Capitalismo e automação: algumas hipóteses inquietadoras

Questione Tudo
Jul 24, 2017 · 2 min read

“Reparem que isso é tão grotesco como duas crianças ricas atirando comidas finas umas nas outras, por brincadeira, enquanto ali fora incontáveis passam fome.Que poderia ser uma parábola para o estado que que humanidade se encontra.”

A ideia seria que, com o nível crescente de desigualdade (acentuação do poder de uma classe sobre o controle da atividade humana) uma parte crescente da atividade desta última se focou na produção, não de produtos em massa, mas personalizados, minuciosamente, “de ponta”, e até absolutamente extravagantes como as pirâmides egípcias, sem critérios em termos de eficiência utilitária.
No caso, como se no lugar de se produzir comida barata que alimentariam cem pessoas (e tecnologias que barateassem o processo), ela é aplicada em, digamos, tecnologias de altíssimo custo (sem expectativa de massificação) como viagens espaciais e “imortalidade”, para não falar da parafernália de brinquedinhos que vemos em shoppings de luxo
São atividades, por sua vez, ainda não satisfatoriamente automatizadas (precisamente pelo seu caráter específico, personalizado), e que, por isso, ainda absorveria uma quantidade significativa de mão de obra (extremamente precarizada)
Simplesmente porque, sendo “valor de troca”, “propriedade privada”, seus donos não precisam fazer com que as novas tecnologias, meios de produção, sejam aplicados para atender o bem comum.Essa é a própria definição, aliás, de propriedade privada:algo que eu “possuo” a modificando livremente, ou “alugando” esse uso.
Consequentemente, no lugar de usado em seu pleno potencial, caso fosse um bem público, livremente acessível, o potencial da automatização é mantido, artificialmente, escasso.Servindo então de “moeda de troca” (comida para o trabalhador em troca de entretenimento) para satisfazer os luxos, caprichos e delírios da classe capitalista, para os quais a automatização presente (de produtos em massa), não é o suficiente.
Por exemplo: do ponto de vista da classe explorada, empregada num emprego alienante ou sem nem um emprego, faria mais sentido dispor esses recursos de forma a obterem o básico para subsistirem, com mínimas jornadas de trabalho.E imenso tempo livre para criar coisas novas.
Mas como “o consumidor é o rei”, como diria Hayek, tal uso da tecnologia existente é “inútil” em termos de que isso não provê o que elas querem.Servem só como “troca” pela atividade dos demais que lhes propicie distração.
Os trabalhadores, sem meios próprios de subsistir, são condenados a servir de “ferramentas” para essa classe: e não executar atividades significativas para si mesmos.Cujo impacto, então, é que, fora o que obtém nessa “troca”, não podem usar, em todo seu potencial, as novas tecnologias e ferramentas existentes.
Estaríamos assim, presos numa RELAÇÃO SOCIAL artificial que nos impede de exercer nosso potencial ou de explorar de forma construtiva aquele existente pela tecnologia.

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