Entrevista: Diego Gesser

Diego Gesser é um daqueles dinossauros da música eletrônica, parte importante da cena catarinense e um dos principais residentes do Chakra. Sócio do Aztecas, um, ótimo, gastropub na cidade de São Bento do Sul, o artista se reveza na conquista do público pela dança e também pelo o estomago.

Vamos começar com uma bem fácil. Música ou gastronomia?
Difícil escolher; a música é presente na minha vida desde a infância, quando cheguei à adolescência curtia já vários sons, o sentimento só ficou mais forte. Na gastronomia entrei mais tarde, aproximadamente no ano de 2008.

Quando eu não estou cozinhando estou tocando e quando não estou tocando estou cozinhando, consigo conciliar estas duas paixões de uma forma bem dinâmica.

Como surgiu o interesse pela música eletrônica e quais artistas lhe influenciaram a seguir a linha que toca atualmente?
Na adolescência curtia o que na época chamavam de “dance”, quando fiquei mais velho acabei conhecendo festas maiores, festivais de trance e ali descobri que era esse o mundo que eu queria. O tempo passou e com ele baixei cada vez mais o BPM, saindo do trance, caindo no progressivo até chegar no Techno, House, Minimal que são as vertentes que toco hoje. Gosto de variar, caminhar por várias vertentes sem se prender

São vários os artistas que me influenciaram, mas tudo começou quando um grande amigo me apresentou Prodigy e Chemical Brothers.

Podemos considera-lo da “velha guarda”, como você vê o cenário atualmente tanto pelo olhar de DJ como pelo de público?
Hoje vejo o mercado mais forte, antigamente não existiam tantas festas e tantos DJs. A música eletrônica vem ganhando cada vez mais espaço, tanto mundial quanto local, é nítida a abertura de clubs em diversas cidades deixando a cena bem concorrida, para os clubs de hoje terem o retorno é mais do que importante estarem antenados nas novidades, trazendo assim, sempre coisas novas ao público.

“Um é pouco, dois é bom e três é demais”, você acredita que o surgimento de vários DJs ajuda ou atrapalha a profissão?
Como respondi anteriormente, o mercado está cada vez mais concorrido.

O surgimento de vários DJs, acaba talvez ofuscando bons artistas mas acredito que cada um deve buscar seu espaço, se você for pesquisar e se aprofundar vai conseguir identificar os verdadeiros artistas.

Festas e casas surgem a todo tempo, e a demanda consegue ser atendida, no final das contas acaba sendo bom.

Você é residente do Chakra Club, qual a importância do club na sua carreira e como você enxerga a importância de uma residência para um artista?
Um club te ajuda muito, o Chakra me abriu muitas portas. Hoje me sinto honrando em ser residente de um club que está com força na cena underground, crescemos junto com a casa o que é acaba sendo bom para todos nós. Ensina muito, fazer um bom warmup, saber conduzir a pista depois da atração. O profissional evolui, corre atrás, supera dificuldades, um club só tem a agregar na carreira do DJ.

O Chakra é considerado por alguns um club underground. Como você enxerga este termo?
Underground é aquilo que não agrada a grande massa, nós sempre procuramos trazer novidades para São Bento do Sul e região. Hoje pode ser Underground e amanhã virar comercial. Hoje o Chakra é underground por estar sempre se renovando e buscando a evolução constante.

Além do projeto solo, você faz parte, junto com o Maylton Tavares, do Coffee&Milk. Como você definiria ambos os projetos para aqueles que não o conhecem.
O Coffee&Milk é totalmente freestyle, não programamos nada. Ele tem seu estilo e eu o meu, vamos tocando de acordo com a vibe da galera, nós temos uma conexão muito forte.

O meu projeto solo DGesser eu comecei em 2007 nos primeiros encontros com os cdjs. Na época rolava muito trance e com o passar do tempo fui descobrindo novas sonoridades. Até chegar nos dias de hoje passei por muitos estilos, mas hoje o house e suas vertentes que mais me encantam.

Você já tocou ao lado de grandes nomes nacionais e internacionais, existe algum que ainda falta nesta lista?
Existem vários, mas alguns são: Solumon, The Martinez Brothers (que é uma das grandes inspirações do Coffee&Milk), Maceo Plex (grande produto e DJ), a lista é grande, ficaria até amanhã para pensar em todos os artistas (risos).

Quais os planos para 2017 tanto do lado musical como no gastronômico?
Para a música: boas gigs, descobrir novos clubs, novas festas, já na gastronomia: novos sabores, sensações, texturas. Buscando sempre evoluir nos dois campos, para esse ano muito trabalho para conquistar todos os objetivos.

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