Por que as crianças trans na verdade desmascaram o argumento de “nasci assim”

Texto traduzido do blog culturally bound gender

Ariana Amara
Oct 2, 2017 · 5 min read

Post original

Uma das partes mais deslumbrantes do transativismo que prega do lema do “nasci assim” e que soa falso, é a ideia de que sempre houve na história, pessoas que experimentam a disforia de gênero de formas similares às que as pessoas vivenciam hoje em dia.

Esse claramente não é o caso.

Ouça a narrativa que as pessoas entoam sobre trans atualmente, e ouça PARTICULARMENTE as narrativas trans que estão surgindo sobre crianças. Crianças que tentam cortar fora suas genitais, crianças que absolutamente insistem em ser tratadas do sexo oposto, crianças que choram e gritam quando roupas vestem roupas do sexo oposto (ignorando, claro, que em vários momentos da história humana, roupas de crianças não eram separadas por gênero, e que garotos usavam vestidos, garotos usavam mais rosa que garotas, etc) — agora, pense nesse assunto por um instante.

Em toda literatura médica e psiquiátrica do século XVIII até o século XX, onde estavam essas crianças? Aqui estão alguns exemplos de “crianças trans” que supostamente tentaram praticar auto-mutilação de seus genitais. Imagine, se conseguir, o que Freud teria feito com isso — o dia de trabalho que qualquer psicólogo do início do século XX teria tido quando ele encontrasse crianças com uma disforia tão significativa que as levasse a mutilar seu próprio corpo! Existem múltiplos registros de uma variedade de doenças físicas e psicológicas — algumas reais e algumas não-tão-reais nos arquivos dos séculos XVIII e XIX. Onde estão as crianças que insistem que são de outro sexo e não vão mudar de ideia? Os médicos daquele período NÃO tinham receio de reportar e documentar supostos comportamentos “desviantes”. É absolutamente difícil de se acreditar que se a transgeneridade é algo inato e que se manifesta durante a infância, com crianças tomando atitudes drásticas e até mutilatórias para alcançar o gênero desejado, nenhum psiquiatra ou psicólogo ou médico tenha dito “uau, isso é interessante. É melhor eu criar um síndrome com meu nome sobre isso!”

Porque, veja, é isso que realmente acontece com outros tipos de questões que começam a se manifestar durante a infância. Nós temos registro de crianças com autismo. Temos registros de crianças com câncer. Temos registro de crianças com problemas psicológicos e neurológicos sérios. Não houve nenhuma conspiração para manter o silêncio ao redor das questões transgênero.

Agora, caso as crianças trans tenham começado a “sair do armário”, como foi, é verdade que elas provavelmente tenham sido subjugadas a todo tipo de intervenção médica terrível para “corrigir” sua disforia. Alguns irão dizer que isso faz as crianças trans continuarem no armário, para sua própria segurança. Mas como as crianças trans saberiam? Ninguém diria a elas “a propósito, se você acha que você é do sexo oposto, vai esperando tratamento de eletrochoque começar em poucas semanas.”

Nós temos documentado milhares de condições médicas e psicológicas há quase mil anos atrás. Para citar alguns exemplos, esclerose múltipla foi completamente descrita na metade do século XIX. O mesmo aconteceu com a bipolaridade (que já havia sido descrita por vários psiquiatras diferentes antes do século XX). O mesmo para a esquizofrenia. O autismo foi bem descrito durante a metade do século XX (e não antes porque era considerado uma forma de esquizofrenia). Estudos de caso envolvendo pessoas com vários os tipos incrivelmente incomuns das faculdades físicas e mentais — e ainda assim, nenhuma epidemia de crianças cortando o próprio pênis, nem mesmo quando crianças tinham menos supervisão de adultos e mais acesso a objetos bem mais cortantes do que tesouras sem ponta.

Ativistas trans atualmente, argumentam que sem a intervenção cirúrgica, a disforia pode ser, e muitas vezes é fatal, porque ela irá compelir o indivíduo a atitudes de auto-sabotagem. Transativistas também argumentam que metade das pessoas trans irão tentar cometer suicídio por conta de seu desejo de transicionar. Onde estava a epidemia de suicídios pediátricos antes dos médicos começarem a dizer aos pais que a única solução para a disforia de seus filhos era um tratamento caro de cirurgias e hormônios?

Ah, tá, — Eu sei onde estava essa epidemia. Ela não existe. Escutem, adultos: transicionem se quiserem, pouco posso me importar. Mas esterilizar seus filhos por meio de medicamentos, atrasar a o desenvolvimento natural da puberdade, enxê-los de ideias pré-fabricadas sobre gênero a ponto de fazê-los querer arrancar fora seus órgãos antes mesmo de saber para que esses órgãos servem? It’s Munchausen’s by proxy, isso é abuso infantil.

“Nasci assim” torna possível para os médicos alterar as genitais de crianças antes que elas sejam capazes de consentir, e entupí-las de hormônios que não foram ainda estudados para uso pediátrico ou a longo prazo. Para manter seu novo gênero, a criança em questão terá de pagar, pagar e pagar para o resto da vida, apenas para permanecer nos tratamentos hormonais. Transativismo “nasci assim” não é apenas um problema porque ele sacraliza o gênero como uma qualidade humana inata. Ele também é um problema porque faz pessoas liberais com alguma sanidade permitirem procedimentos médicos em crianças que eles nunca permitiriam em outras circunstâncias.

O fenômeno da criança trans é um produto da cultura obcecada com os papéis de gênero e com a performance individual, junto com os pais que acham de fato muito divertido desfilar o filho em frente as câmeras dos noticiários para falar do tanto que seus filhos são especiais e oprimidos. É Síndrome Munchausen de fabricação de sintomas, e os pais estão ENGOLINDO esse louvor. Bem, a história frustra vocês de novo, pais de “crianças trans”. Todo analista e médico nos últimos 200 anos — que isso, nos últimos 2000 anos — teria dados os olhos da cara para tratar uma tal desordem que anda causando pequenos garotos a arrancarem suas próprias partes. Eles teriam bolado todo tipo de justificativas ilusórias nas próprias concepções de corpo e mente da época, e nós todos estaríamos dizendo “nossa, se nós ao menos soubéssemos que essas crianças eram trans, poderíamos ter as tratado com hormônios e cirurgia!”

Mas não é isso que está acontecendo, é? Tudo isso é um território novo, e qualquer ideia de terapia falada é imediatamente descartada como transfóbica e um apagamento das identidades trans. É a cirurgia e os hormônios — ou pelos a possibilidade de cirurgia e hormônios e o bloqueio da puberdade para tornar esse processo mais fácil — ou nada. Isso, ao invés do fato de que a cirurgia e o tratamento hormonal já demonstraram ter pouco ou nenhum efeito na taxa de suicídio entre pessoas trans, ou nos níveis de depressão e ansiedade.

Não acabe no lado errado da história, daqui há 50 anos, quando uma grande parte dessas crianças trans nos contarem o que realmente aconteceu dentro de suas casas, ou quando eles se revoltarem contra os que alteraram permanentemente seus corpos e os impediram de se reproduzir, tudo baseado na reação dos parentes às reações naturais de crianças em relação ao reforço dos padrões de gênero.


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