Como o Open Source mudou minha carreira e me fez entrar na Matrix

Bruno Nardini
Jan 9, 2020 · 5 min read
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Imagem disponibilizada por Pixabay

Recentemente o Open Source teve um impacto enorme na minha mudança de emprego, mas agora que eu parei para refletir sobre isso, eu vejo que ele vem transformando minha carreira desde o começo.

Tudo começou na faculdade, em 2005, quando um professor me convidou para participar de um grupo que ele e um amigo havia criado de Free Software.

Foi a primeira vez que ouvi falar no termo, mas quis participar porque me pareceu uma boa oportunidade para fazer Networking.

Todo Free Software é um Open Source Software, mas nem sempre o inverso ocorre. No “Why Open Source misses the point of Free Software” Stallman explica que software livre é mais que um código aberto, é um movimento pela liberdade e justiça. Na época, pouco se falava de código aberto no Brasil, Microsoft e Apple dominavam o mercado com softwares proprietários e, para um jovem humilde do interior, esse discurso não era só bonito, mas um caminho viável para seguir profissionalmente.

Demos ao grupo o nome de Software Livre Sul Fluminense, pois ele contava com integrantes de várias cidades do interior do Rio de Janeiro. Criamos um grupo de e-mail, fazíamos reuniões, palestras, eventos, coding dojo, tudo o que hoje é bem normal na comunidade de TI, só que era com internet discada e monitores de tubo.

Participando deste grupo, eu entendi que essa liberdade era mais do que código livre, era conhecimento livre, compartilhado e inclusivo. Entendi também que o “free software” se traduz “software livre” e não “software de graça”, já que há várias formas bem rentáveis de se ganhar dinheiro com um código livre ou aberto.

Com o passar dos anos o Open Source foi ganhando mais força. Com a criação do Git (que é livre e aberto) e o GitHub, qualquer um poderia contribuir ou criar um projeto público (usei o termo “público” pois o que define um software como aberto, livre ou proprietário não é seu acesso, é sua licença) com facilidade. O GitHub era mais do que um repositório, era uma rede social de software.

Hoje em dia o Open Source está em todo lugar, grandes empresas de tecnologia que vendiam produtos tiveram que passar a prestar serviços para se reinventar. Até a Microsoft, que era a grande vilã do Open Source, declarou seu amor pelo Linux e passou a investir pesado em inciativas abertas.

O Open Source me permitiu ler e entender como funcionava os frameworks e bibliotecas que eu usava, tudo era aberto, eu podia participar até das discussões e decisões por trás de cada código.

Faz décadas que não pago por nenhum software, meu sistema operacional é uma distribuição Linux, meu editor de código para tudo é o VSCode, eu edito imagem com o Gimp e áudio com Audacity, uso o DBeaver para banco de dados, e nos últimos anos venho ensinando e trabalhando com React, que me abriu várias portas, inclusive a oportunidade que me levou a escrever este texto.

E onde se encaixa a Matrix em tudo isso?

Em meados de 2019, a Resultado Digitais entrou em contato comigo pelo LinkedIn me convidando a participar de um processo seletivo. Já nos primeiros contatos ouvi muito a respeito de um projeto aberto chamado Matrix, que é um ambiente de escritório virtual, e me chamou a atenção. Primeiro por levar o nome de um dos meus filmes favorito, segundo por estar em uma stack (Node.js) que eu conhecia, e terceiro que a empresa que trabalhava também tinha a cultura de trabalho remoto e também poderia se beneficiar com o projeto.

Então resolvi fazer um fork e tentar contribuir de alguma forma. Isso não tinha relação com o processo seletivo, foi uma iniciativa exclusivamente minha.

Como um projeto aberto depende de contribuições da comunidade, normalmente possui instruções claras de como contribuir e um roadmap com o planejamento de sua evolução. No GitHub também se usa muito o recurso de issues que é uma forma bem rica de interação e controle, que movimenta essa rede social. Na Matrix você pode ver essa lista de issues sendo usada com esse objetivo nesse link.

E foi assim que comecei, vi que precisavam melhorar a cobertura de testes e seria uma ótima forma para conhecer o projeto. E de uma forma bem natural eu fiz minha primeira contribuição. Apesar de ser uma empresa brasileira, vi que havia mais issues em inglês do que em português, que é uma prática bem comum para que o projeto possa atender todo mundo, não só quem fala português.

Fui muito bem recebido, apesar de não conhecer pessoalmente ninguém que trabalhava no projeto e só interagi com os outros commiters através das mensagens que você pode ver no próprio pull request. E eles aceitaram a contribuição, que me deixou mais confortável para interagir nas issues.

Não demorou muito e fiz outra pequena contribuição, que também foi uma interação agradável e aumentava ainda mais meu interesse pelo time.

Nesse meio tempo, na empresa que eu trabalhava, algumas pessoas também ficaram sabendo da Matrix por outros meios e ficaram interessadas em usar o projeto para fazer as reuniões dos times. A reuniões já eram feitas usando o Jitsi e como a Matrix o usava internamente, fazia muito sentido em adotá-lo.

Então fez mais sentido ainda eu continuar contribuindo, dessa vez eu já me sentia confiante no projeto para implementar novas funcionalidades, só que eu quis ir além.

Vi muitas issues com pedidos de melhoria na usabilidade, então resolvi refazer todo o front-end com React e usando o Material-UI, usando como base as sugestões da issues e algumas ideias que tive.

Uma coisa que me incomodava muito no Jitsi era que ele abria a conferência já com a câmera e o microfone ligados. Eu então aproveitei para inserir uma janela antes de entrar na conferência para o usuário optar por habilitar ou desabilitar o microfone ou a câmera.

Assim criei a contribuição que dei o nome de Morpheus, que é um dos personagens do filme. Como era uma mudança bem drástica, eu mantive os dois layouts coexistindo, e fiz uma brincadeira em colocar um ícone de um coelho branco para levar ao layout novo, que faz referência ao filme.

O Morpheus foi um sucesso e hoje é o layout oficial do projeto, assim como eu sou um RDoer oficial também. Apesar de minhas contribuições ao projeto terem tido alguma influência no meu processo seletivo, não fui contratado apenas por elas. Porém, a experiência foi incrível e ajudou até no meu onboarding na empresa. Várias pessoas que foram me conhecendo depois que fui contratado falava: “Ah! Você é o cara da Matrix!”.

Não deixe de viver essa experiência de participar de um projeto Open Source, você não precisa ser desenvolvedor para contribuir, você pode ajudar na documentação, na tradução, pode ser um Beta Tester, pode ajudar nas discussões das issues, o importante é começar.

Se você não sabe por onde começar, você pode usar o CodeTriage que possui uma lista grande de projetos, inclusive ele manda e-mails com sugestões periodicamente.

Caso queira saber mais sobre a Matrix, o Juliemar Berri fala sobre a motivação por trás do projeto no “Conheça a #matrix, o projeto Open Source que vem revolucionando o trabalho remoto na RD”.

Conheça um pouco mais sobre a Resultados Digitais lendo nosso Culture Code, e caso já conheça e queria trabalhar conosco, temos vagas.

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