Desculpa, mas eu descobri que eu não dou em nada

Eu tenho medo de você chegar demais. Ficar demais. Lembrar o meu sobrenome. Me enviar mensagem todo o dia. Mandar fotos dos seus gatos. Sentar na minha cama como se fosse sua. Me abraçar como se eu fosse seu. Eu não quero te dar a minha intimidade.

Acho que esperei por isso há algum tempo. Agora não sei lidar com sua presença. Com alguém me querendo mais do que eu me quero. Falando coisas que me fazem bem e me deixam dançando como um bobo. Será que eu sou louco por não te querer assim?

Era para ser apenas um cinema. Uma noite. Uma tarde de sol. Não era para estarmos aqui tendo uma DR sobre a minha frieza. Sobre o quanto eu pareço distante e o quanto eu não me abro com você. Desculpa, mas eu quero dormir sozinho hoje.

Eu não quero alguém olhando minhas fragilidades. Trocando meu conceito de ser único. Falando coisas que me interessam e que podem me fazer bem. Eu sou estranho. Eu confesso, eu sou ansioso demais. Ansioso para saber no que isso vai dar. Eu sei, eu sinto, eu não dou em nada. Você não está vendo? Sou apenas uma casa fechada.

Estou pronto para me reinaugurar. Decorado para ser aconchego. Mas não é assim, do dia para a noite. Não vou querer te fazer esperar por mim. Seria muito egoísta da minha parte. Existe muita casa aberta por aí. Muita gente merecendo você mais do que eu. Muito peito oferecendo conforto. Existe, nos outros, intimidade. Em mim, amor com prazo de validade… de algumas horas.

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