O que faz alguém ser trans “de verdade”?

Parte 1 — Sobre pessoas adultas

Furiosa
Furiosa
Jan 31, 2018 · 15 min read

Esse texto levou 6h pra ser traduzido. Me ajude a continuar trabalhando!

Tradução do texto de Lily Maynard

“Eu simplesmente tenho dificuldade de enxergar qualquer pessoa como trans ‘de verdade’.”, confidenciou-me uma amiga noutro dia, o que me fez pensar: O que torna alguém trans “de verdade”? Vamos tentar destrinchar isso daí.

Primeiro, precisamos esclarecer a diferença entre sexo e gênero.

Nós nascemos com um sexo, masculino ou feminino (leia sobre pessoas intersexo na nota mais à frente). A sociedade nos designa determinados papéis sociais baseados em nosso sexo que se espera que sejam seguidos. Nós não temos sempre de nos conformar com esses papéis, mas frequentemente ficamos sob muita pressão para fazê-lo. Espera-se que tomemos nosso lugar em algum lugar na caixa rosa ou na caixa azul. Esses papéis de gênero baseados no sexo são uma construção social e variam de cultura para cultura.

Construções sociais são explicadas brilhantemente aqui (texto em inglês, ainda sem tradução), e se você deseja um rápido curso para refrescar sua memória, esse é o lugar pra fazê-lo.

Apesar de alguns comportamentos serem considerados mais tipicamente femininos e outros mais tipicamente masculinos, todas e todos nós temos uma mistura de traços masculinos e femininos, e, vez ou outra, a maioria de nós se desagrada com a ideia de que deveríamos simplesmente consentir (e nos limitar ao nosso sexo). É duro para mulheres que se espere que elas estejam “gostosas” o tempo todo. É duro para homens que se espere que eles nunca demonstrem vulnerabilidade

Nós somos essa mistura de masculino e de feminino, e nunca duas pessoas terão exatamente a mesma mistura de características. Pouquíssimas pessoas de nós são inteiramente masculinas ou femininas em comportamento. Isso é o que forma a base de nossa PERSONALIDADE.

Pode ser que um dia eu decida usar uma saia longa, franjas e batom; no outro dia, sem nenhum motivo especial, eu posso usar moletons de ginástica, zero maquiagem e não me importar nem pra pentear o meu cabelo. Em um dia eu posso me sentir gentil e cuidadosa, em outro dia eu posso me sentir brava e volátil. Isso porque, emocionalmente, eu sou não-binária. E VOCÊ TAMBÉM É! TODAS E TODOS NÓS somos não-binários. Essa palavra, no contexto de gênero, é completamente sem significado. Ninguém é 100% masculino ou 100% feminino. A maioria de nós se encaixa em algum lugar no meio.

Uma mulher pode usar calças, consertar carros, fumar um cachimbo, amar outra mulher — e isso não faz dela um homem. Um homem pode chorar com facilidade, fazer coroas de flores, passar um bom tempo arrumando seu cabelo — e isso não faz dele uma mulher. “Mulher” e “homem” não são sentimentos ou estereótipos, são categorias biológicas. Isso não significa que se espera que todas as pessoas se pareçam com o homem e a mulher abaixo: altura, cor de pele, idade — tudo isso tem efeitos em nós.

Mulheres como um grupo são discriminadas por conta de nossa biologia feminina; não porque temos cabelos longos, usamos sutiã e batom e rimos histericamente. Nós somos as fêmeas da espécie: nós gestamos a juventude, nós parimos a juventude — com todos os riscos que isso representa — , nós alimentamos a juventude e geralmente criamos e educamos a juventude. Geralmente temos corpos menores que os homens, além de termos menos força bruta. Esses fatos, histórica e culturalmente, têm possibilitado que os homens tivesse poder sobre nós. Mulheres são valorizadas por seus corpos e exploradas por seus corpos. Mulheres têm mais chances de serem prostituídas ou estupradas; mais chances de serem vítimas de abuso físico por parte daqueles próximos a ela. Mulheres fazem a maior parte do trabalho no planeta e são menos pagas por isso, seja no topo ou no fim da escala de pagamento. Não é possível se identificar pra dentro ou pra fora dessas realidades. Elas não precisam acontecer com todas as mulheres para serem problemas de mulheres. Mas elas acontecem com mulheres porque são mulheres.

Nossa biologia é o que nos une; o que nos torna mulheres. Nós todas tivemos uma mãe e ela era mulher.

Enquanto que “homem” e “mulher”, “menina” e “menino” são definições baseadas em nossas capacidades reprodutivas, vou falar o óbvio e acrescentar que alguns seres humanos escolhem não procriar, e outros não têm a capacidade de procriar. Algumas pessoas nascem estéreis. Algumas mulheres talvez nunca menstruem; alguns homens talvez nunca produzam esperma. Essas são condições físicas que ocorrem quando o desenvolvimento biológico dá errado e elas não têm nada a ver com o funcionamento do cérebro ou com a transgeneridade.

Uma pequena proporção de pessoas nasce intersexo. Assim como uma pessoa nascer sem uma perna não significa que seres humanos não sejam bípedes, a existência de pessoas intersexo não significa que a humanidade não seja biologicamente binária.

A condição intersexo às vezes é lançada na sopa de letrinhas que costumava ser LGB, e algumas pessoas confundem essa condição com a transgeneridade. Ser intersexo é uma condição física e genética e não tem nada a ver com a condição psicológica da transgeneridade. Uma pessoa intersexo podem muito bem ser “considerada” homem ou mulher ao nascer, mas o resto de nós tem nosso sexo observado, não “designado”, frequentemente enquanto ainda estamos no ventre de nossas mães. A ideia de que somos “designadas a um sexo no nascimento” e que nossa “identidade de gênero” é que nos torna homens ou mulheres é profundamente insultante para muitas lésbicas e gays que sentem que essa ideia os invisibiliza e invisibiliza a ideia de atração pelo mesmo sexo.

“A que você acha que eu, como homem gay, me atraio? A “almas” masculinas? Lésbicas se atraem a uma “essência feminina” metafísica?… você sabe a diferença entre uma corça e um veado, né? Ou entre um touro e uma vaca? Um carneiro e uma ovelha? Por que parar com as pessoas, com homens e mulheres?” (tweet de @throwaway_gay)

Muitas pessoas intersexo também estão infelizes por sua condição estar sendo confundida com a transgeneridade. A Sociedade Intersexo da América do Norte afirma:

Pessoas que têm condições intersexo têm uma anatomia que não é considerada tipicamente masculina ou feminina. A maioria das pessoas com condições intersexo chamam a atenção médica porque médicos ou o pai e a mãe notam algo incomum em seus corpos. Em contraste, pessoas transgênero têm uma experiência interna de identidade de gênero que é diferente da maioria das pessoas… esses dois grupos não deveriam e não podem ser pensados como um só.

Há muita informação errada circulando na internet sobre intersexos, a maioria escrita por pessoas que gostariam de conectar essa condição à transgeneridade para dar a ela alguma tipo de base biológica perceptível. Vale a pena ler o site da Sociedade Intersexo da América do Norte se você tem interesse em aprender mais por meio de uma fonte confiável.

“Algumas pessoas nasceram no corpo errado!”

Pergunte-se como é possível “nascer no corpo errado”? Você nasce no seu próprio corpo. O cérebro é um órgão, é parte do seu corpo. Como pode ser cérebro estar errado, mas o resto do seu corpo estar certo? Existe isso de ser “trans de verdade”? E se existe, como o definimos?

A maioria dos dicionário parece razoavelmente consistente em sua definição de transgênero.

Algumas pessoas ficam tão desconfortáveis ao serem percebidas como seu sexo de nascimento — e ao esperarem que elas cedam aos estereótipos que acompanham seus corpos sexuados — que elas sentem que seu desconforto só pode ser resolvido tentando mudar a forma como elas são percebidas. Um homem que deseja ser percebido como uma mulher ou uma mulher que quer ser percebida como homem é “transgênero”. Ser transgênero geralmente envolve conformar-se aos estereótipos do sexo oposto — homens que se identificam como trans (sigla em inglês TIMs) usam batom e deixam seu cabelo crescer e frequentemente passam por cirurgias que os deem a aparência de ter seios. Mulheres que se identificam como trans (TIFs) cortam seus cabelos e apertam seus seios sob as roupas ou os removem. A maioria diz que esse é o único jeito de se tornarem seus ‘eus’ autênticos. Algumas pessoas alegam inclusive que isso desafia estereótipos de gênero.

Alex Bertie, venerada por uma geração de adolescentes meninas que se identificam como trans, toma testosterona em busca de desenvolver barba e já fez dupla mastectomia; mas, ao mesmo tempo, não vê a ironia em tirar selfies usando uma blusa que diz “papéis de gênero estão mortos”.

Se “autêntico” quer dizer “não falso”, “não copiado”, genuíno, original, não modificado — o que há de autêntico em se medicar e remover partes saudáveis de seu corpo de forma a criar uma ilusão baseada em estereótipos? É sequer possível ser trans sem recorrer a estereótipos?

“No meu caso, tornar-se ‘eu mesmo’ envolveu uma mistura de médicos, pílulas e cirurgias”, escreve Juno Dawson, paradoxalmente.

Então o que torna alguém trans “de verdade”?

Ter feito a cirurgia de redesignação sexual: é isso que faz um homem ser uma “mulher de verdade”?

Algumas pessoas dizem que o que conta é ter a vontade de o dinheiro para mudar seu corpo com cirurgias. Algumas homens que se identificam como trans falam sobre “ganhar a mulheridade” com suas cirurgias, quase como se fosse um prêmio pela conformidade.

Tallulah-Eve (foto da esquerda, acima) fez a transição cirúrgica completa. “Se ganhei qualquer coisa, ganhei mais direito à mulheridade do que uma mulher cis” ele alega, inferindo não só que a mulheridade é algum tipo de prêmio a ser concedido a quem se conforma, mas também que a mulheridade é pouco mais que a fabricação de características sexuais secundárias: cabelos longos e ondulados, sobrancelhas lindas, seios de bola de boliche que nunca poderiam alimentar uma criança e uma “vagina” cuja única função é para servir como uma potencial bainha de pênis.

Nenhuma cirurgia, injeção de hormônios ou qualquer coisa do tipo pode mudar seu DNA, e um teste de DNA sempre vai mostrar se você é um homem ou uma mulher.

A veterana feminista Germaine Greer deixou sua posição sobre isso bem clara quando disse: “Só porque você cortou seu pau fora e passou a usar vestidos, isso não te torna a porra de uma mulher”. Ela aponta que um homem que se submete a tal cirurgia está “cometendo um ato extraordinário de violência contra si mesmo”.

Se a mulheridade é um prêmio, como sugerido por Tallulah-Eve, concedido às pessoas que atingem o nível necessário de “fodibilidade”, então chegamos a outra questão — quem é a mulher “de verdade”? A veterana Greer, com mais de 50 anos de ativismo feminista em suas costas, ou jovem Tallulah, com seios 48 fabricados pendendo de seu peito?

Somente em torno de 25% dos homens que se identificam como trans vão longe o suficiente ao ponto de terem seus pênis cirurgicamente removidos. E quanto aos outros 75%?

É a “passabilidade” que decide?

A ideia de ser “passabilidade” (n/t: quando as pessoas não conseguem perceber que uma pessoa é trans) de novo sugere que há uma forma correta de ser mulher. Vamos olhar pra dois TIMs. Blaire White (à direita) conquistou seu visual com cirurgias. Danielle Muscato (à esquerda) não passou por cirurgias.

Blaire é uma dos TIMs famosos com mais passabilidade. Danielle não é. Eles têm visões diferentes sobre o que é ser transgênero. Blaire diz “você não pode mudar definições ou contorná-las para perseguir sua própria narrativa”, enquanto que Danielle é inflexível quanto a “algumas mulheres têm pênis” e que mulheres que discordam deveriam “chupar meu pau”.

De um lado: “algumas mulheres têm pênis. Se você se incomoda com isso, você pode chupar meu pau.”. Do outro lado: “Se você acha que eu sou ‘menos’ mulher, ou que não sou uma mulher, porque eu não me encaixo em sua imagem mental de como uma mulher ‘deveria’ se parecer, ou de quais partes do corpo mulheres ‘deveriam’ ou ‘não deveriam’ ter, tenho novidades: sua descrição mental de mulheres não só é estreita de forma imprecisa, mas anti-feminista e intolerante também.”

A maioria das pessoas presumiria que Blaire é uma mulher, mas que Danielle não é — mas seu DNA é masculino. Então é o quanto você consegue se fazer parecer com uma fantasia heteromasculina estereotipada de mulheridade que decide se você é realmente trans ou não? O quanto de esforço você emprega pra vencer aquele prêmio?

Qual a idade limite para se tornar trans ‘de verdade’?

“Kellie Maloney sempre foi uma mulher. Ela não está se tornando uma mulher ou fingindo ser uma”, escreveu Paris Lees em 2015. Bem, espera um pouco…

Será que 60 anos de privilégio masculino podem realmente ser apagados com um gesto de uma mão recentemente depilada e de unhas feitas?

O promoter de Boxe, Frank Maloney (que já quase estrangulou sua mulher) mudou seu nome para Kellie Maloney e se assumiu trans com 60 e poucos anos. A NHS ficou feliz em poder transformar em história e aplaudir sua corajosa jornada em seu site. Jazz Jennings tinha 7 anos quando apareceu na TV pela primeira vez como “criança trans”. Seria a Jazz mais mulher do que Kellie? Kellie é mais ou menos mulher do que Jazz? É possível ser mais ou menos mulher do que alguém? Com certeza, ou você é ou você não é? Quem é mais trans, Jazz ou Kellie? A sua cabeça já está girando?

Pessoas que destransicionaram já foram, de fato, trans?

Há um número crescente de pessoas que transicionam e depois voltam atrás. Muitas vezes elas se sentem rejeitadas pela comunidade trans, que as vê como traidoras. Frequentemente, elas ouvem que nunca foram trans em primeiro lugar.

Walt Heyer é, provavelmente, a pessoa que destransicionou mais famosa: um homem que transicionou cirurgicamente aos 42 anos e “viveu como mulher” por 8 anos antes de se submeter a mais cirurgias para “mudar de volta”. Seu site está aqui. Ele é trans? Ele já foi trans de verdade? “… não importa o quão feminino eu parecesse, como todas as trans, eu só era um homem num vestido”, ele diz, suas palavras sendo um eco triste daquelas de Greer.

Mas Heyer não está sozinho. Pessoas jovens também estão destransicionando.

Um homem destransicionado escreveu em um comentário num vídeo do YouTube “meu corpo agora está destruído pela medicina transgênero. Eu nunca quis morrer antes. Eu tinha medo de se bi. Meu médico disse que a transição me ajudaria a me encaixar. E eu sempre poderia voltar atrás. E que a terapia não era importante”. Em outro lugar, ele comenta: “Como um homem destrans (ex-mulher trans), eu geralmente me sinto invisível ou odiado”.

Outro homem que transicionou escreve:

Uma mulher que destransicionou escreve que sua terapeuta, sem querer, “me ajudou a me machucar” ao possibilitar sua transição. Outra escreve que “olhando pra trás, acredito que eu tenha transicionado quase impulsivamente”.

Muitos jovens destransicionados ficam desconfortáveis com suas experiências sendo usadas para sugerir, por exemplo, que há um conceito como o de “trans de verdade”. Mas nós precisamos falar dessas coisas. Por que a tentativa de definir um termo tão complexo e cheio de nuances — “transgênero” — vista como transfóbica? A transgeneridade é um santo graal, sobre o qual nenhuma discussão é permitida? É claro que pessoas que se identificam como trans existem — mas você não pode transformar uma mulher em um homem, ou um homem em uma mulher. Simplesmente não é possível. E tentar fazer isso nem sempre resulta em um final feliz.

Eu recentemente li detalhes de um caso que envolvia uma “mulher trans” que começou a se incomodar com sua transição quando desenvolveu demência. Ele não conseguia entender por que tinha seios ou porque estava sendo chamado por um nome feminino. É tão triste, me assombra.

O que você precisa fazer pra ser um trans “de verdade” legalmente?

Pra obter um Certificado de Reconhecimento de Gênero do governo do Reino Unido, você ainda precisa ter o diagnóstico de disforia de gênero e provar que você “vive no gênero adquirido há pelo menos dois anos”. Para provar isso você vai precisar de um passaporte, carteira de habilitação, salários e contas.

Mas pra mudar de sexo no seu passaporte, no Reino Unido, você só precisa de uma carta do seu médico dizendo que sua decisão “é provavelmente permanente”.

O que nos leva aonde estamos agora. Se você diz que é uma mulher, você é uma mulher, e qualquer pessoa que tentar dizer o contrário é transfóbico e cheio de ódio.

Você não tem que amputar seu pênis, adquirir seios artificiais, tomar hormônios ou mesmo arrasar com batons agora, nem mesmo trabalhar na loja de caridade local “como uma mulher” por dois anos. Você só tem que convencer seu médico de que você realmente, realmente “se sente como uma mulher” e fazê-lo colocar isso numa carta.

Como um homem pode saber como uma mulher se sente? Não há uma única experiência de mulheridade. Não podemos saber nem como as pessoas que amamos se sentem. Você não pode saber como eu me sinto, e seu vizinho do lado não pode saber como você se sente. Não é possível que um homem alegue “se sentir como uma mulher” ao menos que ele invoque estereótipos.

E quanto a predadores sexuais que se identificam como trans?

Um homem agora pode estuprar uma mulher, e acabar sendo transferido para uma prisão feminina. Isso não é especulação sensacionalista. Tem acontecido.

Se um homem pode dizer que ele é uma mulher simplesmente porque ele “se sente como uma”, então QUALQUER homem pode dizer ser uma mulher. Não é um prêmio a ser dado por ser bonzinho.

Um TIM chamado Dana Rivers recentemente assassinou duas lésbicas e seu filho. Julianna Fialowski, um antigo conselheiro para a juventude trans, agora está na prisão por posse de pornografia infantil. Esses não são casos isolados. Inúmeros outros são contados no grupo aberto do facebook Isso Nunca Acontece (em inglês).

Recentemente, a imprensa sensacionalista do Reino Unido reportou que o assassino de crianças Ian Huntley declarou ser, na verdade, uma mulher. Como perguntado abaixo — Ian Huntley é uma mulher se ele diz ser? O que VOCÊ acha?

Se você concorda com um homem jovem, ingênuo e fofo que alega ser uma mulher, então com certeza você tem que deixar que um assassino de crianças de meia-idade clamar pela mulheridade também. Um homem ou pode se tornar uma mulher ou não pode. Você não pode escolher quem é bom o suficiente. Você não é o Papai Noel.

Alguém que acredita ser algo que não é está sofrendo de confusão psicológica. Seu problema está em sua mente, não em seu corpo, e o problema é acentuado por uma sociedade que venera estereótipos de gênero. Nossos corpos não são certos ou errados, eles só SÃO.

Apropriação racial não é aceitável. Se eu disser que sou negra, e exigir que você me veja como tal, porque eu gosto de “fazer coisas que pessoas negras fazem” e de “me vestir como negra”, você com certeza (e corretamente) faria careta. (Eu faço careta só de escrever essas coisas) Apesar disso, nós chegamos ao ponto em que um homem fazendo beicinho que se diz uma mulher nos diz que:

“uma tendência de moda que precisa morrer é qualquer forma de apropriação cultural”

E todo mundo sai correndo pra falar o quão corajoso e autêntico ele é.

Mexer na superfície da transgeneridade revela pouco mais do que estereótipos, sexismo, definições circulares (uma mulher é qualquer pessoa que diz ser mulher: uma mulher é qualquer pessoa que se sente como mulher), mais estereótipos, mais sexismo e ainda mais estereótipos. Essa veneração absurda de estereótipos virou um trem desgovernado. Pessoas trans de 8 anos! Pessoas trans de 4 anos!

Algumas semanas atrás, o Pink News escreveu um artigo sobre uma família inteira que se identifica como trans. Começou quando o menino queria fazer parte das Meninas Escoteiras. Quando a mãe “pesquisou sobre isso” ela percebeu “Meu deus, ele é trans!”. Desde então, a família inteira transicionou.

O National Geographic recentemente fez um artigo sobre mãe e filho, Eric e Corey Maison. Corey foi notícia uns anos atrás como criança-propaganda pro Projeto de Lei do Banheiro (n/t sobre o acesso de pessoas trans a banheiros públicos) e a mãe Erica se tornou o pai Eric quando a fama de Corey começou a diminuir. Corey, ficamos sabendo, está “ansiosa para fazer 18 anos pra que ela possa fazer cirurgia”.

O que nos leva às crianças e às mentiras terríveis que estamos dizendo a elas.

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