PSYcodélicos resiste

Rodrigo Gomes
Aug 29, 2017 · 3 min read

Visando a contraposição à escalada de violência no Estado, determino a adoção das seguintes providências na área de Jogos e Diversões públicas:

5. Proibir a realização de "festas reaves" (com música eletrônica).

O trecho acima trata-se da Comunicação Interna n 1007, enviada no dia 26 de março de 2003, do então Delegado-Chefe da Polícia Civil de SC — Dirceu Augusto Silveira Júnior para o Delegado de Polícia Lauro Cézar Radke Braga, que pode ser lida na íntegra no final deste texto. Nesses quase 15 anos as festas "reaves" cresceram e tornaram-se algo bem lucrativo tanto para artistas, organizadores e por que não também para os órgãos que fiscalizam esses eventos.

Durante esse período outros estados tentaram ou criaram projetos perseguindo, dificultando e proibindo as “tais festas raves”.

Jaguariúna (SP), 2008 — o prefeito Tancísio Cleto Chiavegato sanciona a lei Nº 1.817 que “proíbe, no âmbito do Município de Jaguariúna, a realização de eventos e festas de atividades dançantes conhecidas como Festas ‘Rave’ e semelhantes”

Belo Horizonte (MG), 2007 — o vereador José Elias Murad (PSDB) criou o projeto de lei 1.543, proibindo “no âmbito da cidade de Belo Horizonte a realização de eventos de música eletrônica, chamadas ‘raves’ ou assemelhadas”. Na justificativa, o texto afirmava que “este tipo de evento, que em muitos casos pode alcançar mais de 24 horas, tornou-se um terreno fértil de distribuição e consumo de vários tipos de drogas, principalmente aquelas chamadas ‘sintéticas’, como o ecstasy”

OK, não podemos ignorar o fato de que com o aumento do público veio também o aumento do consumo das drogas e um crescimento desenfreado de pseudo-núcleos que criam festas e mais festas sem nenhuma estrutura, mas será que proibir é realmente a melhor opção?

Atualmente as festas se tornaram um grande mercado. Muitos organizadores possuem dinheiro, tempo e também contatos para regularizarem seus eventos, mas, e como ficam os "peixes pequenos", aqueles que realmente são responsáveis por tentar manter a essência e a psicodelia ativa no atual cenário eletrônico?

Muitos ficam a mercê da sorte, organizam suas festas sem as centenas de documentações exigidas pelo Estado e torcem para que nenhum tipo de embargo aconteça. No último final de semana o núcleo PSYcodélicos, responsável por duas edições impecáveis, sofreu uma denúncia anônima e teve seu “Arraiá PSYcodélico” adiado.

O motivo da denúncia ninguém sabe, talvez algum outro núcleo visando prejudicar o evento, um vizinho cansado das últimas festas realizadas na chácara ou alguém com “poder” incomodado por não ter recebido uma caixinha. Hoje, já não importa quem ou o que gerou a denúncia, a dor de cabeça na organização já foi gerada, compromissos remarcados, mas o mais importante será ver o fortalecimento da festa após este acontecimento.

Como diz Sivananda “As dificuldades fortalecem a vontade e aumentam o poder de resistência”, podem tentar nos derrubar mas a psicodelia sempre irá resistir.

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Uma mistura de música, fotografia e muita arte.

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Rodrigo Gomes

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Fotógrafo, esquerdista e apaixonado pela cultura eletrônica. Insta: instagram.com/rc_gomes

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