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Quando é que uma menina não é uma menina? — parte 1/2

Tradução livre do original de Lily Maynard.

Furiosa
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Nov 13, 2017 · 12 min read

Quando é que uma menina não é uma menina?

Quando ouvimos histórias de crianças “trans” na mídia geralmente nos ocorrem duas coisas. Primeiramente, a imagem da criança fofa e vulnerável — quase sempre um menino de cabelos longos de rosa e tutu de balé — e, em segundo lugar, o amor ardente e o apoio fornecidos pelos pais. Questionar essa narrativa parece rude, até cruel: na maioria das vezes, os pais conhecem melhor suas crianças, e essa criança obviamente precisa de proteção da realidade dura da cultura moderna. Talvez tenhamos um pensamento efêmero de que talvez o melhor interesse da criança não esteja sendo atendido quando ela é exposta por todos os cantos da mídia; mas nós vemos fofura, nós vemos amor e nós seguimos em frente, orgulhosos de que nossos corações são tão inclusivos e de que o rótulo “transfóbico” não se aplica a nós. Nós dizemos a nós mesmos “a história precisa ser contada, a mensagem precisa ser espalhada”. Mas que mensagem é essa, exatamente?

Você quer um filho vivo ou uma filha morta?

As taxas de tentativa de suicídio entre pessoas que se identificam como transgênero são altas, e pais e professores preocupados por aí estão ouvindo que uma criança que é repetidamente tratada no gênero errado, ou que é proibida de “viver de forma autêntica”, provavelmente vai se matar. A frase “você quer um filho vivo ou uma filha morta?” aparece de novo e de novo. Ainda assim, ao mesmo tempo, temos de acreditar que se identificar como transgênero não é um sinal de doença mental. Essa demanda por esse “duplipensar” também está implícita na ideia de que transicionar uma criança é, de alguma forma, um ato de autenticidade, e de que um menino que diz que ele é uma menina é, literalmente, uma menina.

De onde estão vindo todas essas crianças trans?

Quando o filho de cinco anos de uma amiga usou um vestido de princesa para a festa de um coleguinha da escola, ela recebeu diversos e-mails de pais e mães bem-intencionados que direcionavam para artigos de “Como Identificar se sua Criança é Trans”. Ela não está preocupada com as preferências de seu filho por coisas “de menina”; ela está extremamente preocupada com a possibilidade de algum genitor ou docente bem-intencionado e hiper-zeloso convencer seu filho de que ele “nasceu no corpo errado”, e, como tal, está destinado a uma vida tentando “se passar” por uma garota. Ela também se sente desconfortável que outros pais pareciam até animados com essa perspectiva: como se o filho dela pudesse ser visto como um troféu da progressiva inclusividade do grupo.

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