Sem Limites: quando a Vocação e a Ocupação se encontram

O que você faria se pudesse fazer, ser e ter o que quiser? Sem limitações e sem regras. Só você, sua imaginação e liberdade. O que você faria?

Só de ler essa pergunta nossa cabeça entra em pane com tanta liberdade e possibilidades, que acaba não chegando a lugar nenhum. É preciso tempo para processar e se perguntar — “é sério isso?!”. E cá estamos nós, de volta à realidade.
Agora faça essa pergunta a uma criança. Provavelmente ela iria rir e falar a primeira coisa que viesse a cabeça: “não iria pra escola”, “compraria muitos doces… Não… Eu teria uma piscina de doces!”, ou coisas do tipo.

Não temos tempo para pensar nessas besteiras, temos que trabalhar sem parar para desfrutar do grande prazer da aposentadoria. Só então, poderemos nos divertir e fazer o que quisermos. Ser adulto é ter responsabilidades, não é mesmo? — Já dizia o Tio Ben.

“Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”

Por que pensamos que se tirarmos toda essa coisa chata de trabalho logo da frente, poderemos enfim curtir a vida? Por que esse lema de “vou me matar agora, pra descansar depois” é tão enraizado?

Ouço frequentemente sonhos de amigos e colegas. “Tenho vontade de abrir um canal no youtube”, “Queria montar uma página”, “Já pensei em escrever um livro” e diversos outros sonhos que geralmente vem seguido da frase: mas não tenho tempo.
Os “sonhadores” estão divididos — desproporcionalmente — em dois universos: ocupacional e vocacional.

“O trabalho que fiz, fiz porque era brincadeira… Os sujeitos que gemem e suam debaixo do peso da labuta que carregam nunca poderão almejar fazer algo grandioso… O produto da escravidão, intelectual ou física, nunca poderá ser grande.”
— Mark Twain

Muitos já se imaginaram trabalhando num lugar perfeito, e pensamos que todos os problemas por não conseguir realizar algo iriam se resolver.
Apoio muito quem busca um trabalho realizador, mas acontece que geralmente é colocada uma expectativa inatingível, e ao sair de seu emprego, em poucos meses a pessoa retorna ao mesmo nível de insatisfação.
Isso sem contar com a realidade em que vivemos no Brasil, onde se está difícil (lê-se impossível) arranjar emprego e muitos aturam trabalhos sobre-humanos.

É aí que está o problema: não entendemos a diferença entre nossa ocupação e nossa vocação. Pensamos muito no que queremos fazer, enquanto deveríamos pensar em quem somos e como trazer paixão no que fazemos.

“Mas qual a grande diferença entre eles afinal?!”

  • Ocupação: é o que respondemos quando alguém pergunta “o que você faz?”. É o que paga nossas contas, ou seja, nosso trabalho;
  • Vocação: é algo próprio, ligado e inerente a nós. Uma aptidão natural, é o combustível da nossa paixão, dos nossos sonhos e que nos faz ir em frente.

Contextualizando, seria algo como: um gerente cria estratégias, recursos e cuida de sua equipe (ocupação). O que o move é ver o potencial das pessoas sempre em desenvolvimento (vocação).

“Onde as necessidades do mundo e seus talentos se cruzam, aí está sua vocação.”
— Aristóteles

O mundo vive nos dando dicas sobre nossa vocação, naqueles detalhes que não notamos. Basta prestar atenção. Assim que você perceber a sua vocação — sim, perceber, porque ela sempre esteve aí — descobrir como inserir essa paixão no que você faz… Você fará a diferença, pois todos tem algo único para oferecer para o mundo.