não sou a única mulher que experienciou estes acontecimentos, isso simplesmente por compreender que não existe o tal “pênis feminino” e, também, que permitir os homens de se identificarem como mulheres põe as próprias mulheres em perigo, além de anular os direitos específicos para o sexo feminino. Eu não sou a única pessoa que observa que este movimento, apoiado por políticos “progressistas”, habilitado pela mídia e nos enfiado goela abaixo sob a ameaça de supostos ativistas de esquerda está desmembrando o trabalho que feministas edificaram arduamente por décadas para se conseguir proteger as mulheres.

Estranhamente, tudo o que nós dissemos é verdade. Estranhamente, os responsáveis permanecem em silêncio.

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