Como vivo em alto-mar

Como vivo em alto-mar,

Para as quatro direções,

O que vejo: mar e mar

*

Tenho duas opções:

pular e me afogar,

ou seguir, sem saber

que rumo há.

*

Com as mãos trêmulas,

Em meio as tempestades

as belezas, os trovões,

os monstros, as saudades.

*

o que resta é respirar,

segurar no leme e confiar,

sem nem mesmo saber,

o que acontecerá.

*

Lembro de ter ouvido:

“Apesar do abismo

O reflexo guarda o mar”

*

Por isso insisto,

Mesmo com essa

bússula quebrada.

*

Confio na voz do coração,

mas confesso, as vezes penso,

que tudo será vão.

*

Não sei se algum dia,

Encontrarei em alguma ilha.

Um lar, um porto,

que eu possa me atracar.

*

Mas o que posso fazer?

fazer caminhos pelo mar,

pois minha sina, é navegar.

*

[RASCUNHO]