O ar gélido

Pouso sob os finos galhos secos, numa fria manhã de inverno; quando, de repente, o ar gélido tenta passar, como se algo quisesse dizer.

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Poderia estar numa geleira, ser verão ou primavera, isso em nada mudaria o frio que assevera. Em companhia doutros corvos em outros galhos distantes, vejo os céus caírem nas águas trêmulas.

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De longe, o cantarolar de aves perdidas, estão escondidas em meio as nuvens frias. Manchas ecoam em círculos eternos, vejo-os parado daqui de cima, basta-me a imensidão.

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Sou apenas mais um corvo amontoado em cima de galhos quebrados, sozinho, na solidão, a admirar o passado.

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A voz passa de novo, mas dessa vez, o ar gélido adentra em meu ser.

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Sem que eu perceba, entra, breve e serenamente, e me congela.

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[RASCUNHO]