#QuiprocóRecomenda: 5 livros escritos por mulheres que eu sempre indico

Naluh
Naluh
Jun 29, 2019 · 5 min read

Sempre que vejo alguém pedindo recomendação de livro de ficção, eu costumo recomendar os mesmos livros. Não que eu ache que eles são universais, ou grandes clássicos da literatura que todo mundo devia ler. São simplesmente os livros que eu mais gosto de todos que já li com um bônus: são todos livros escritos por mulheres. Eu considero a literatura contemporânea jovem até razoavelmente equilibrada no sentido de que eu sempre vejo as pessoas recomendando livros de mulheres, mas raramente vejo recomendarem esses, o que pra mim é simplesmente um pecado.

Então, como boa embaixadora que sou da palavra de Sarah Waters e das obras da Cherie Priest e da Elizabeth Bear, não podia deixar de compilar essa lista curta e sucinta sobre 5 dos melhores livros que tenho pra recomendar. Não vai ser o último post de recomendações que eu vou fazer, com certeza.

Peço perdão desde já por essa lista ser voltada pra quem lê em inglês. Mas quem sabe uma editora não vê esse post e se inspira em trazer algumas dessas obras pro Brasil, né? Vai, editoras, nunca pedi nada pra vocês!

1. Fingersmith (Na ponta dos dedos) — Sarah Waters

Não existe jeito melhor de explicar Fingersmith do que dizer que é o livro dos plot twists. É um livro grande? É. Mas eu nunca fui tão surpreendida por uma história como eu fui com essa. Só vou dizer que é de época— não acho que seja preciso saber mais nada antes de começar a leitura. Sarah Waters tem vários outros livros, incluindo o famoso Tipping the Velvet (Toque de veludo), que eu também recomendo, mas Fingersmith é realmente uma jóia. Existe uma minissérie da BBC de mesmo nome que é a adaptação britânica da história, mas talvez você a conheça pela adaptação coreana, The Handmaiden (A Criada, 2016). Em todo caso, é um livro sobre lésbicas escrito por uma lésbica com uma escrita incrível. Não tem como eu recomendar mais. Como eu sempre digo: Sarah Waters é minha pastora e nada me faltará.


2. Karen Memory — Elizabeth Bear

Perdi a conta de quantas vezes recomendei esse livro. Certamente o meu favorito da vida num geral ao lado de Lexicon, do Max Barry. Karen Memory conta a história de Karen Memery (sim, com “e”), uma profissional do sexo em um cenário steampunk que acaba se interessando por uma garota que ela ajuda a salvar. Se essa sinopse não te interessa, olha, eu não posso fazer nada por você. O livro inclui ainda um personagem inspirado numa figura histórica, o Bass Reeves. Sério. Eu amo tanto esses personagens. Stone Mad é uma novella que dá sequência ao primeiro livro, só pra dar um gostinho de onde a protagonista foi parar. Adoro a Elizabeth Bear e ainda vou ler mais coisas dela. (Até agora só li Faster Gun, um conto que mistura faroeste com sci-fi. Quem nunca, né?)


3. A Mrs Hudson and Mary Watson Investigation — Michelle Birkby

Eu descobri essa série no meio da minha (curta) obsessão por Sherlock da BBC e olha, melhor coisa que aquela série me trouxe depois da trilha sonora. Michelle Birkby usa a história do Sherlock Holmes como plano de fundo pra mostrar como a Sra. Hudson, a senhoria/governanta (?) dele, acaba se envolvendo numa investigação por conta própria, contando com a ajuda da Mary Watson, a esposa do Watson. As duas pedem ajuda até da Irene Adler em certo momento, ou seja né — os melhores pontos de vista possíveis nesse universo. O segundo livro foi ainda melhor que o primeiro e recomendo muito pra quem curte a vibe Sherlock Holmes de investigação vitoriana.


4. The Borden Dispatches — Cherie Priest

Essa série é outra que tá entre minhas favoritas. O jeito mais fácil de explicar é: Lizzie Borden + terror lovecraftiano. Se você não conhece a história da Lizzie Borden, ela foi uma figura real do séc XIX acusada de matar os pais a machadadas. Ela foi julgada e absolvida do crime, mas lógico que virou uma história e tanto que é até hoje muito debatida — ninguém sabe se Lizzie matou ou não os pais. Pois bem. Nessa série, a autora explica o crime e acrescenta um quê de horror que eu acho uma delícia. Cherie Priest é uma autora INCRÍVEL que eu recomendo pra qualquer um — até porque ela tem livro steampunk, juvenil, de horror, etc. E eu amo a escrita dela acima de qualquer outra. Sem contar que ela gosta de usar acontecimentos reais no enredo dos livros dela, incorporando História na trama de um jeito que você nem percebe. Ah, e a Lizzie nessa série tem um relacionamento lésbico. Porque sim.


5. Huntress — Malinda Lo

Malinda Lo é conhecida entre as autoras gringas como uma grande defensora e promotora da literatura LGBTQ+. Ash é um reconto lésbico da Cinderela e provavelmente seu livro mais famoso, que tá sempre nessas listas gringas de “10 livros lésbicos que você precisa ler”. Pessoalmente, eu sempre indico Huntress. Eu li uns bons 5, 6 anos atrás então lembro pouca coisa, mas lembro de ser uma história simples, redondinha, de fantasia e com um romance lésbico bonitinho. Tudo que eu peço num livro, resumindo. Da mesma autora, Adaptation é uma duologia (+ uma novella) que envolve sci-fi e uma protagonista se descobrindo bi e poli. Recomendo muito, principalmente pra quem curte uma leitura mais YA/jovem.

Quiprocó

Discutindo TV, cinema e literatura entre amigas. Antes do fim do mundo, de preferência.

Naluh

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Naluh

Tradutora do par de línguas inglês/português. Escritora só em sonho.

Quiprocó

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