OPINIÃO SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA

Por mais pretensioso que possa parecer, meu texto (na primeira pessoa do singular) não tem outra intenção senão levantar algumas curiosidades que passam pela minha cabeça. Neste momento, ao invés de escrever, gostaria de estar assistindo televisão, navegando na internet ou lendo um livro. Entretanto, a resiliência — em aprimorar minha habilidade de comunicação escrita — faz com que eu enfrente minhas dificuldades, novamente, ao escrever este texto.

Minha opinião, sobre a escrita, seria muito diferente se a língua portuguesa não fosse tão complicada. Um exemplo: quando eu pensei em escrever “este texto” (acima, em negrito), na minha cabeça também surgiu a opção de escrever “esse texto”. Esse ou este, qual a forma correta ou mais apropriada? É uma dúvida simples, mas que me atormenta muito — quando somada as centenas de questionamentos que emergem quando estou escrevendo algo. Então, lá vou eu mais uma vez pesquisar a resposta certa.

Escolhi aplicar o “este” porque me parece que estou introduzindo o termo “texto”, o qual não havia sido mencionado antes. Mas, ao mesmo tempo em que escrevo, reflito sobre a inexistência de empecilhos gramaticais como esse na língua inglesa. E, não é raridade minha mente me direcionar a uma comparação entre as línguas português e inglês — como já foi abordado nesta postagem: http://bit.ly/2ncuG59.

Então, questiono, por que a língua portuguesa tem tantas regras? Mas, nessa pergunta, será que usei o “porquê” correto, e, será que o “tem” não possui acento? E, quanto ao “e” entre vírgulas recentemente empregado? Pensando em vírgulas, estou aplicando as mesmas corretamente ao longo desse texto? Assim, sou bombardeado com essa série de questionamentos sempre que tento escrever qualquer bobagem em português. E, tenho sorte por ainda não ter aparecido nenhuma crase até aqui — ou será que errei de novo?

Não é raro meu singelo intelecto me conduzir à conclusão de que a língua portuguesa é baseada em regras, e à inferência (inerente a complexidade da língua) de que construir ou interpretar conteúdos com base nessas regras torna tudo muito difícil. Desse modo, provavelmente, pareço divagar sobre minhas dificuldades com a língua portuguesa. No entanto, não seriam essas dificuldades comuns à maioria das pessoas?

Meu domínio medíocre dessa língua é resultado de mais de três décadas de comunicação — e o que mais fazemos na vida senão nos comunicarmos? Nesse período, tive o privilégio de passar pelas etapas acadêmicas de graduação e pós graduação (em engenharia). Mas, embora não tendo significativa predisposição às ciências humanas (tal como a maioria dos engenheiros), me questiono se (mesmo após tantos anos de estudo e relacionamento com a linguagem) ainda sou inapto a utilizar adequadamente o português.

Contudo, se eu me indago a respeito dessa possível inaptidão, como a maioria da população lida com a complexidade da língua portuguesa? A resposta não é difícil, nesse quesito não faltam exemplos (como pode-se observar no que é publicado diariamente na internet) — reforçando o meu argumento de que, mesmo transmitindo a mensagem de alguma maneira, o português seria muito mais funcional se fosse mais simples. Resumindo, não acho coerente que uma pessoa precise de mais de dez anos de estudos para dominar (de maneira medíocre) a língua portuguesa — a qual deveria ser mais simples.

É claro que pequenos erros são toleráveis. Porém, a situação se torna preocupante quando até mesmo as regras gramaticais mais básicas são (continuamente) objeto de estorvo e esquecimento. Habitualmente, não sendo um especialista na linguagem, pressuponho que — dado o montante de tópicos diariamente na minha cabeça (e no intelecto da maioria das pessoas) — seria desnecessário impor a necessidade de, constantemente, lembrarmos dessas regras.

Enquanto que o ambiente ideal (para a escrita, leitura e interpretação), provavelmente, estaria ambientado na inexistência da maioria das regras gramaticais (na língua portuguesa), me deparo com o texto a seguir (traduzido do inglês):

“Não contratarei pessoas que usam gramática pobre. Aqui está o porquê:
O domínio da gramática significa mais do que apenas a habilidade de uma pessoa em lembrar do Inglês do segundo grau. Eu descobri que as pessoas que cometem menos erros em um teste de gramática também cometem menos erros quando elas estão fazendo algo completamente diferente da escrita — como guardando coisas em prateleiras ou rotulando peças”. Fonte: http://bit.ly/1vmPxjS.

Vale ressaltar que o autor do artigo trabalha em uma empresa de documentação técnica, mas eu considero pertinente usar o seu argumento para promover uma necessidade coletiva. Então, considerando que esse argumento também é válido para a língua portuguesa, acredito que as afirmações desse texto estejam corretas. A capacidade de comunicação escrita de um profissional, provavelmente, será relacionada a sua competência por qualquer empregador (salvo se o funcionário não precise se comunicar no trabalho, o que é pouco provável).

Por outro lado, a necessidade de escrever bem não é nenhuma novidade — qualquer pessoa tem conhecimento disso. Mas, ao ler o que muitos sites nacionais (geralmente administrados por grandes jornais ou redes de televisão) de renome publicam, (na minha opinião) é comum que erros absurdos sejam encontrados; os quais, normalmente, não me fazem questionar apenas a competência do profissional responsável pelo texto, mas também a funcionalidade da língua portuguesa. Não deveria ser incomum identificarmos erros em trabalhos de profissionais que, além de terem estudado a vida toda para desempenhar a redação, têm seus trabalhos revisados por especialistas muito mais experientes?

Chegando ao final do texto, no qual tentei ser o mais honesto (sobre as minhas dificuldades, inclusive apontando em negrito o que me trouxe maior confusão) e despretensioso possível (pois não espero que alguém dê importância maior a isso do que uma simples redação de segundo grau receberia), encontro conforto ao cogitar que profissionais da escrita também enfrentam obstáculos na língua portuguesa — gostam dela porque têm vocação para isso, suponho. Eu, no entanto, apenas escrevo (ou tento, e me frustro) — enquanto encontro erros que não havia identificado antes, em cada vez que revisito meus antigos textos. Me pergunto se irei gastar toda a minha vida aprendendo português, e me desculpo pelos erros que não consegui identificar até aqui.