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NOTA DE REPÚDIO: XAMÃ E COSTA GOLD

O “rapper” Caio Nog, escreveu versos que fazem apologia ao estupro.

Xamã com Costa Gold nesse beat loco
Tira o sono
Deixa ela dormir que se ela vira, eu como
Boto o cano na goela e atiro gozo
– Nog em “Preguiça”, de MC Xamã com participação de Costa Gold

Mais uma semana, mais um escândalo na cena do Rap/Hip Hop nacional. O primeiro foi protagonizado pela Nabrisa. Em seu single “Passarin”, ela ofendeu a comunidade negra com versos racistas. A rapper se defendeu de várias as formas, se dizendo inclusive vítima de machismo, porque não cobram os caras da mesma forma. Nós acreditamos que o gênero não justifica versos racistas e ela deve ser cobrada, assim como qualquer outra pessoa. Nós redigimos uma nota de repúdio sobre o caso, disponível aqui.

A cena nacional está em polvorosa, já que nem uma semana se passou após esse caso e já temos um novo escândalo. Dessa vez, envolvendo a Costa Gold, Xamã e apologia ao estupro. Ontem, dia 22/05, o Xamã liberou seu álbum de estúdio: Pecado Capital. Infelizmente, um disco que prometia ser incrível está sendo comentado principalmente pela faixa “Preguiça”, com participação do Costa Gold. Em um dos versos, o rapper Nog fala “Deixa ela dormir que se ela vira eu como, boto o cano na goela e atiro gozo!

Ele se pronunciou em suas redes sociais afirmando que a música foi mal interpretada, já que ele não está incentivando o estupro. Nog diz que seu objetivo era transmitir a sensação que a música trás. No caso, a metáfora é a menina dormindo e ele com vontade de transar. Na mesma resposta, Nog diz que não está explicito forçar ninguém a nada e que ele, como rapper, tem direito a licença poética.

Em 2015, um estupro era cometido a casa 11 minutos. A estimativa é que esses casos reportados equivalem a apenas 10% do total de crimes cometidos. Na cidade de São Paulo, há 1 estupro em local público a casa 11 horas. A cada 2 segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal. Estupro é crime, não licença poética. Se uma mulher está dormindo, ela não autorizou a realização de nenhum ato sexual.

A Equipe Rap Di Mina é contra qualquer ato de violência contra a mulher. Nossos corpos não são banais. Machistas e misóginos não passarão. Juntas resistiremos.

Dados:

Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Levantamento G1 — Regerente a Jan — Jul/2017
Relógios da Violência

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Uma publicação brasileira voltada para o Hip Hop feminino.

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