O gol da libertação
quarta-feira, 25 de julho de 2012

O texto abaixo foi escrito por mim na madrugada do dia 24 de maio de 2012, após a incrível e emocionante vitória do Corinthians sobre o Vasco, pelo placar de 1x0, nas quartas de final da Libertadores 2012. Hoje, considero este o jogo mais importante de nossa conquista inédita e invicta.
Quarta-Feira, 23/05/2012 — Corinthians 1 x 0 Vasco
Quartas de final — Libertadores da América 2012
Há quem diga que o futebol é um mero entretenimento, e que não deve ser levado a sério em momento algum. BESTEIRA! O futebol move multidões, move sentimentos inexplicáveis e faz até o mais durão dos torcedores cair em lágrimas quando seu time é eliminado ou ganha um jogo sofrido, de virada, aos 48 do 2° tempo.
Há quem diga que futebol é perda de tempo. Outra besteira! Perda de tempo é querer entender ou julgar o fanatismo de um torcedor quando você não está na pele dele, sentindo o que ele sente. Ver de fora é muito fácil. O sentimento de um torcedor que acompanha seu time 365 dias por ano é inexplicável.
O que eu senti ontem foi surreal. O que o corinthiano FANÁTICO sentiu, foi surreal. Não há uma maneira exata de explicar o que se passa em nossas cabeças ou em nossos corações quando o juiz apita o fim de um jogo como esse.
Eu e minha mãe, apesar de sempre próximas, nunca fomos muito sentimentais uma com a outra. Sempre nos tratamos do nosso jeito peculiar, sempre com muitas brigas, mas também muito companheirismo. Não me recordo a última vez que abracei minha mãe. Talvez, justamente, na reta final do Brasileirão 2011, quando Liedson fez um gol decisivo contra o Figueirense, na penúltima rodada. Ontem abracei minha mãe, não uma, mas várias vezes! E chorei. Um choro diferente, um choro de desabafo, de emoção, de felicidade extrema. Era um peso tirado das costas.
O gol de Paulinho, aos 43 minutos do 2° tempo, não foi só um gol. Não era apenas o gol de uma classificação que não vinha a 12 anos. Foi um gol que tirou das costas um peso que não só eu, mas todos os fanáticos carregavam até aqui. Um time frio, que não treme em decisão e que possuí um conjunto que joga com raça e determinação dentro de suas limitações. Um time que não possuí um craque ou um jogador acima da média.
O Corinthians não só me proporciona os sentimentos mais intensos de minha vida, mas também consegue me mostrar que nessas horas a única pessoa que está ao meu lado, aturando todo meu desespero e loucura, é minha mãe. Por mais que ela fique indignada e abismada com minha maluquice, ela permanece ali, até o apito final.
Sinceramente, não sei se meu time será campeão. O que sei é que o Corinthians me proporcionou esse momento e isso jamais será esquecido. O futebol influencia meu humor e meus dias.
O Corinthians essa semana me tirou do fundo do poço. Me fez chorar de alívio. Um choro que lavou minha alma. Nunca me senti tão leve e de bem com a vida como estou agora. O Corinthians é meu combustível na vida e sem ele, nada consigo fazer.
Todo ano somos alvos de piadas e sofremos calados, esperando o dia em que finalmente poderemos devolver toda essa chacota. E esse dia parece estar cada vez mais próximo. Se não esse ano, num futuro próximo. A América está prestes a conquistar o Corinthians.

