REALIDADE ALTERNATIVA: COMO TERIA SIDO A VERDADEIRA TRAGÉDIA

[Publicado em 14/07/2014]

A pergunta que fica agora é “como erguer a cabeça e seguir em frente?” .

O trauma foi maior do que jamais poderia ser imaginado pelo mais pessimista dos torcedores. A queda vertiginosa a um degrau da glória.

Se o futebol seguisse a lógica cármica, poder-se-ia dizer que o ocorrido ontem foi castigo por termos passado pela Alemanha sem merecimento. Ainda assim, foi uma penalidade desproporcional. Aquela partida em que começamos perdendo de 2×0 antes dos trinta minutos e que no final teve seu desfecho dramático e, claro, heroico e também fortuito, teve seu mérito: conseguimos um empate milagroso no segundo tempo com os lances de bola parada de David Luiz e Oscar, levando a decisão para prorrogação e pênaltis, quando Júlio César repetiu, nesse mesmo Mineirão, as defesas salvadoras. A Alemanha merecia o título, disso todos sabiam, mas será que a audácia de eliminar na semi-final a melhor seleção da competição, aquela que fez um planejamento de longo prazo e esteve “em casa” em Santa Cruz Cabrália, cobraria um preço tão alto? Afinal, a frustração de serem eliminados na semifinal foi em parte compensada pelo terceiro lugar conseguido sobre a também eficiente Holanda no sábado, em Brasília, numa linda festa em que o escrete germânico foi ovacionado com entusiasmo pelos brasileiros ali presentes.

Independente de merecimento, aconteceu. Aconteceu o que todo e qualquer brasileiro, mesmo os mais alheios, temia: Maracanazo diante de uma camisa de cor celeste, reeditado e ampliado. Com o requinte adicional da humilhação. Os três gols de Higuaín, Mascherano e Lavezzi que se seguiram à magistral cobrança de falta de Messi (quatro gols em seis minutos, um feito inédito) foram apenas os tiros de misericórdia na psicologicamente combalida Seleção brasileira. A maneira com que o genial Messi-as olhou para a bola, depois para a meta, não deixava dúvida que seu destino estava selado e ele entraria para a história como o novo Ghiggia, virando o jogo. Assim como Oscar, que abriu o marcador no início do segundo tempo, estava marcado para ser o novo Friaça — que teve a glória de fazer um gol brasileiro em final de Copa em casa, para logo em seguida ver a decepção da derrota.

A ironia do destino foi ver os três primeiros gols da partida ocorrerem nos mesmos 47, 66 (nesta edição do século XXI, Biglia, de cabeça) e 79 minutos daquele fatídico dezesseis de julho de 1950. O ineditismo ficou por conta do baile que ocorreu a seguir, fechando a goleada histórica de 5×1, e da ausência do silêncio de outrora, pois os gritos de “olé” dos torcedores argentinos nos minutos finais, e os nossos jogadores feito baratas tontas, feito meninos apavorados, foram o requinte de crueldade que jamais esqueceremos. Nem eles. Nem ninguém.

A glória é toda deles. A dor é só nossa. E sempre será.

[Moral da história: o desfecho da Copa para a Seleção brasileira poderia ter sido muito, muito pior.]

Comentários

Comentários


Originally published at quatrotrestres.com.br.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.