Mudança e Liberdade (em tempos de Trump)

Como se ser ou não ser fosse a questão — #QueridoDiário #20170124

Querido Diário,

Faz alguns dias que não escrevo. E escreveria mais se não estivesse vivendo e refletindo. No final de semana, fomos trabalhar em Gravataí, e sempre que a gente vai para perto da família, começam as reflexões.

Refletir é sempre bom, mas é preciso partir para ação também. Sempre aprendi a agir, com meus pais, não ficar congelado diante das situações. E acredito que meus irmãos também. No sexta à tarde, conversei muito com a Tita, minha irmã. Falávamos da vida, de problemas e soluções, e principalmente que não precisamos e não devemos reclamar, independente da situação. E conversávamos também, sobre as pessoas que “querem”, mas não são capazes ou não sabem como.

Não saber como, tudo bem, o problema é não querer saber como e só se preocupar com o resultado. É como quando você compra um microondas e coloca algo para esquentar, você põe a comida, programa os minutos, e espera. Você não quer saber como as ondas vão agir sobre o alimento, nem como a eletricidade vem da rede e faz tudo funcionar. Você só quer a comida quente depois de dois ou três minutos.

E muitas pessoas querem soluções de microondas para tudo. Da pipoca às mudanças na vida. E fico pensando que a reação delas às muitas mudanças que ocorrem no mundo, refletem um pouco esse sentimento. Temos pressa. Apertamos o botão do elevador mais de uma vez para chegarmos mais rápido. Tudo porque saímos da situação de maior liberdade de pensamento e expressão para situações de maior trabalho e menor expressão.

Meu pai há algum tempo fez um texto que ele chamou de “liberdade pra quê”. Um texto com uma reflexão da atual situação do país. No domingo, o Fred, meu sobrinho, caminhava pela cozinha da minha irmã, e todos ao redor faziam as suas vontades. Me dei conta de que somos completamente livres e vamos criando necessidades que nos aprisionam, fazendo concessões e contratos que talvez não queiramos pagar o preço. O Fred é completamente livre por enquanto, ele escolhe como vai agir sobre o mundo, pois ninguém vai deixar de amá-lo e ele não quer passar por cima de ninguém, só quer estar confortável.

O que dificulta a vida, é que a gente não sabe que essa situação não vai durar para sempre. Meu eu futuro deve estar pensando agora “que óbvio”, você não vai se manter criança para sempre, e talvez até fazendo um paralelo com as crianças que não tem esse tipo de amparo. Ok! Deixe-o pensar.

Na segunda, a repercussão do discurso do Trump foi meio parecida com as reflexões do final de semana. Não concordo ou discordo com seu programa de governo, precisaria de muito mais pesquisa para entender, mas a quantidade de pessoas que eu vi pegando trechos aleatórios do discurso, gerando pânico na rede, simplesmente pela potencialidade de a maior potência do mundo estar preocupada apenas com o seu próprio conforto. Claro que assusta, “como vou fugir do Brasil se lá está assim?” Se eu ouvisse alguém do executivo com o discurso completo (parecido) aqui no Brasil, eu teria um pouco mais de esperança. Problemas à parte, muita gente se foca nos pedaços errados e problemas errados.

O errado está nessa pressa de mudar tudo de ontem pra hoje, de querer o elevador em 2 segundos, e a comida preparada em dois minutos. As melhores coisas da vida são construídas ao longo do tempo. Você não fica pronto e deu, você vai se aprontando.

Para estar pronto é preciso estar se preparando, não esperando!

Fiz a postagem dessa frase aí, na semana passada no Facebook. E ela continua valendo. Vejo pessoas esperando a hora certa, o momento certo e principalmente alguma oportunidade. E no meio tempo, enquanto espera, leva a vida na expectativa. Isso que faz com que, aqui no meio do nada, o cara ligue a TV, e fique indignado com o Presidente dos EUA. E para manter seu ideal de potencialidades em aberto grita aos quatro ventos que o mundo vai retroceder. Eu te digo: “O MUNDO VAI RETROCEDER SE VOCÊ RETROCEDER. O QUE VOCÊ FEZ DE BOM ESSA SEMANA ALÉM DE FALAR OU ESCREVER?”

Chegou a hora da gente entender que não é mais uma questão de ser ou não ser. É preciso ser, e ponto final. É preciso ser maduro e entender que tudo leva tempo, se responsabilizar e saber que há um preço a pagar por cada escolha.. E a pergunta principal é: ONDE VOCÊ VAI ESTAR NO FINAL DESSA SEMANA? QUEM VOCÊ SERÁ? O QUE VOCÊ FARÁ?

Penso nisso! Reflito sobre isso! Espero responder em breve…

Dehdo