Carol Correia
Mar 17, 2018 · 2 min read

A cada 23 minutos um preto morre. O número de homicídio de homens negros subiu, enquanto o de brancos diminuiu. O número de violência contra mulher subiu para as negras e diminuiu para as brancas.

O que significa isso? Que violência tem cor. Que o povo negro está morrendo por ser alvo.

Marielle Franco era uma mulher negra lésbica que vinha de uma periferia e desejava mudar isso. Em seu mestrado falou brilhantemente sobre UPP e, obviamente, a repressão policial na favela.

Marielle participava da nova geração de mulheres da favela que chegava a faculdade. Socióloga formada pela PUC-Rio e mestre em Administração Pública pela UFF, coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Uma intelectual negra.

Ela tentou lutar — lutou — contra a situação que observava se tornando vereadora no estado do Rio de Janeiro. Ela lutava contra o genocídio negro. Denunciava abuso policial contra civis e defendia família de policiais (mais aqui). A guerra que está existindo leva vidas de ambos os lados, afinal.

Marielle foi executada dia 14 de março de 2018. Mais uma ativista dos direitos humanos assassinada. Marielle foi o alvo que sabia demais e falava demais e por isso foi executada. Ela denunciou o 41º BPM que é tido como o que mais mata, segundo sua denúncia, PMs invadiram casas e amedrontaram cidadãos.

Marielle foi e é uma inspiração — especialmente para as meninas e mulheres como ela. Ela fez muito, muito mais que vários de nós. Sua morte é uma perda para sua família e para o mundo.

Eu não conhecia sobre ela; não sou do Rio de Janeiro, afinal. Mas quando eu soube sobre sua morte, eu a lamentei como todos do Brasil, como todos que entenderam o que significa sua execução.

Audre Lorde fala que “seu silêncio não te salvará”, mas falar marcou Marielle como alvo. O medo de se posicionar irá aumentar, especialmente para mulheres negras periféricas. Nossas falas ficarão sufocadas em nós por alguns dias, algumas semanas ou alguns anos. Mas temos que falar. Não há outra alternativa.

Deixe sua tristeza se transformar em raiva e indignação. Não há outro sentimento mais adequado para a execução de uma preta que defendia os seus.

A pergunta de Marielle “ Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?” ainda paira sobre o ar. Quantos mais? A pergunta que ela fez, nós fazemos agora lembrando dela.

Espero que um dia essa guerra acabe e que preto vivo pare de ser resistência, mas sim algo comum.


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