Análise Completa: Umi Z

Uma semana depois da chegada do Umi Z, acho que já posso falar com mais propriedade sobre este aparelho chinês gentilmente cedido pela Gearbest para que eu pudesse analisar.
Antes de começar, quero salientar que não sou jornalista nem qualquer outro tipo de profissional da área de tecnologia, então o que vocês verão aqui é a opinião de um ENTUSIASTA de tecnologia. Fiz várias pesquisas pra deixar este texto o mais próximo de uma análise de verdade, mas pode ser que termos técnicos ou outros detalhes mais profissionais acabem passando batido, ok? O que eu entendi da Gearbest ao receber este aparelho é que eles curtiram o meu jeito descontraído de falar sobre tecnologia e eu não pretendo abandonar esta forma de escrever até porque não sei escrever de outro jeito. Dito isto, vamos ao bichão!
O Umi Z é o novo top de linha de uma empresa chinesa chamada UmiDigi. A empresa é mais uma das inúmeras companhias do país a tentar entrar no concorrido mercado de smartphones.

O aparelho que recebi veio na cor cinza espacial com preto, o que me surpreendeu pois por ser um aparelho para análise, imaginei que eles me enviariam o dourado, que geralmente é menos procurado. Ponto para a Gearbest aqui! E a aparência do celular realmente é espetacular. Lembra bastante os novos Iphones? Lembra sim, não vamos mentir pro amiguinho que lê os nossos textos. Mas independente do suposto plágio, o bicho é bonito e tem uma cara de produto premium. Ele tem tanta cara de premium que até a embalagem impressiona. Sério, a embalagem dele é SENSACIONAL. Não que isso conte a favor do telefone, mas é o tipo de embalagem que você vai guardar com o maior carinho por muito tempo. Eu mesmo tô tendo que esconder ela da minha filha, que quer a todo custo usar a embalagem como cofrinho.

Mas deixando as disputas da minha família de lado, vamos falar um pouco sobre a tela do Umi Z. A tela de 5,5 polegadas, apesar de ter a mesma definição do meu antigo Redmi Note 3 Pro, me pareceu mais brilhante e com mais contraste. Eu sei que existem aparelhos com resoluções maiores que a resolução Full HD do Umi Z, mas eu confesso que acho difícil notar a diferença. Sem contar que telas com resoluções maiores precisam lidar com o problema do consumo que também aumenta, então a meu ver a UmiDigi acertou em cheio na tela deste celular pois ela cumpre com louvor todas as funções exigidas sem aumentar o preço do aparelho nem prejudicar muito mais a vida da bateria.

E pra complementar a parte multimídia do aparelho, é importante dizer que o som dele fora dos fones de ouvido é excelente. Nunca achei que fosse dar destaque para o som de um celular visto que sempre preferi usar fones, mas o som do Umi Z dá gosto de ver (e ouvir).
Como todo celular que se preze em 2017, o Umi Z também veio com leitor biométrico de impressões digitais, mas aqui eu devo dizer que a UmiDigi deu uma escorregada. Escorregou mas não caiu. Eu explico: eu usei o Umi Z por cerca de 5 dias e o leitor de impressões estava beeeeem ruinzinho. Bem ruinzinho mesmo, coisa de precisar de 3 tentativas pra conseguir desbloquear o celular. Isso quando não estourava o limite de tentativas e eu era obrigado a colocar o pin. Mas isso foi corrigindo numa atualização que chegou aos 45 do segundo tempo e agora não tenho mais do que reclamar. O leitor funciona muito bem, quase sempre de primeira. E ele tem uma vantagem com relação ao leitor do meu antigo RN3P: o leitor fica na frente do celular. Pra quem trabalha sentado com o celular quase sempre numa mesa, essa é a melhor posição para o leitor. E mesmo para quando você tira o celular do bolso, a posição também não é ruim, pois você pode desbloquear ele com o dedão ao invés do indicador. Troféu joinha pro quesito digital.
Com relação a potência do celular, não tenho nada a dizer. Mas vou escrever um parágrafo gigante assim mesmo. Apesar de já ter criticado a Mediatek quando falei do meu Redmi Note 3, neste caso o processador da empresa realmente impressiona. Testei inúmeros jogos pesados e ele aguentou o tranco em todos eles. No uso diário então, nem se fala. Qualquer app abre num piscar de olhos e desde o dia em que o recebi, não precisei limpar nenhum app rodando em segundo plano e não recebi nenhuma vez aquela chata mensagem de aplicativo que para de funcionar. O meu parecer neste quesito é que, tanto para uso hardcore como para uso no dia-a-dia, o Umi Z não vai te deixar na mão.
No entanto se a Mediatek não desapontou no processamento, um problema que notei no aparelho tem interferência direta deles. Durante os meus testes de câmera, eu tentei fazer vídeos em câmera lenta e não sabia como fazer nem sabia se o aparelho suportava essa função. Decidi ir até o facebook da empresa perguntar sobre isso e a resposta que eu tive foi a de que os chips da Mediatek só suportam filmagens a 30fps por segundo. Uma pena, já que tanto se fala da qualidade das lentes do Umi Z. Não ter opção de filmar em câmera lenta pra mim é um ponto negativo.

E aproveitando o assunto, um item (ou dois) que foi bastante perguntado pelo pessoal da comunidade Umi no Facebook foi sobre a câmera do celular, ou melhor: as câmeras. Bom, vamos a elas:
O Umi Z vem com duas lentes de 13 megapixels cada, uma frontal e uma traseira. A frontal é DE LONGE a melhor câmera da categoria que já experimentei. Sério, se você é do tipo que curte selfies, dificilmente um celular vai te atender melhor que este Umi Z. A câmera tem excelente foco, a resolução e o nível de detalhes das fotos é fantástico e o aparelho ainda vem com um flash frontal que auxilia nas fotos noturnas ou com pouca luz. Já a câmera traseira não me impressionou muito. Me parece que o calcanhar de Áquiles dos celulares chineses é o desempenho da câmera, pois este também era o grande problema do meu antigo celular da Xiaomi. E talvez por isso essa seja a grande dúvida das pessoas sempre que se analisa um celular chinês.
No caso da câmera traseira da Umi Z, o problema me parece ser de software, afinal de contas o app de câmera deles é extremamente simples. SIMPLES DEMAIS. Tem pouquíssimas opções e é confuso, pois os menus não mostram suas descrições completas, o que faz com que não se entenda bem o que a câmera pode ou não fazer. O que eu consegui notar é que ela tem um modo manual que ajuda a tirar melhores fotos e aproveitar mais a lente, que me parece boa. Mas isso não é o bastante pois são poucas as pessoas que conseguem mexer no modo manual. O ideal quando se fala em celulares é que sempre o modo automático tire as melhores fotos possíveis para o usuário. De qualquer forma o resultado não é satisfatório, pois as fotos em geral saem mais “lavadas” que o normal e a resolução, mesmo na qualidade máxima, não agrada. Isso se reflete inclusive no tamanho dos arquivos gerados. Enquanto o RN3P gerava arquivos de 4 ou 5mb, o Umi Z gera arquivos de no máximo 2mb. Não sou expert em fotografias, mas o fato do RN3P ter uma câmera de 16mp não deveria gerar arquivos tão maiores assim, ou deveria?
No entanto nem tudo é um desastre nas câmeras: dois destaques positivos se sobressaem. Um deles diz respeito ao foco, que nas propagandas do celular diz ser extremamente rápido, e eles não mentem neste quesito. O outro destaque fica por conta do flash traseiro, que realmente ajuda a tirar melhores fotos com pouca luz. Não sei vocês, mas os flashs dos meus celulares anteriores nunca eram usados em fotografias, eu acabava usando eles como lanterna ou qualquer coisa que o valha, pois nas fotos eles só cagavam a porra toda. E no caso do Umi Z o flash é realmente útil. Um milagre!
Na câmera traseira também houve uma significativa melhoria com a última atualização do celular, mas não o bastante pra melhorar a minha avaliação. Portanto a dica que fica para quem já tem o Umi Z e quer aproveitar mais das câmeras é baixar apps de câmeras de terceiros, como o Open Camera ou o Footaj Camera (o meu preferido).
Agora vou falar um pouquinho sobre o software, que é na minha visão o ponto alto do Umi Z. Eu estava utilizando um celular da Xiaomi, que como muitos sabem, utiliza a MIUI, um sistema operacional baseado no Android porém com inúmeras modificações. Dentre os sistemas modificados, a MIUI até que se destaca positivamente, no entanto a experiência do Android puro não tem igual. Por mais que o Android puro as vezes pareça um sistema mais simples, eu sinto que ele entrega um celular mais completo. No caso dos sistemas modificados eu sempre preciso dedicar um bom tempo adaptando notificações e outras configurações para deixar o celular do jeito que eu gosto. E quando o assunto é celular chinês, além das alterações normais ainda tem as temidas trocas de ROM. Este é inclusive um dos grandes entraves para que mais pessoas importem celulares da China, pois muita gente tem medo de fazer estas modificações e acabar perdendo o celular. No caso do Umi Z este problema não existe. Você recebe o aparelho, coloca os seus dados, seu chip e SAI USANDO. Não tem troca de rom, não tem flash, não tem bootloader e nenhum dos outros termos que tanto assustam as pessoas quando se fala em celular importado.
Mas pra quem não tem medo de encarar uma troca de sistema, o Umi Z também consegue agradar. A UmiDigi disponibiliza na internet uma ferramenta chamada Rootjoy que promete facilitar e fazer de forma OFICIAL a troca de sistema operacional do seu Umi Z ou de qualquer outro aparelho da marca. Eu achei essa solução SENSACIONAL pois deixa todos os usuários felizes: quem não tem muita experiência com alterações de sistema pode ficar com o android puro e todas as suas vantagens, já os hard-users tem no RootJoy a ferramenta perfeita para fazer todas as suas experiências malucas.
Voltando ao Android puro que vem com o Umi Z, é preciso dizer que alguns pontos nos menus ainda tem algumas falhas de tradução, mas nada que impeça o uso de alguém com pouca experiência em Android. O meu aparelho já veio com Android Marshmallow e está com a atualização de segurança do Android do mês de janeiro de 2017, ou seja: segurança total nessa área.
Talvez a única grande alteração da UmiDigi em cima do sistema seja com relação aos botões clássicos do Android. No caso do Umi Z é possível escolher se os botões ficarão na tela ou se serão capacitivos abaixo da tela, mas apesar dessa opção parecer bem interessante na teoria, na prática ela consegue confundir a cabeça de todo mundo. É o seguinte: quando você aciona a opção de deixar os botões “reais” (embaixo da tela), eles não ficam iguais a 99% dos celulares Android. A merda já começa com o fato de eles não terem nenhuma identificação. Não são impressos nem retro-iluminados, então você simplesmente aperta uma área preta e torce pra algo acontecer. E pra completar a bagunça o botão que deveria mostrar os apps em execução na verdade mostra o menu, quando ele existe, pois tem apps que nem usam mais a função de botão dedicado pra menu. Para ver a lista de apps é necessário segurar o botão home. Esta alteração não faz o menor sentido, e não permitir uma outra alteração para o modo normal faz menos sentido ainda. O jeito é colocar os botões de forma virtual na tela, mesmo que isso implique em uma pequena perda de espaço na mesma.
Um outro ponto que gerou bastante curiosidade quando eu disse que havia recebido o celular foi com relação a bateria. Na descrição diz que a bateria tem aproximadamente 3700MaH, o que é um pouco menos do que os 4000MaH do RN3P que eu tinha. No entanto essa diferença no uso acaba sendo quase imperceptível. Nos meus testes eu consegui fazer pouco mais de 6 horas de tela com ele, o que é muito parecido com o desempenho do meu antigo Xiaomi. Com relação ao carregamento, ele é sim mais rápido que os celulares normais, mas nada que realmente impressionasse. Inclusive no início ele não conseguia carregar o celular completamente em 100 minutos como prometiam suas propagandas, mas isso mudou com a última atualização do sistema. A bateria carrega agora mais rápido e esquenta bem menos que antes. Já fora da tomada o celular costuma esquentar apenas quando está sendo muito utilizado com jogos pesados ou com muito tempo de vídeo, de resto ele aguenta bem o uso normal sem queimar nossas mãos nem nada do tipo.
Esse lance de atualizações que corrigem os problemas iniciais do celular é meio chato pois ninguém quer receber um celular com “defeito”, mas a rapidez com que esses pequenos deslizes tem sido corrigidos nesta semana de uso me faz ter uma certa tranquilidade com relação ao futuro da marca e do aparelho.
De modo geral o aparelho me agradou bastante. Os defeitos e problemas que citei acima me impedem de cravar que ele tenha desempenho de um topo de linha como a UmiDigi procura vendê-lo. Acredito que tenha faltado um pouco de atenção pra evitar estes problemas que, com o meu olhar leigo, não me parecem muito complicados de se resolver. Dessa forma acredito que ele está mais para o topo dos intermediários, o que inclusive condiz com o valor dele lá fora. A Gearbest está vendendo o aparelho hoje por R$ 772,00, fazendo com que ele acabe saindo por algo em torno de R$ 1.100,00 dependendo do humor da receita federal.
Em resumo: se você acha o preço dos celulares intermediários aqui no Brasil um absurdo mas tem receio de importar um celular pois tem medo de ter que alterar o sistema operacional ou receber um celular com sistema bichado, o Umi Z é para você.
O link para compra do aparelho na Gearbest, que foi quem disponibilizou o celular para a análise está aqui.
De novo agradeço a Gearbest pelo aparelho e agradeço também a quem conseguiu chegar até o final desse texto. Ajudaria demais se você puder apertar no coração aqui embaixo pra que esse texto chegue pra cada vez mais pessoas.
E me sigam também no twitter, pois lá eu conto um pouco sobre o dia a dia do aparelho e outras churumelas da minha rotina.
Edit (16/08/17): Depois deste texto, fiz mais dois outros falando sobre a experiência que tive com o aparelho depois desta análise. Infelizmente a visão já não foi tão boa como nessa primeira semana, então acho interessante colocar os links aqui para que todos tenham uma noção completa do que foi o Umi Z. O segundo texto é esse e o terceiro esse aqui.

