Relembrando: O fim do News of the World

Uma história de abuso de poder no Reino Unido

Já fazem mais de 3 anos que um dos maiores jornais do mundo, com 168 anos de vida fechou as portas devido a um escândalo de grampos e escutas telefônicas ilegais que alcançou celebridades, figuras publicas e até a família real britânica.

O News of The World é um dos diversos jornais/tabloide do conglomerado do magnata da mídia Rupert Murdoch, de nome News Corporation (News Corp). Essa história de abuso de poder começou devido a persistência e profissionalismo de um jornalista do The Guardian, o britânico Nick Davies.

Nick Davies, jornalista do The Guardian

Durante a participação em um programa de rádio, no qual o jornalista comentaria sobre crimes no meio jornalístico, Nick foi desmentido ao vivo pelo chefe de redação do News Of The World, Stuart Kuttner (o outro convidado) que chegou a dizer que o jornal para o qual trabalhava era, digamos, totalmente honesto. Após o programa, uma fonte desconhecida entrou em contato com Nick dizendo que Stuart estava sendo um hipócrita e que ele(fonte anônima) tinha provas de que o jornal recorria constantemente a detetives particulares para a obtenção de escutas e grampos ilegais, sendo esse o ponto de partida do escândalo.

Durante as investigações, foi constatado que o problema não era apenas com um único jornalista(Clive Goodman) que tinha contratado um detetive particular(Glen Mulcaire) para fazer escutas e grampos ilegais dentro de um jornal isento e imparcial, mas também tanto a policia (Scotland Yard) como o próprio governo estavam em conluio com o caso, ambos fazendo vista grossa por medo de mexer com Murdoch e seus jornais.

No livro “Hack Attack” (traduzido no Brasil como “ Vale-tudo da notícia”), o jornalista Nick Davies, em um trabalho magnifico conta e explica toda a história que levou ao fechamento do longevo tabloide.

Com o caminhar da investigações, figuras importantes caíram de suas posições privilegiadas como (o na época) recém contratado porta-voz do atual premiê britânico David Cameron, Andy Coulson e a editora-chefe do News of the World e CEO do News International (subsidiária da News Corp no Reino Unido), Rebekah Brooks. O escândalo levou ao fundo do poço também jornalistas e expôs provas de que milhares de pessoas foram vitimas das táticas sujas de jornalistas que usam da profissão para conseguirem cada vez mais poder e dinheiro, chegando ao ponto de invadir a caixa postal de pessoas assassinadas e/ou sequestradas, como no caso do desaparecimento de Madeleine Mccann, sem respostas claras até os dias de hoje.

O magnata Rupert Murdoch e seu filho(um mini magnata), James Murdoch não sofreram muitos problemas com o escândalo, além da já comprovada prova pela população da sede pelo poder e dinheiro que ambos possuem. Pessoas ricas e poderosas como a família Murdoch jogam com peões e sempre se resguardam dos problemas em torno de seus impérios.

Enquanto as camadas mais humildes da sociedade votam em um primeiro-ministro, acreditando que pela democracia é ele quem vai governar, se enganam, pois quem realmente dá as cartas e governa é a News Corp, que por padrão sempre apoia o candidato que é eleito posteriormente nas eleições, tornando-o em uma espécie de refém do conglomerado que pode com um estalar de dedos, divulgar um escândalo sexual(e eles adoram isso) sobre qualquer pessoa seja ela importante ou não, acabando com a sua carreira e vida.

Pai e filho, os donos do império News Corp

Essa história serviu e ainda serve (por mais que mudanças profundas não tenham acontecido) para mostrar o quando o Reino Unido falhou em impor restrições ao livre-comércio, deixando que empresas sejam elas familiares ou não, crescessem mais que o próprio governo.

Um mercado com regulamentação consegue trazer frutos para todo mundo, mas quando esse mercado não é regulamentado, problemas como esse podem acontecer em qualquer lugar do mundo, dando a liberdade para monstros empresariais nascerem, que por sua vez minam a democracia e dão à elite o controle total das decisões em vastos e complexos países.

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