Outra reflexão: Um dia o piloto automático pode falhar

Olá, tudo bem com você?
 
 5:25 é a hora marcada do alarme para despertar e ele faz isso com muita precisão, mas de nada adianta, porque mesmo distante acordo como um sonambulo, vou até ele e obrigo a parar. O único modo de me tirar do calor fraterno da minha cama é minha mãe que me chama incontáveis vezes (desculpa mãe!) e a obrigação de trabalhar.
 
Ei, para de enrolação! 6:30 mochila nas costas, fone no ouvindo, aquele All-Star sujo. É hora de partir! Chegando na “entrada do inferno”, quero dizer no ponto de ônibus.
 
Eu já começo a vagar por questionamentos que partem da premissa de já não estar conformado com o fato da rotina e ter de aceitar que ela me fisgou, admitir que eu não gostaria de estar naquele lugar.
 
Nestes questionamentos me lembrei da música “Piloto Automático” da banda Super Combo que há alguns dias escutei. Sua letra, som e clipe possui uma produção muito bem trabalhada, de forma que estes elementos juntos constroem uma ambientação cativante, gerando assim uma empatia do expectador em relação a personagem. Escute antes de continuar lendo :)

Super Combo — Piloto Automático

Pelo que percebo a música fala de alguém que passa por um período de extrema insatisfação com a vida, que acabou resultando em uma pré-depressão ou depressão. Tanto a letra como a parte visual do clipe demostram fatores como a crise existencial da personagem “Eu nunca fiz questão de estar aqui/ Muito menos participar”, a falta da vontade de viver “Um dia eu vou morrer”, problemas como insônia e estresse “Quase toda vez que eu vou dormir/ Não consigo relaxar/ Até parece que meus travesseiros pesam uma tonelada”. Lá pelos dois minutos do clipe a personagem acorda assustada, a parte instrumental traz um som como se estivesse rangendo e tem o efeito chamado Glitch que passa a sensação de caos e confusão interna da personagem.
 
Apesar dessa situação da personagem ela tem consciência e vontade de mudar a sua vida atual “Eu devia sorrir mais/ Abraçar meus pais/ Viajar o mundo e socializar/ Nunca reclamar/ Só agradecer”. Nessa parte “Tudo o que vier eu fiz por merecer” parece que a personagem se culpa pelo seu estado atual e que sua “depressão” (eu apenas suponho) é consequência apenas dos atos dela e que assim ela merece passar por isso. Claro que devemos ser conscientes que o fato de uma pessoa chegar a essa situação nunca será culpa somente dela, são diversos fatores tanto internos quanto externos que resultam neste estado. Antes de julgar, compreenda o lado da pessoa.
 
Essa parte “Eu nunca fiz questão de existir/ Não queria incomodar/ Um dia eu acho um jeito de aparecer/ E você notar” mostra claramente que a personagem deseja ser ajudada, mas que ela não quer ser um fardo para os outros e por isso espera até um dia que alguém perceba o seu estado e que tome atitude de ajuda-la. Isso realmente deve acontecer com alguém que passa por isso, a pessoa se aprisiona dentro de (si) própria, mas de modo inconsciente e aos poucos piora. A pessoa começa a acumular tudo para si e como vivemos em uma sociedade atualmente muito narcisista, esquecemos de perceber as “nuances” da face humana. Infelizmente quando a pessoa chega ao ponto do suicídio, só podemos lamentar (e só dando uma atualização, a música Amianto transparece em sua letra uma continuação desta canção falando sobre o suicídio). Podemos fazer algo mais? Talvez tentar praticar com maior frequência a empatia (ato de se colocar no lugar do outro), como diz a música “Fácil de falar, difícil fazer” e eu sei como é, mas faz bem para alma pelo menos tentar…
 
Esta parte acima é minha segunda interpretação após ver este vídeo do canal Digitalismo, no qual li um comentário de alguém que diz sofrer de depressão, por isso achei muito conveniente trazer está opinião com as minhas palavras. Segue abaixo o print da opinião original:

Comentário do YouTube

No trajeto de ônibus para o trabalho gasto em média uma hora e meia, foi aproveitando este tempo que escrevi essas divagações abaixo e que de certa forma complementa a parte acima.
 
Parece que acordei e finalmente coloquei minha mente em funcionamento, comecei a organizar alguns pontos do porque é tão difícil despertar desse “sono profundo” chamado piloto automático.
 
Ponto 1 — Estamos em um estado anestésico, nós não sabemos para onde ir. Como diz o gato do filme Alice no País das Maravilhas.

Filme Alice nos País das Maravilhas

Ponto 2 — Talvez não sabemos para onde ir, porque vivemos em uma época onde temos muitos caminhos para seguir e soma-se a isso tudo ao fato deles se transformarem constantemente. Não somos mais capazes de processar todas as nossas escolhas conscientemente.
 
Ponto 3 — Essa overdose informacional, pode ser a responsável pela falta de ação para sairmos desta situação. Nossa mente entra em um estado de “pause” esperando que levantemos do sofá para pegar o controle, ou seja, é preciso tomar consciência para que o inconsciente possa despertar.
 
Ponto 4 — Sabendo conscientemente sobre o que é preciso mudar, devemos partir para ação. Não é tão simples quanto parece, evolutivamente nossa mente sempre fará de tudo para economizar energia, faz parte do extinto de sobrevivência. Pensar gera um grande gasto de energia, porque querendo ou não, é preciso traçar uma linha guia, um alvo para chegar ou conquistar o que deseja. Tenha certeza que a sua preguiça e o medo da mudança serão seus maiores inimigos nessa jornada.
 
Está seção “Reflexão” não passa de meras visões reais ou irreais e às vezes surreais sobre o meu mundo. Minha opinião registrada no livro Mundial de Não Verdades Absolutas. Apenas respeite e deixe sua opinião, porque juntos podemos chegar a novos lugares quando ouvimos e depois discutimos sobre algo.
 
Boa Sorte!

P.S: fique a vontade para dar sua opinião e se vir algum erro de português comente, pois assim posso ir evoluindo com o tempo. Obrigado! : )