Medicação para mudança de sexo pode trazer sérios riscos à saúde dos jovens

Tradução de matéria publicada no site do jornal britânico Daily Mail em 22/04/18

Andreia Nobre
Jul 2, 2018 · 4 min read

Medicamentos usados para tratamentos de mudança de sexo do NHS (Serviço de saúde britânico) estão colocando centenas de crianças em risco todos os anos, alerta respeitada médica que afirma que a medicação pode causar infertilidade ou disfunção sexual.

Profissionais do NHS estão prescrevendo tratamentos médicos irreversíveis para os jovens. Psiquiatras alertam que alguns dos tratamentos pode causar infertilidade, crianças de dez anos de idade receberam injeções de bloqueadores de puberdade, algumas dessas crianças correm o risco de sofrer de osteoporose mais tarde ao tomar esses medicamentos. A saúde de centenas de crianças está sendo posta em risco pelo uso de medicamentos de mudança de sexo prescritos pelo NHS, uma respeitada médica alerta hoje.

Drª Lucy Griffin, uma consultora de psiquiatria da Bristol Royal Infirmary, diz que ela está ‘extremamente preocupada’ a respeito dos efeitos a longo prazo que os medicamentos têm em adolescentes. Ela é a primeira médica do NHS a falar publicamente sobre os danos causados pelo aumento de prescrições de tratamentos médicos irreversíveis em jovens que se declaram transgênero.

Numa entrevista para o The Mail no domingo passado, 22/04/18, a drª Griffin revela que pacientes estão recebendo prescrição de medicamentos depois de se afirmarem transgênero, apesar de terem graves condições psiquiátricas. O NHS está ‘ficando assustado’ de questionar pedidos para tratamento de transgêneros por temerem acusações de preconceito. Medicamentos dados a adolescentes para ajudá-los a mudar de gênero pode deixá-los estéreis, causar osteoporose e resultar em disfunção sexual, afirma Griffins.

Dois tratamentos causam maior preocupação. Um, os bloqueadores de puberdade, que não são classificados como medicamentos de mudança de sexo, mas ajudam a adiar o surgimento das características sexuais de humanos adultos. Seus efeitos são completamente reversíveis quando os pacientes param de fazer uso deles. O outro tratamento envolve a administração de ‘hormônios sexuais cruzados’, para dar início ao processo físico de mudança de sexo.

No ano passado, o Daily Mail revelou que 800 crianças que estavam infelizes com o seu sexo de nascença receberam injeções de bloqueadores de puberdade. Algumas das crianças tinham apenas dez anos de idade. Mas a drª Griffin disse que esse tratamento não foi desenvolvido para tratar pacientes que estão confusos sobre seu gênero. Ela explicou que os bloqueadores de puberdade foram desenvolvidos para adiar a ‘puberdade precoce’ — uma condição rara que causa o surgimento de sinais de puberdade em crianças abaixo dos oito ou nove anos de idade. ‘Bloqueadores de puberdade não foram criados para bloquear a puberdade em adolescentes saudáveis’, afirmou.

Atualmente, esse tratamento está sendo usado para algo que se apresenta como uma condição emocional, psicológica, e sem um estudo científico sério por trás disso. A doutora de 48 anos disse que os médicos sabem muito pouco a cerca dos efeitos a longo prazo de se tomar bloqueadores de puberdade durante longos períodos, e acrescentou que há um grande número de estudos conectando essa medicação com a osteoporose.

Jovens que recebem a prescrição de bloqueadores de puberdade ‘quase sempre’ continuam o tratamento com hormônios sexuais cruzados quando atingem a idade de 16 anos. Meninos receberão estrogênio e meninas começarão a usar testosterona. Os efeitos desse medicamento são irreversíveis e podem causar implicações para toda a vida aos usuários, avisa a drª Griffin. ‘Sabemos que hormônios sexuais cruzados estão associados com infertilidade permanente’, ela disse.

“‘”Pacientes também podem acabar ficando com funções sexuais desreguladas. E há outros problemas. Acreditamos que mulheres que estão transicionando possuem mais risco de doenças cardíacas. Sabemos que elas têm grandes riscos de calvície masculina e redistribuição irregular de gordura.”

Drª Griffin escolheu falar publicamente a respeito do debate entre feministas e ativistas transgênero sobre se mulheres trans — que nasceram homens — deveriam ser classificados na mesma categoria de fêmeas biológicas.

Ela participou de um debate feminista sobre esse assunto em Bristol na semana passada, que acabou em violência quando cerca de 30 transativistas mascarados tentaram invadir o local do evento. Recusando-se a ficar em silêncio com esse tipo de intimidação, drª Griffin continuou: ‘Crianças não podem votar e não podem deixar a escola, mas estamos permitindo que eles façam decisões a respeito da sua fertilidade e função sexual. A minha opinião é que eu não vejo como a saúde desses jovens não ficará danificada por esses tratamentos.

A drº Griffin revelou que ela não é a única profissional que está preocupada com a facilidade com que esses jovens conseguem medicamentos para a transgeneridade. Mas ela disse que muitos outros membros dos serviços de saúde “estão assustados’ para falar publicamente a respeito, porque temem acusações de preconceito, de estar ultrapassados, ou ainda pior, de estarem praticando ‘terapia de conversão’ em pessoas transgêneras. No entanto, a drª Griffin se sentiu motivada a falar publicamente suas críticas sobre o assunto por causa do dano em potencial que ela acredita que está sendo feito aos pacientes pela vontade que os hospitais têm de parecer politicamente corretos.


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Jornalista, blogueira, poetisa, feminista, amante de antropologia e professora primaria que pratica desescolarizacao

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