De 0 a 3000 estudantes

O que aprendi sobre educação com a (breve) história da Tera

Leandro Herrera
May 7 · 7 min read
Durante meses, passava meus dias projetando a Tera sobre esta mesa.

Os primeiros telefonemas

Com a ajuda de @Bob Wollheim, sócio-investidor e advisor, organizei a primeira turma do bootcamp em UX Design, em uma parceria com o Cubo — primeiro parceiro que abriu as portas para meu sonho.

Cheguei a passar até oito horas por dia ao telefone. Perguntava aos profissionais sobre os desafios que estavam enfrentando, as competências que gostariam de desenvolver e qual formato de curso os atrairia.

Queria conhecer profundamente o público e garantir que teríamos apenas pessoas 100% alinhadas com o que o programa ofereceria. Apostei na premissa de que a educação só é boa quando é feita em conjunto, quando acontece de pessoa para pessoa.

Os primeiros 3000 estudantes

Três anos após começar a construir o projeto, a Tera atingiu a marca de 3,5 mil horas de educação. O que isso significa na prática?

Significa também que validamos algumas teses de ensino e aprendizado e construímos pilares que podem inspirar outras instituições, empreendedores e profissionais a trabalharem pela transformação do setor.

Vou compartilhar três desses pilares com vocês. Educação, afinal, é troca. Ninguém transforma um sistema sozinho.

#Pilar número 1

A experiência do estudante como centro de todas as decisões.

Logo nos primeiros telefonemas, percebi um triste padrão. Muitas pessoas demonstraram frustração com a experiência que tiveram na graduação e, principalmente, na pós-graduação. A frase que mais ouvia delas era: “só fiz até o fim para pegar diploma”. Na maioria das vezes, pagamos um valor altíssimo e precisamos assinar um contrato de longo de prazo (18 a 48 meses) antes do curso começar. Desistir no meio do caminho é o pior dos mundos. Saímos perdendo dinheiro, pagando multa, sem diploma para mostrar no mercado. O fracasso é exclusivo do estudante.

Colocamos o estudante no centro de todo o processo. Queremos que eles tenham um papel ativo durante os encontros dos cursos, aprendendo, trocando experiências e, por que não, ensinando o/a expert.

Nos esforçamos para que esse processo seja divertido, prazeroso e acolhedor — porque adultos adquirem conhecimento falando, refletindo, chegando às suas próprias conclusões e trabalhando em projetos que considerem relevantes.

As apresentações de projetos se transformaram em eventos com alta energia e tom de celebração — nesta foto, projetos de UX Design apresentados no auditório do Google Campus.
Teraway, nossa metodologia de aprendizagem. Aqui temos a visão dos micro momentos dentro de uma aula.

#Pilar número 2

A criação de comunidades de aprendizagem

Nossa comunidade, que reúne alunos, ex-alunos e experts de 40 empresas, troca atualmente cerca de 35 mil mensagens por mês em uma rede online. Essa comunidade, porém, não surgiu no mundo virtual. Foi formada e cultivada a partir de encontros presenciais, eventos e aulas realizadas em nossos espaços temporários (cinco unidades do WeWork).

#Pilar número 3

Horizontalidade de dentro para fora

Costumo dizer que tudo acontece por continuidade. Se a instituição de ensino trabalha internamente com rigidez e hierarquias dificilmente será capaz de criar um espaço de educação flexível e horizontal. Será praticamente um choque de culturas. E, pode ter certeza, que os estudantes vão sentir.

As organizações do futuro não serão aquelas que têm as respostas certas, mas aquelas que têm capacidade de criar, diante de uma situação inédita, uma nova resposta. De forma rápida e, também, coletiva.

Tudo isso transborda para o momento do ensino e aprendizado, criando uma atmosfera em que as pessoas se sentem seguras e empoderadas para aprender. Reflete-se também na satisfação das pessoas após a jornada de aprendizado.

Daqui para a frente, temos apenas uma opção: continuar aprendendo

Já faz alguns anos que não estou sozinho na sala da minha casa, fazendo telefonemas. Nesse processo de construção da Tera, contei com a ajuda importantíssima dos meus sócios e, atualmente, tenho ao meu lado 30 colaboradores — um time diverso, composto por mais de 50% de mulheres.

Nosso objetivo atual é levar esses pilares de uma nova educação para um número maior de pessoas, dar oportunidade àqueles que estão à margem da economia digital.

Nosso caminho segue na direção da integração de tecnologia no processo de aprendizagem. Através do LXS, estamos colocando em prática um modelo híbrido, que abre espaço para personalização e profundidade do aprendizado.

Queremos ganhar escala sem perder qualidade — um dilema ao qual nenhuma instituição de ensino inovadora escapa.

Não temos respostas prontas e não vamos replicar fórmulas. Todo mundo espera uma disrupção na educação, mas a verdade é que ninguém sabe dizer como essa disrupção ocorrerá.


re:Trabalho@tera

Repensando as profissões, produtos e organizações do amanhã.

    Leandro Herrera

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    Founder @Tera (www.somostera.com)

    re:Trabalho@tera

    Repensando as profissões, produtos e organizações do amanhã.