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Capa de uma edição da revista National Geography, cujo título é: “Revolução dos gênero”

Crianças transgênero: Fomos longe demais?

Tradução por Júlia Cabral*

LARBAC
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Jan 18, 2018 · 6 min read

do original: https://www.theglobeandmail.com/opinion/transgender-kids-have-we-gone-too-far/article16897043/

20 anos atrás, você provavelmente teria cruzado os dedos e tentado esperar. Hoje, você pode comprar um novo guarda-roupa, encontrar alguém para receitar bloqueadores de hormônios e ajudá-lo a viver como garota. Talvez ele até se torne uma celebridade. A capa mais nova da revista Maclean, colocando essa pergunta, apresentou um adorável garoto de 11 anos com longos cabelos e olhos enormes. Seu nome costumava ser Oliver.

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Oliver estampado na Revista Macleans

Repentinamente, crianças trans estão em todos os lugares — nas notícias, no Dr. Phill e no seu bairro. Clínicas que tratam crianças trans têm surgido. Uma condição que costumava ser vagamente rara, talvez uma em cada 10.000 crianças ou menos, agora parece comum.

Em uma amostragem aleatória de alunos do 6º ao 8º ano em San Francisco, as crianças foram perguntadas se identificavam-se como homens, mulheres ou transgêneros — 1,3% assinaram a opção transgênero.

Para descobrir, sentei com o Dr. Ken Zucker, uma das principais autoridades mundiais em questões de identidade de gênero de crianças e adolescentes. ‘Como chefe do Serviço de Identidade de Gênero no Centro de Vício e Saúde Mental em Toronto, ele trabalhou com centenas de crianças como a Olie. “O fator nº 1 é a internet”, ele disse. “Se você está lutando para descobrir aonde você se encaixa, a Internet está cheia de coisas sobre disforia de gênero. Quando nós perguntamos ‘quando você aprendeu sobre essa rótulo de disforia de gênero?’, eles dizem ‘eu e minha mãe assistimos na Oprah”.

Disforia de gênero (formalmente conhecida como ‘distúrbio de identidade de gênero) significa estar em desacordo com o seu sexo biológico. Não é o mesmo que nascer com duas genitálias ambivalentes, ou ser gay. A forma abreviada popular é “nascer no corpo errado”, mesmo que a expressão faça mais mal do que bem. O tratamento de redesignação é apropriado para alguns (embora não signifique tudo) adultos que estão infelizes com a sua identidade de gênero, e alguns vão viver significantemente bem as suas vidas.

Mas para crianças, especialmente as menores, a questão é mais problemática. A confusão de gênero é frequentemente temporária. Certa de ¾ das crianças que têm problemas com o seu gênero — meninos que querem ser princesas, meninas que jogam seus vestidos no lixo — vão se sentir confortáveis com eles na adolescência, de acordo com Dr. Zucker. (Muitos deles serão gays ou bi).

A confusão de gênero também pode ser um rótulo útil para o que quer que aflija uma criança (ou a sua família). É por isso que o Dr. Zucker assume uma abordagem ‘observe-e-espere’. Ele mesmo aconselha os pais de crianças de seis anos afeminadas a dizer: “Você não é uma menina. Você é um menino”.
E no mundo altamente politizado da política de gênero, isso o torna, em muitos olhos, um reacionário perigoso. Eles argumentam que a identidade de uma criança deve ser honrada, e que essa tratamento deve começar antes do que nunca. Eles equiparam a abordagem ‘observe-e-espere’ com uma prática de negação da terapia de reparação, o que foi uma tentativa fracassada de transformar crianças gays em héteros.

Com a chegada de novas drogas poderosas que atrasam a puberdade, as apostas neste debate são ainda maiores. Iniciar logo cedo o uso de bloqueadores de puberdade, e sua eventual transição, será mais fácil. Mas quais crianças? E se você estiver empurrando-os para um caminho que eles não precisam trilhar? Em que ponto você começa a tomar decisões que mudam a vida de uma criança que terá enormes consequências físicas, sociais e emocionais?

Alice Dreger é uma bioética e professora da Northwestern University’s Feinberg School of Medicine, em Chicago. Ela se considera uma advogada impaciente que prefere evidência do que ideologia. Ela é uma forte apoiadora dos direitos de transgênero, mas acredita que o pêndulo balançou longe demais. Um motivo é que as normas sociais mudaram drasticamente. Agora está na moda abraçar seu filho diversificado. Os pais que encorajam seus filhos a mudar o gênero são “socialmente recompensados ​​como maravilhosos e inclusivos, enquanto os pais que tentam ir com calma “são vistos como intolerante, sem empatia e conservadores”, ela diz.

Hoje em dia, os pais que não gostam da resposta “calma-e-cuidadosa” podem comprar outra. Dreger é altamente crítica do que ela chama de “clínicas precipitadas”, que estão felizes em ajudar uma transição infantil imediatamente. “Os pais não gostam de incerteza”, conta. “Eles preferem ser informados: ‘Aqui está o diagnóstico, e tudo vai acabar bem.’” Os adolescentes também podem encontrar ajuda rápida. Muitos médicos estão felizes em ajudá-los com tratamentos hormonais apenas pelo pedido.

Para algumas pessoas, incluindo alguns adolescentes, o tratamento para transgêneros é uma salvação. Mas esses tratamentos não são simples ou benignos. Eles podem, entre outras coisas, retardar a maturidade, reprimir o crescimento ou torná-lo estéril. E no final, a ciência médica não pode criar um corpo que te faça esquecer que você nasceu com outro sexo.
“Algumas crianças precisam, mas para aquelas que não necessitam, é perigoso”, ela diz. “Todo o resto sendo igual, é melhor evitar a terapia hormonal a longo prazo e principalmente cirurgias que removem muitos tecidos do corpo”.

Perturbadoramente, os dados sobre resultados a longo prazo das crianças transgênero são escassos. Ninguém está rastreando a evidência sobre a intervenção dos bloqueadores de puberdade. “Estamos fazendo intervenções importantes e temos uma pequena e estranha idéia dos resultados”, diz Dreger. Você tem a sensação de que o que temos não é uma abordagem muito racional de uma problema psicossocial como uma radical experimento ideológico.

Aqui estão as notícias mais indesejadas da Sra. Dreger. A questão de gênero da criança pode ser simplesmente um sintoma de outros problemas familiares. “O segredinho sujo é que muitas dessas famílias têm grandes problemas disfuncionais. Quando você chamar os médicos para uma cerveja, eles vão te dizer a verdade. Muitos pais não estão bem em termos de saúde mental. Eles pensam que uma vez que a criança transicionar, todos os problemas deles vão magicamente desaparecer, mas essa não é o lugar onde o stress está localizado”. Os clínicos não dizem essas coisas publicamente, ela diz, porque não querem parecer como se estivessem culpando os problemas de gênero em famílias problemáticas. É uma marca do progresso social que estamos cada vez mais dispostos a aceitar as pessoas nos termos delas, por quem elas são. Mas talvez nós estamos fabricando mais problemas do que resolvendo-os. Se realmente queremos ajudar as pessoas, devemos nos lembrar da velha regra: primeiro, não machuque.

*Nota: Não concordo com tudo dito acima. É impossível, para mim, acreditar que a transição em qualquer idade resolva um distúrbio psíquico, como afirmado pelo Dr. Zucker. Essa cirurgia apenas mascara uma doença e machuca pessoas física e emocionalmente. A disforia, entre outros sintomas, faz parte de um transtorno mental, cujo diagnosticado crê fielmente que medidas paliativas são o único caminho para atingir a paz interior. Isso é uma mentira e grande irresponsabilidade social, visto que não há estudos científicos e pesquisas profundas sobre o suposto sucesso das cirurgias de redesignação. Ninguém será do sexo oposto apenas por ingerir bombas de hormônio e cortar células saudáveis do seu corpo. Os sintomas enfrentados pelos ditos ‘transgêneros’ fazem parte de um transtorno mental, que deve ser tratado com seriedade e não como uma dança das cadeiras, onde você troca de lugar como bem entender. Infelizmente, não podemos interferir em escolhas das pessoas maiores de idade, portanto tento evitar tanta preocupação com adultos que preferem se mutilar ao invés de tratar seus problemas. Eu realmente não tenho a ver com isso, a não ser que esses indivíduos sejam mulheres. Nesse caso, irei tentar com todas as forças abrir seus olhos de que certas mudanças não podem ser desfeitas.

O que começa a ser nossa responsabilidade, como seres humanos, é quando crianças estão sendo verdadeiras cobaias de um experimento científico extremamente agressivo. É nosso dever protegê-las ao invés de sustentar a indústria farmacêutica e cirúrgica envenenando os corpos infantis. Parem de machucar nossas crianças! Hormônio não é brinquedo.

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Jornalista. Lésbica. Uma mistura entre cálcio, bromo e alumínio.

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