A mídia nos apresenta um movimento trans que parece ser ao mesmo tempo sobre direitos de pessoas oprimidas e um estilo de vida

Por Jennifer Bilek

Image for post
Image for post

É difícil imaginar um movimento pelos direitos civis tão incrivelmente ligado ao mercado capitalista, que pode ser usado para vender roupas, maquiagem, hormônios, cirurgias, serviços de beleza, filmes, séries de TV, tratamento para doenças mentais e lingerie, ao mesmo tempo que é financiado por bilionários filantrópicos, pela indústria da tecnologia e farmacêutica, grandes corporações e bancos.

Imagine propagandear uma dieta sufragista de jejum, ou uma maquiagem tão perfeita que consegue cobrir hematomas da brutalidade policial? Imagine o Google e a Wells Fargo investindo milhões de dólares para eliminar os complexos prisionais?

Transgeneridade, um movimento auto-intitulado de direitos civis, agora intersecciona todos os aspectos ao mercado global. É difícil de lembrar que “transgeneridade” surgiu do complexo médico industrial, como um termo para designar a forma mais intensa de disforia corporal. Crianças estão recebendo prescrição para bloqueadores de puberdade e hormônios do sexo oposto, sendo esterilizadas, e se desenvolvendo como pacientes e consumidores eternos em mais de 50 clinicas de gênero nos EUA que não existiam há dez anos atrás. Isso tudo por conta das ideias de transgeneridade, em que pessoas que lutam para viver suas vidas livre de discriminação são transformadas em heróis e celebridades por se sentirem alienadas de sua própria biologia.

O que devemos fazer com esse furacão cultural que posicionou a transgeneridade como um movimento de justiça social, uma condição médica com laços tão fortes com Hollywood quanto com o complexo médico industrial, e em nossa estrutura política, trazendo sua ideologia para todas nossas instituições? A mídia continua nos apresentando a narrativa de que de um lado, a transgeneridade é um movimento de direitos civis para pessoas oprimidas e, por outro lado, é um estilo de vida em voga no momento.

Celebridades Trans, Moda e Mercados

O transativismo se parece cada vez mais com Transativismo™ quando observamos os mercados se abrindo e sua presença insidiosa em Hollywood. Whoopi Goldberg começou sua própria companhia de modelos trans pela rede Oxygen de Oprah, exaltando modelos trans como o futuro da modelagem. Supernatural Extraterrestrial and Co, uma linha de roupas de alta costura, promove sua vontade de abraçar o futuro da gestação masculina. Uma olhada em sua nova coleção para 2019 podemos ver homens marchando pelas passarelas com próteses de gravidez.

Celebridades trans estão constantemente na mídia, sendo celebradas como se disforia corporal fosse uma medalha de honra. A revista Cosmopolitan mostrou um guia para amarração de seios para garotas jovens em 2016. Consultorias de serviços cosméticos são um serviço em ascensão, que oferece ajuda à “mulheres trans”. A Crayola criou uma maquiagem “gênero fluido”, e a Jecca começou uma linha apenas para pessoas trans.

Artistas estão fotografando crianças “trans”, e quase toda nova série de TV faz pelo menos uma menção à transgeneridade. Jazz Jennings, um jovem adolescente que recentemente removeu seu pênis cirurgicamente, se identifica como mulher transgênero e já esteve em diversos talk-shows famosos desde que sua família decidiu que ele era transgênero, aos quatro anos de idade.

Jennings tem seu próprio reality show, que faz a cronologia de sua transição e como esse processo o afeta e afeta sua família. Ele também possui sua própria fundação trans e já recebeu diversos prêmios e menções. Um livro de histórias infantis sobre sua vida, que normaliza para crianças pequenas a ideia de que eles podem se tornar do sexo oposto, já foi adotado como parte do currículo de algumas escolas.

TomBoyX é uma empresa de roupas íntimas femininas. Ela usa o termo “tomboy” para denotar uma garota que gosta de atividades estereotipicamente relacionadas a garotos, como correr e escalar árvores, para vender roupas de baixo confortáveis para meninas. A mensagem da empresa é de empoderamento, em não se cercar o tempo todo de adornos femininos, mas ser capaz de correr e ser livre “como um garoto”, usando roupas confortáveis mas feitas para medidas femininas. Em um anúncio recente eles escolheram uma jovem garota com cicatrizes de dupla mastectomia usando os shorts boxers sob o slogan que diz: “Essa tela foi dada a você, mas você tornou ela sua. Você criou sua própria história. Compartilhe-a com o mundo. #moretome.”

Essa mensagem é uma clara glorificação da escolha por modificação corporal como um ato de auto-confiança e libertação, a doença como saúde, o auto-ódio transformado em empoderamento, e o fato de se cortar e mutilar o corpo feminino para o consumo público via uber-mercados. George Orwell deve estar rolando em seu túmulo com a linguagem do duplipensar sendo usada como propaganda em horário nobre.

Um movimento de direitos civis ou uma campanha de marketing?

Não são apenas os gigantes farmacêuticos, a indústria de tecnologia, as marcas de roupas, Hollywood e os artistas que estão apoiando tudo que seja trans. Bancos e casas de investimento estão enviando milhões de dólares para organizações trans ao redor do globo.

Homens nos mais altos escalões da sociedade — como o bilionário filantropo Jennifer Pritzker e o criador do SiriusXM Satellite Radio, Martine Rothblatt — estão clamando não apenas uma identidade trans, mas para Rothblatt, transhumanismo também. Rothblatt acredita que “transgeneridade é a rampa para o transhumanismo,” o precursor dos superhumanos.

Se olhamos com atenção em como a transgeneridade se apresenta no mercado, o movimento se parece bastante com uma campanha para transformar a biologia humana em indivíduos melhores, “libertários”, “auto-criados”, ao mesmo tempo que é ligada ao complexo industrial médico. O livro de Rothblatt, “De Transgênero à Transhumano,” é um diagrama do projeto trans moderno para se infiltrar em todo setor de nossas sociedades. Se isso soa absurdo, cientistas já estão considerando as mudanças na nossa biologia como uma forma de lidar com as mudanças climáticas.

Isso tudo acontece em um tempo na história em que a proliferação de robôs e inteligência artificial está crescendo no mercado com o lançamento robôs sexuais com figura feminina, que são assustadoramente próximos à textura e aparência de humanos reais, que agem como prostitutas disponíveis em bordéis, e para alguns homens, como relacionamentos sérios. Babás robôs, que supostamente oferecem apoio e amizade para crianças enquanto seus pais estão fora, estão sendo anunciadas pela Mattel e outras corporações como “o futuro do cuidado com as crianças.”

A Goldsmiths University no Reino Unido, em sua conferência anual, Amor e Sexo com Robôs, apresenta seminários sobre robôs humanóides e personalidade e emoções robóticas, em um raio de análises que vai desde a psicologia à sociologia e filosofia. Especialistas em robótica prevêem que nós estaremos nos casando com robôs até 2050. Uma breve pesquisada no YouTube sobre “robôs e humanos” abre uma gama com cerca de 5 milhões de vídeos.

Então, enquanto a transgeneridade nos retira de nossa própria biologia, nós gastamos mais e mais tempo online e conectados à tecnologia do que com a maioria das pessoas que conhecemos. Para muitos, a sexualidade está se tornando cada vez mais desatada de uma verdadeira intimidade por conta da cultura do ficar, a pornografia, e agora com o advento das bonecas sexuais robóticas. Nós também estamos nos acostumando com a ideia de grandes relacionamentos com robôs, redes de segurança e inteligência artificial.

Rothblatt se juntou à Whoopi no “The View” em 2016 para discutir o transhumanismo e exibir um robô feito sob às medidas de sua esposa, Bina. Bina, ele insiste, pode viver indeterminadamente quando ele descobrir como baixar sua personalidade no cyberespaço.

Ainda que o movimento trans esteja posicionado sob o guarda-chuva do ativismo LGB, ele aparenta ter uma relação bem mais próxima com o comércio e os grandes donos do poder que têm uma inclinação para a megalomania tecnológica. Existem bastante dinheiro circulando entre organizações trans, mas mais dinheiro ainda vai para o projeto de normalização da ideologia transgênero na cultura, linguagem, pela mídia, propaganda, marketing, comércio e por meio do financiamento de bilionários filantropos à ONGs e outras instituições.

É de se pensar se o slogan do movimento de direitos civis LGB não foi apenas estrategicamente posicionado para que o movimento trans pudesse se afirmar como de direitos civis, pegando carona nas simpatias populares que a comunidade LGB trabalhou para cultivar, como um pretexto para se inserir no mercado global, nas escolas, universidades, tribunais e estabelecimentos médicos para propósitos mais nefastos.

Alguém sabe quais são os objetivos do lobby trans?

Independente de como a transgeneridade é apresentada, seja como uma forma intensa de disforia corporal, fetiche sexual, contaminação social, um movimento de direitos civis ou padrões culturais de gênero aceitos pela esquerda progressista enquanto ao mesmo tempo cristalizam os estereótipos de gênero, sendo hipercapitalista e censório, enquanto projeto, ele parece está disposto a normalizar a mudança na biologia humana por meio de medicamentos e cirurgia.

Longe de ser um movimento de base na luta contra a opressão, ele foi criado em meio aos mais altos escalões da sociedade e pretende ofuscar linguisticamente seus objetivos de criar uma abstração além da realidade biológica. A transgeneridade busca dissociar as pessoas de seus corpos, e rotula isso de auto-realização. O lobby trans está lutando bravamente para mudar a classificação de sexo nas certidões de nascimento. Apenas alguns estados não permitem que pessoas mudem seu sexo em suas certidões.

Nós precisamos olhar para o que o transativismo faz, como ele funciona, como esta ideia está crescendo em nossa cultura, e nos perguntar porque ele age como age, o que ele demanda de nós, por que ele está tão intimamente ligado ao comércio e para onde isso nos leva. O lobby trans grita sobre direitos civis, mas a transgeneridade se parece e funciona da mesma forma que o pior do capitalismo..

Jennifer Bilek é artista, ativista ambiental, escritora e cidadã engajada.

Aplauda! Clique em quantos aplausos (de 1 a 50) você acha que ele merece e deixe seu comentário!

Quer mais? Segue a gente: Medium | Facebook | Twitter | Instagram

QG Feminista

Feminismo em Revista

Sign up for QG Feminista

By QG Feminista

Feminismo em Revista Take a look

By signing up, you will create a Medium account if you don’t already have one. Review our Privacy Policy for more information about our privacy practices.

Check your inbox
Medium sent you an email at to complete your subscription.

Medium is an open platform where 170 million readers come to find insightful and dynamic thinking. Here, expert and undiscovered voices alike dive into the heart of any topic and bring new ideas to the surface. Learn more

Follow the writers, publications, and topics that matter to you, and you’ll see them on your homepage and in your inbox. Explore

If you have a story to tell, knowledge to share, or a perspective to offer — welcome home. It’s easy and free to post your thinking on any topic. Write on Medium

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store