Querer proteger a saúde da minha filha não me faz intolerante

Winnie Lo
Winnie Lo
Feb 5, 2018 · 16 min read

Original: Susan Nagel para 4thWaveNow, 13/12/2017, https://4thwavenow.com/2017/12/13/wanting-to-protect-my-daughters-health-does-not-make-me-a-bigot/

Tradução: Winnie Lo

Susan Nagel é a mãe de uma menina de 17 anos que se identifica como transgênero. Nagel escreveu esse ensaio como forma de educar as pessoas que a supõem transfóbica por não apoiar o desejo de sua filha de fazer a transição hormonal. Ela espera que outros possam achar esse ensaio útil, caso estejam tentando educar amigos, familiares, professores, médicos, terapeutas ou jornalistas. Nagel está usando um pseudônimo para proteger a identidade da sua filha.

Há cerca de um ano minha filha, então com 16 anos, disse que se acreditava ser transgênera. Logo depois, começou a implorar para tomar testosterona, usar um binder [faixa] nos seios, pedir que outros a chamem com pronomes masculinos, mudar legalmente o nome dela. Nada sobre a infância dela nos preparou para isso; ela sempre teve interesses e gostos segundo o estereótipo feminino. Ela amava animais de pelúcia, preferia saias a calças para ir à escola, escolhia tinta rosa choque para seu quarto, experimentava com maquiagem e ondulava seu cabelo. Quando ela era pequena, eu brincava que tinha que lavar as roupas cor de rosa numa carga separada, além das claras e escuras. Ao longo de um mês ou dois depois de se assumir, uma pessoa em geral alegre transformou-se noutra, rabugenta, que passava horas chorando e me dizia para esconder as facas.

Antes de mais nada, acho que você deveria conhecer a minha perspectiva. Sou liberal e apoio completamente o acesso igual a habitação, emprego, educação e saúde para todas as pessoas marginalizadas, inclusive as transgêneras. Não acho que ser transgênero é imoral ou que a diversidade de gênero seja perturbadora. Ainda assim, depois de passar várias noites insones pesquisando o movimento transgênero, passei a ter muito medo pela minha filha. Meus medos dizem respeito da pressa em tornar meninas adolescentes e jovens mulheres fisicamente saudáveis em pacientes em tratamento permanente, fazendo isso antes que seus cérebros estejam completamente desenvolvidos e com quase nenhuma supervisão de profissionais de saúde mental.

“INTOLERANTE”

Encontro muitas pessoas bem-intencionadas que acreditam que o movimento transgênero seja simplesmente um movimento pelos direitos civis. Eles não entendem minhas preocupações e supõem que eu sou ignorante ou intolerante. Penso que isso seja porque o conhecimento da maioria das pessoas sobre o movimento transgênero é limitado aos relatos midiáticos que focam na discriminação contra pessoas transgênera ou a batalha de um indivíduo para ser verdadeira consigo mesmo. A seguir são algumas coisas que eu queria que as pessoas entendessem sobre como o movimento transgênero está impactando a saúde das crianças de jovens, junto a algumas perguntas para reflexão.

1. Poucas crianças que vivenciam disforia de gênero se tornam adultos transgêneros.

A disforia de gênero, um sentimento de desconforto ou aflição com o próprio sexo biológico, é uma questão temporária para a maioria considerável das crianças que a vivenciam. Estudos mostram que somente entre 6% e 27% de crianças que vivenciam disforia de gênero permanecerão transgêneras na idade adulta. Estas estatísticas não vêm de uma fonte conservadora. São da World Professional Association for Transgender Health Standards of Care.

2. O tratamento farmacológico para crianças prepubescentes com disforia de gênero causa esterilidade permanente.

Alguns pais e mães cujas crianças pequenas vivenciam disforia de gênero dão às suas crianças medicamentos chamados bloqueadores de puberdade para impedir o início da puberdade. O raciocínio: adiar a puberdade dará tempo à criança decidir a que gênero pertence. Se a criança depois decidir pela transição, “passará” mais facilmente como membro do sexo oposto porque o desenvolvimento normal das características sexuais secundárias foi bloqueado. Para completar a transição hormonal, a criança deve dar seguimento aos bloqueadores de puberdade com hormônios transexualizadores. Um dos efeitos colaterais de administrar hormônios transexualizadores na sequência de bloqueadores de puberdade é a esterilidade certa e permanente.

Esterilidade não é o único problema dos bloqueadores de puberdade. As drogas usadas para bloquear a puberdade estão sendo usados off-label; ou seja, não foram aprovados para este fim pela Food and Drug Administration (nota da tradutora: corresponde à Anvisa americana). De acordo com Eli Coleman, psicólogo que preside o programa de sexualidade humana da Escola de Medicina da Universidade de Minnesota citado pelo The New Yorker, “Ainda não conhecemos os efeitos sutis ou potencialmente de longo prazo (dos bloqueadores de puberdade) sobre a função cerebral ou o desenvolvimento ósseo. Muitas pessoas reconhecem que não se trata de um tratamento benigno.”

Minhas perguntas são: Como pode ser ético esterilizar as crianças antes que tenham idade suficiente para dar consentimento informado? Se a sua criança tivesse um problema de saúde com 73 a 94% de chance de remissão sem tratamento, você aceitaria terapias experimentais com efeitos colaterais conhecidos? Que pai ou mãe consegue prever se a sua filha/filho irá preferir ser fértil ou se passar como o sexo oposto quando chegar à idade adulta?

3. Nem toda pessoa que realiza a transição hormonal permanece transicionada.

Embora ativistas trans afirmem o contrário, não é incomum que pessoas transgêneras que tenham feito a transição, seja hormonal ou social (transição social inclui adotar vestimentas, cortes de cabelo, nomes e pronomes do sexo oposto), eventualmente mudem de ideia e destransicionem. Por exemplo, uma pesquisa de 2016 sobre destransição postada online por apenas dez dias coletou mais de 200 respostas de mulheres destransicionadas. Blogs e vídeos de destransicionárias são fáceis de encontrar online.

4. Existe pouca pesquisa sobre a segurança do uso prolongado de hormônios transexualizadores para os fins de transição sexual.

Usar testosterona para os propósitos da transição sexual é um uso off-label do medicamento. A pesquisa sobre os efeitos de longo prazo do uso da testosterona para esse fim é escassa.

Abaixo são apenas alguns itens de um formulário de consentimento a ser assinado por meninas e mulheres que desejam tomar testosterona:

  • “Eu entendo que os efeitos da testosterona sobre a fertilidade não são exatamente conhecidos…”;
  • “Eu entendo que a estrutura cerebral é afetada pela testosterona e pelo estrogênio. Os efeitos de longo prazo da alteração dos níveis do próprio estrogênio por meio do uso da terapia de testosterona não foram estudados cientificamente e são impossíveis de prever. Tais efeitos podem ser benéficos, prejudiciais, ou ambos.”
  • “Fui informada de que o uso da testosterona pode aumentar meu risco de desenvolver diabetes no futuro devido a mudanças em meus ovários.”
  • “Eu entendo que o endométrio (o revestimento do útero) é capaz de transformar testosterona em estrogênio e pode aumentar o risco do câncer do endométrio.”
  • “Eu entendo que o tecido adiposo dos seios e do corpo é capaz de transformar o excesso de testosterona em estrogênio, o que pode aumentar o meu risco de câncer de mama e diminuir ou impedir os efeitos desejados da terapia de testosterona.”
  • “Fui informada de que a testosterona pode levar à inflamação e danos no fígado. Fui informada de que serei monitorada para problemas de fígado antes de iniciar a terapia de testosterona e periodicamente durante a terapia.”

Minha filha não vê nada de assustador nessa lista. Ela é uma adolescente, e adolescentes acreditam que são invencíveis. Ela me garante que receberia os tratamentos de um médicos, então em sua mente nada poderia dar errado. A ela falta a experiência de vida que me ensinou que todos os tratamentos médicos implica em riscos e efeitos colaterais, muitos medicamentos são retirados do mercado quando depois se descobre que são inseguros, alguns profissionais da medicina são motivados pelo lucro, e que médicos cometem erros. No estudo das mulheres destransicionadas mencionado acima, a média da idade de transição era 17 anos, e a média da idade de destransição era 22 anos. Suspeito que o momento da destransição tivesse algo a ver com a hora em que as mulheres jovens atingem maturidade suficiente para calcular os riscos versus benefícios.

Além dos riscos de saúde, a testosterona causa mudanças cosméticas irreversíveis. Calvície de padrão masculino, pelos faciais e uma voz mais grossa perseguem homens trans que se destransicionam para recuperar a sua mulheridade.

Estou chocada com a prontidão de alguns amigos para aceitar a ideia de usar hormônios sintéticos com a finalidade de transicionar adolescentes. Algumas dessas pessoas evitam beber leite de vacas tratadas com hormônio do crescimento bovino e evitam comer vegetais não orgânicos ou alimentos contaminados por transgênicos. Se adolescentes ingerem produtos químicos perigosos por razões politicamente corretas, será que o dano é reduzido de alguma forma?

5. Uma avaliação e terapia completas de um profissional de saúde mental não são necessárias antes que um jovem adulto passe pela transição hormonal.

Várias pessoas me falaram para não me preocupar que uma filha possa transicionar sem necessidade, porque uma pessoa deve passar por uma avaliação completa de um terapeuta para garantir que seja realmente transgênera antes de receber tratamentos médicos. Isso pode ter sido uma verdade universal alguma vez, mas infelizmente não é mais o caso. Na pesquisa com as mulheres destransicionadas citada acima, 117 das mulheres pesquisadas haviam feito transição hormonal. Apenas 41 (35%) daquelas mulheres haviam recebido de antemão qualquer terapia. A vasta maioria (68%) sentiu que não havia recebido aconselhamento adequado e informações precisas sobre a transição antes de passar por ela.

Alguns ativistas trans dizem que a avaliação por um terapeuta não deveria ser exigida para a transição hormonal, porque a transgeneridade não é uma doença mental. Como consequência, houve um movimento em direção a clínicas de consentimento informado. Sob este cenário, qualquer adulto que alegue ser transgênero tem permissão para receber tratamento médico para transição com uma carta do terapeuta declarando que foram informados dos riscos envolvidos na transição e são capazes de dar consentimento.

O site de RECLAIM, um centro de saúde mental em St. Paul, Minnesota para jovens transgêneros com idade de 13 a 25 anos, explica que o processo de consentimento informado pode levar de tão pouco quanto duas sessões até mais de dez. Também explica que a carta resultante para os planos de saúde “…não envolve a avaliação da prontidão…” para a transição hormonal da parte do terapeuta. Pode me chamar de antiquada, mas acho que a maioria das pessoas com 18 anos poderiam se beneficiar de uma avaliação de prontidão.

O site de um terapeuta de St. Paul especializado em questões de gênero, Bystrom Counseling and Consultation, diz aos clientes em potencial que vários médicos de Minnesota “…agora estão confortáveis com a prescrição de hormônios sem documentação escrita da conclusão de Revisão Global de riscos e benefícios de um terapeuta.” O site prossegue a listar as clínicas médicas acessadas com maior frequência para esse fim.

A professora de Serviço Social da Universidade de Michigan, Kathleen Levinstein, escreveu sobre a transição hormonal da sua filha autista para 4thWaveNow. Sua filha foi uma aluna da educação especial, que como adulta, está qualificada para pagamentos de invalidez e não é capaz de administras as próprias finanças. Ela funciona em tal nível que sua mãe teve que explicar a ela que a testosterona não faz crescer pênis em mulheres. O dia depois do seu aniversário de 18 anos, o terapeuta de gênero da filha aprovou mastectomia dupla após apenas duas sessões com ela. A filha começou o tratamento com testosterona alguns meses depois. Ela também sofre da doença de Crohn e foi hospitalizada três vezes devido a reações adversas ao hormônio.

Se as pessoas transgêneras não estão doentes, isso não tornaria seus tratamentos eletivos e portanto não elegíveis para cobertura do seguro? Se as pessoas transgêneras estão doentes, não merecem elas uma avaliação e diagnóstico completos antes de se submeter a tratamentos médicos?

6. Quando crianças e adolescentes vivenciam a disforia de gênero, muitas vezes se permite que elas mesmas se diagnostiquem como transgêneras.

Pais e mães que convencem uma criança a buscar terapia antes de prosseguir a transição deveriam saber que muitos profissionais de saúde mental, em especial aqueles que se intitulam terapeutas de gênero, usam uma abordagem de identidade para tratar a disforia de gênero, também chamada de abordagem afirmativa de gênero. Lisa Marchiano, uma assistente social em Filadélfia, escreveu um ensaio contrastando os modelos de terapia de identidade com o modelo tradicional de saúde mental. Sob o modelo de identidade, a disforia de gênero pode significar apenas uma coisa: que alguém é transgênero. Não se permite que os terapeutas usem seu próprio julgamento clínico para analisar se pode haver outros motivos pelos quais as pessoas se sentem desconfortáveis com seus corpos. Marchiano afirma, “Nosso papel como terapeutas se limita apenas à afirmação entusiástica.”

Testemunhei a prevalência desse modelo na minha própria busca por um terapeuta que ajudasse a minha filha. Entrevistei cerca de dez terapeutas por telefone antes de encontrar um que entendesse que adolescentes experimentam com identidades e que as crenças dos adolescentes sobre quem eles são pode mudar ao longo do tempo, algo que costumava ser bom senso e conhecimento comum.

Em contraste ao modelo de identidade de gênero de terapia, Marchiano diz que o modelo de saúde mental vê a disforia de gênero como um sintoma. O trabalho do terapeuta é ajudar o paciente a “…explorar os sintomas sem fazer suposições sobre o que os sintomas significam. De fato, enquanto a terapia de gênero já sabe o significado da disforia de gênero — ou seja, que o paciente é trans — a terapia de saúde mental começará com a suposição de que não fazemos ideia do que os sintomas significam. Devemos estar abertos ao significado que emerge para os pacientes conforme exploramos suas experiências com os sintomas.”

Como uma mulher, compreendo perfeitamente o impulso de transicionar para ficar segura e sã num mundo misógino. Mas por favor, não vamos achar que camuflar melhor as mulheres por meio da transição seja algo progressista. O progresso acontece quando as mulheres não mais sentirem necessidade de se esconder.

Estudos mostram que a maioria das crianças não sentem mais disforia de gênero quando adultos. É fácil encontrar exemplos de pessoas em destransição. Então por que os terapeutas de gênero supõem que qualquer caso de disforia de gênero indica que uma pessoa é transgênera? Costumávamos exigir que as pessoas tivessem diplomas avançados e licenças para fazer diagnósticos de saúde mental. Por que estamos nós, na realidade, permitindo que crianças e adolescentes façam seu próprio diagnóstico?

7. Não há evidência persuasiva de que a transição de gênero reduz a ideação suicida em crianças com disforia de gênero.

Uma das coisas mais assustadoras que uma mãe ou um pai em minha posição encontra é o amplamente divulgado aumento no risco de suicídio entre pessoas transgêneras. Muitas pessoas acreditam que a transição é o único caminho para prevenir suicídios entre jovens transgêneros. Um sentimento comum é: “você prefere ter uma filha morta ou um filho vivo?” Eu incentivo qualquer pessoa com essa preocupação a ler o recente ensaio de Michael Bailey e Ray Blanchard. A principal lição deles é, “Não há evidência persuasiva de que a transição de gênero reduz a propensão das crianças disfóricas de gênero a se matar. A ideia de que os problemas de saúde mental — inclusive a ideação suicida — sejam causados pela disforia de gênero e não ao contrário (ou seja, as questões de saúde mental e de personalidade causam uma vulnerabilidade para vivenciar a disforia de gênero) atualmente é popular e politicamente correta. Contudo, não é comprovada, e possui iguais probabilidades de ser verdadeira ou falsa.”

Embora não haja prova de que a transição reduz a ideação suicida, adolescentes são treinados por outros em sites como reddit e Tumblr sobre como usar ameaças de suicídio como moeda de barganha. Em uma das mensagens mais deprimentes no reddit repostada no site Transgender Reality, uma pessoa de 18 anos cujo pai está preocupado sobre a sensatez da terapia hormonal recebe de um comentarista essa pergunta, “Você está pronto para com ele (o pai) sobre a possibilidade de suicídio? Ou você quer pegar mais leve, e dizer que você ‘não pode continuar viver desse jeito’ etc.?” Em outro post, disseram para alguém com 14 anos, “…comunique aos seus pais que isso não é uma opção. Ou é isso ou é depressão, isolamento, suicídio.” Por fim, pediram que uma pessoa de 13 anos falasse aos seus pais, “Se vocês como meus pais não me ajudarem conforme necessário, vou acabar amargo, miserável ou morto.”

8. Alguns psicólogos e profissionais de saúde mental acreditam que meninas adolescentes e jovens mulheres estão vivenciando um novo tipo de disforia de gênero contaminado pelos pares e por meio à exposição ao conceito na internet.

Até uns sete anos atrás, mais meninos do que meninas apresentavam disforia de gênero em clínicas de gênero nos países ocidentais. Por volta de 2010, o número de meninas começou a ultrapassar o de meninos de forma significativa. Muitas meninas que vivenciaram a disforia de gênero na década passada possuem um perfil diferente do que tinham em anos anteriores. No passado, meninas com disforia de gênero começavam a expressar o desconforto com roupas, interesses e brinquedos femininos já durante a pré-escola. A maioria acabava se tornando confortável com seu sexo biológico ao passo que a disforia persistiria até a idade adulta para algumas. Agora muitas meninas estão vivenciando disforia de gênero pela primeira vez de repente na adolescência. Alguns pesquisadores estão chamando esse fenômeno de disforia de gênero de surgimento repentino (DGSR, em inglês ROGD) e teorizam que isso pode ser um tipo de contágio social espalhado entre amigos e por meio da internet.

Uma pesquisa de 2016 com 164 pais e mães de adolescentes e jovens adultos transgêneros demonstra a atual natureza contagiosa da disforia de gênero entre jovens mulheres. 85% dos pais pesquisados tinham jovens transgêneras biologicamente do sexo feminino em média com 15 anos. Na população em geral, espera-se que menos de 1% dos jovens adultos sejam transgêneros, mas muitos dos pais nessa pesquisa disseram que vários membros do grupo de amigos preexistente da sua criança também estavam se declarando como transgêneros. Para ser exato, 50% do grupo de amigo preexistente de um jovem se tornou transgênero em quase 40% dos grupos de amigos descritos pelo estudo. O média de número de amigos que se tornaram transgêneros foi de 3,5.

Os psicólogos Ray Blanchard e Michael Bailey recentemente relataram que pessoas jovens com DGSR (principalmente meninas) passam a acreditar falsamente que todos os seus problemas se devem à disforia de gênero. Meninas com DGSR muitas vezes ficam obcecadas com a ideia de transição, e sua saúde mental e relações sociais deterioram. A subcultura em torno da DGSR inclui atributos encontrados em cultos, como a “…expectativa de acordo ideológico absoluto… e incentivo para cortar laços com familiares e amigos…” que não concordam com eles. Como a DGSR é “…baseada numa falsa crença adquirida por meios sociais”, Bailey e Blanchard acreditam que a transição não irá ajudar jovens nessa condição. Foram direto ao ponto: “Se conhecimento é poder, então a falta de conhecimento é negligência. É escandalosa a ignorância de alguns dos principais clínicos de gênero a respeito de todos os aspectos científicos da disforia de gênero.”

A experiência da minha própria filha com a disforia de gênero corresponde precisamente à descrição da DGSR. Ela primeiro começou a vivenciar a disforia de gênero como adolescente. Quatro membros do seu grupo de amigo preexistente também começaram a se identificar como transgêneros na sua adolescência. Como eu expressei dúvidas sobre a sua identidade transgênera e vocalizei oposição à transição médica, ela se recusa a falar comigo sobre aqueles assuntos tanto quanto um membro do culto se recusa a escutar qualquer coisa que contradiga suas crenças. A saúde mental e as relações dela com a família sofreram.

9. Muitas pessoas podem ganhar financeiramente com o surto de crianças, adolescentes e jovens adultos que buscam a transição médica.

Toda uma indústria se construir em torno do tratamento de pessoas transgêneras. Em 2007, havia uma clínica transgênera que atendia crianças nos Estados Unidos; agora já são 40. Pessoas transgêneras que transicionam medicamente se tornam pacientes para sempre. Para manter a transição, elas devem tomar hormônios e fazer exames de sangue regulares para o resto das suas vidas. Bloqueadores de puberdade, tratamentos hormonais, exames de sangue, eletrólise genital, eletrólise facial, redução dos pelos corporais a laser, aumento dos seios, cirurgia de feminização facial, orquiectomias, vaginoplastias, colovaginoplastias, metoidioplastias, faloplastias e mastectomias duplas são alguns dos tratamentos onerosos que podem ser procurados por pessoas transgêneras.

Tratamentos adicionais podem ser necessários para tratar as complicações resultantes dos tratamentos de transição médica. O tumblr Truth About Transition [Verdade sobre a Transição] compilou postos de transicionários de mulher para homem que vivenciaram dificuldades. Um homem trans posta um vídeo sobre as várias visitas ao médico que ele fez recentemente para corrigir seus níveis de testosterona e parar de sangrar, levando-o a 1) aumentar sua dosagem de testosterona, 2) começar a tomar progesterona, e 3) tomar Lupron, geralmente usado como bloqueador da puberdade. Outro jovem homem trans expressa seu cansaço ao antecipar a sua vigésima cirurgia relacionada à transição. A última cirurgia foi a terceira tentativa para tratar um abcesso que se desenvolveu durante a sua busca por um pênis cirúrgico.

A receita de vendas de testosterona aumentou dramaticamente nos últimos anos. As vendas de testosterona geraram $2,4 bilhões em receita nos Estados Unidos em 2013. A projeção para as vendas em 2018 é de $3,8 bilhões, um aumento de 58%. Embora a testosterona seja usada para outros fins que não a transição sexual, o aumento na receita correlaciona-se com a proliferação das clínicas de gênero.

Além dos tratamentos médicos arriscados, muitas meninas e mulheres usam binders [faixas] para comprimir seus peitos e fazê-los parecer mais achatados. Binders possuem efeitos colaterais como dores nas costas, falta de ar e fraturas de costela. Quando pesquisei o termo no Google, “riscos do binder”, o primeiro site que apareceu foi de uma clínica de cirurgia plástica que faz “cirurgias da parte de cima” para meninas/mulheres que querem transicionar para o sexo masculino. Sim, as pessoas que vão lucrar cortando fora os peitos saudáveis das meninas querem muito garantir que meninas e suas famílias entendam os riscos dos binders.

Nunca me senti tão sozinha. Pessoas que normalmente seriam aliadas de pais e mães de um criança perturbada, inclusive terapeutas, médicos, professores e amigos apoiam essa loucura. Posso apenas supor que é porque acreditam em uma das coisas abaixo:

  • Apenas pessoas transgêneras vivenciam disforia de gênero;
  • Ser transgênero é sempre uma condição inata e permanente;
  • Pessoas com disforia de gênero recebem avaliação e terapia cuidadosas antes de serem permitidas a modificar clinicamente seus corpos;
  • Transgêneros menores de idade estão sendo impedidos de fazer mudanças permanentes aos seus corpos;
  • Tratamentos médicos relacionados à transição são bem testados e com segurança comprovado;
  • Crianças, jovens e adultos sempre entendem completamente porque se sentem disfóricos;
  • Médicos e empresas farmacêuticas jamais fariam experimentos em crianças ou colocar o lucro acima dos melhores interesses dos pacientes;
  • Pesquisas comprovam que a transição previne o suicídio.

Nada disso é verdadeiro.

Um amigo me falou recentemente que nada tenho a ganhar ao resistir o desejo da minha filha pela transição. Discordo fortemente. Se a resistência significa que a minha filha posterga os tratamentos médicos até que ela possa pesar os riscos em relação aos benefícios com mais maturidade, tenho muito a ganhar. Se eu posso ganhar mais tempo para ela discernir se a disforia dela realmente significa que ela é transgênera ou se há outra coisa que precipita seu desconforto, tenho muito a ganhar.

Sinto uma verdadeira raiva dos terapeutas e médicos que são cúmplices na busca de transições médicas para crianças, adolescentes e jovens adultos. Vocês juraram que não causariam dano ou mal a ninguém. Vocês deveriam estar com vergonha!

Se alguém que trabalha na indústria de seguros de negligência estiver lendo essa história, tenho uma pergunta final especificamente para você. É sensato cobrir os terapeutas e médicos envolvidos na transição de crianças e jovens? Quando forem processados, espero que os seus acordos judiciais sejam de tirar o fôlego.


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