Uma oração para Alfredinho

Hoje cheguei à Firma e um cara que trabalha comigo que eu chamarei de Alfredo (not his real name) estava me esperando ao lado da minha mesa. Precisava da minha ajuda para resolver o problema de um Cliente, que estava pedindo uma alternativa para assumir conosco uma dívida de, digamos, R$100,00 (não era esse o valor, mas quero dar a ideia de que, em outras épocas, esse montante não seria um problema para uma Empresa Grande, categoria do Cliente).

Cliente queria o produto, mas só fecharia o contrato se pudéssemos diminuir o impacto dos R$100,00 através de alguma mágica financeira.

Conversamos. Listei para o Alfredo algumas alternativas. Sou boa no que eu faço. Alfredo já estava se afastando quando eu resolvi fazer uma piadinha.

“Se tá ruim pra gente, imagina pro Cliente, empresa grande, chorando pra pagar R$100,00.” — sorri.

(em minha defesa, a empresa realmente é grande, assusta saber que estão aí no mundo chorando miséria tipo eu)

Volta Alfredo. Sorrisinho nos lábios. Não gosto do Alfredo nem um tanto, ele é a típica Espécie Corporativa que imagina ser a única engrenagem que trabalha de verdade em toda a empresa, em todas as empresas, em todo o mundo na verdade, se não fosse por ele, nada existiria, nem o céu, nem o mar, nem o brilho das estrelas. Vocês sabem o tipo? Ele gosta de insinuar que ganha mais que todo mundo no prédio, mas também gosta de deixar claro que não ganha o suficiente.

Costumo descrever Alfredo com três simples palavras: trepa de meia.

Ele colocou as mãos nos bolsos, respirou fundo e esperou um segundo antes de começar a falar:

“Eu tava comentando agora mesmo, que situação, né, eles brigando pra gastar uma quantia menor do que eu gastei montando o quarto do meu filho que vai nascer. Que triste.”

Mantive o sorriso falso no rosto e fiz uma oração silenciosa aos Céus.

“Que Alfredinho puxe à mãe, com exceção no gosto para homens.”

Like what you read? Give Ju Greco a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.