Crítica: Os 8 odiados

Nota: 4/5

Muito tempo que não escrevo uma crítica, então me perdoem qualquer coisa, ando enferrujada. Feito o devido esclarecimento, vamos ao oitavo filme de Quentin Tarantino: Os 8 odiados.

Um faroeste com suspense e, claro, boas cenas de sangue e miolos voando pelos ares, o filme mostra o encontro entre dois famosos caçadores de recompensa, uma assassina, um possível novo xerife, um general da Confederação e mais alguns viajantes que estão se protegendo de uma grande nevasca em uma estalagem.

O início do filme precisa da sua paciência e fé de que as coisas vão ter um sentido e um final incrível. Digo isso, pois até o meio da história, pouca coisa acontece e vi algumas pessoas até saindo da sala de cinema. Uma pena, pois o roteiro é mais uma obra maravilhosa de Tarantino e cada coisa que vai sendo apresentada tem um sentido de ser.

Dividido em capítulos, ficamos desde os primeiros momentos a par de que uma assassina de grande porte (ela vale 10 mil dólares, o que representa uma recompensa muito grande na época do filme, logo depois da Guerra da Secessão) está sendo levada pra Red Rock para ser enforcada.

Quando o primeiro diálogo surge, você já fica na expectativa de que algo vai acontecer para libertar a prisioneira. O filme segue, novos personagens são introduzidos e cada um com o seu mistério. Ficamos nesse jogo de suspense sobre o que aqueles 8 odiados estão tramando: estão todo juntos? Estão ali apenas de passagem? Quem está tramando algo? Você, espectador, tem que ir juntando as peças, uma a uma e tentar descobrir esse mistério.

A fotografia é muito boa, os movimentos de câmera conseguem dar esse tom de suspense e destaco a cena de abertura do filme. Eu adoro ver os créditos em uma cena inicial e Tarantino sempre gosta de fazer isso. [PODE SER CONSIDERADO UM PEQUENO SPOILER] Mas fique esperto que essa primeira cena que, no primeiro momento, parece apenas servir apenas para os créditos, terá um sentido lá no finalzinho do filme. [FIM DO PEQUENO SPOILER]

Ainda sobre esse aspecto, uma curiosidade: o diretor americano foi o primeiro a voltar a usar as lentes Ultra Panavision 70, muito utilizada no cinema da década de 1960. Seria o retorno da película ao cinema contemporâneo? Quem tiver vontade de entender mais sobre como ele fez uso dessa tecnologia é só clicar aqui.

Pela primeira vez, um filme de Tarantino tem uma trilha sonora totalmente original. Nesta obra, ela é um elemento essencial, especialmente na primeira parte em que as coisas andam um pouco mais lentamente. Cada nota parece ser perfeitamente encaixada por Ennio Morricone, compositor italiano de trilhas para filmes como “Era uma vez no oeste”.

Criar um estilo cinematográfico não é para todo mundo e Quentin Tarantino é do time que sabe dar a sua assinatura a cada um de seus filmes. Assistir à sua última obra, Os 8 odiados, pode até ser um teste de paciência para alguns, mas para mim foi a apreciação de um suspense de faroeste que não teria como ser feito por outro diretor, me lembrando em muitos momentos o seu melhor filme: Cães de aluguel.

Assista e tenha uma ótima experiência cinematográfica.

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