Ninguém me satisfaz

Ninguém me satisfaz

Nunca fui exigente para ter relacionamentos. Se a pessoa gostava de mim, eu achava que “ok” ter um namoro. Eu, a minha vontade, não era algo que eu ouvia muito. Eu só precisava perceber que o outro estava afim. E eu ia de cabeça, naquilo que eu não esperava para mim. Ou não queria naquele momento. Ou não era a pessoa certa. Hoje, tenho tanto critério que ninguém me satisfaz.

Em primeiro lugar, eu aprendi a me amar. Eu sei o tipo de amor que eu quero ter. Sei o tipo de pessoa com quem eu quero ter esse amor. Sei até qual será a primeira coisa que ele vai falar quando acordar. Sinto a forma como ele vai amarrar o meu cabelo, e me abraçar em dias frios. Eu sinto o gosto do café dele, mesmo sem ser fã de café, o dele, eu vou tomar. Ele está ali, desenhado na minha cabeça. O problema é que acho que ele vai cair do céu, assim, pronto, na porta da minha casa em um fim de segunda-feira.

Estou solteiro por opção. Afirmei isso nesses últimos meses. A verdade, que eu só encontrei esses dias conversando com uma amiga foi: ninguém me satisfaz. Não, o problema não é das pessoas, o problema está em mim (que frase bem clichê, mas verdadeira). Eu fiquei muito tempo insatisfeito em relacionamentos passados, e agora, quero encontrar o fucking príncipe encantado. Que não existe, obviamente.

É louco! Eu não quero mais gastar meu tempo com alguém que não vale a pena. Acho que ando valorizando demais o meu tempo. Logo, o que faço com ele. Não quero ter encontros casuais que não levam a nada. Na verdade, não quero me sentir dispensável. Não quero esse tipo de amor pré-pronto que anda por aí, onde sou mais uma foto no aplicativo de pegação, com mais uma lista de papos que só foram até “você é de onde?”.

Tomei consciência disso. Pauta para minha terapia, pensei. Pensei também que essa insatisfação estava me fechando. Não deixando alguém que tem bons sentimentos entrar. Alguém que poderia ter um ótimo abraço, um excelente beijo e um sexo que me deixasse sem fôlego. Essa pessoa está passando por mim, muitas vezes, quem sabe, e eu, estou adiando o encontro, deixando sem resposta, fazendo ela pensar que sou um péssimo partido. E não, eu sou legal, eu quero deixar essa pessoa me conhecer. Assim mesmo, na vida real, sem filtros.

Eu não preciso cobrar tanto por essa busca. Ela, a busca, não precisa existir. Eu, o chato, só preciso deixar fluir. Ele, o amor, pode estar apertando a campainha, e eu, só preciso tirar o fone de ouvido e ouvir.