O que aprendi quando deixei de amar a sua sombra

O que aprendi quando deixei de amar a sua sombra

Ele chegou em silêncio, e assim, foi embora. Deixou um coração apaixonado, algumas noites menos frias, um jantar ou outro, a lembrança de um momento inesquecível. Não ficou rastro. Não ficou cheiro, nem um casaco esquecido no meu sofá. O que ficou, foi a sombra que eu aprendi a amar.

Ficou aquela conversa inacabada no WhatsApp, a última resposta foi minha. Ficou aquele convite de almoço que poderia ter sido, mas não foi. Ficou aquele sonho de ser a realidade na vida do outro. Ficou tanto dele em mim, que não sei se deixo ficar.

Não sei onde foi. Não ligou mais, não mandou mensagens, não curtiu mais minhas fotos no Instagram, no Facebook, nem visualizou meu Snapchat. Não mandou mensagens de fumaça. Não quer ser encontrado. Acho que ele se tornou uma lembrança.

A ausência do que não tive, não dói. A presença do que poderíamos ter sido me incomoda. Mas por mim, não me importo mais. Não adianta voltar agora. Ligar na sexta-feira querendo me prender no fim de semana. Procurar quando é conveniente. Me alocar como um compromisso na sua agenda apertada. Me classificar para os seus amigos como um “esquema”.

Amar a sua sombra, no final das contas, é melhor. É melhor porque está em mim, não é você, fisicamente. Eu crio você na minha mente como eu gostaria que fosse. Alimento isso por um tempo, depois deixo de lado, assim como você faz. Nossa diferença é que eu aviso quando vou embora, você não.

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