Acreditem: as marcas destas revoluções são bem reais. Quem as experienciou é, por norma, mais apaixonado pelo seu trabalho, mais empenhado no seu sucesso e mais comprometido com os projectos da sua comunidade.
JA — uma revolução em curso…

Enquanto jovem jurista, que saiu não há muito dos bancos da escola, o meu percurso confunde-se com tantos outros. Da escola à universidade e daí para o mercado de trabalho, trilhava um percurso dito tradicional. E, no entanto, pelo caminho, algo mudou. Algo me fez descobrir uma imensa vontade de ver mais e ousar a diferença. Esse algo pode muito bem ter o nome de Junior Achievement. Experienciar a JA é mais do que participar num programa escolar ou académico. É ser vítima e cúmplice de uma verdadeira “revolução”.
Em primeiro lugar, uma revolução no conceito de escola e da oferta educativa da mesma. Num enquadramento curricular ainda demasiado formatado, imobilizado e teórico, em que a escola se concebe como espaço isolado do mundo exterior, insensível aos seus contornos, mudanças e necessidades, a Junior Achievement assume-se como uma «ponte» interactiva que permite o diálogo e desafia a cooperação entre alunos e professores, por um lado, e o tecido orgânico da nossa realidade social — empresas, ONG’s os seus profissionais e -sociedade civil em geral, por outro. Desafios destes permitem alargar os horizontes de uma simples sala de aula e fazer das mesmas um interposto de ideias e uma incubadora de projectos e de sonhos.
Relembro as minhas experiências com a JA como aventuras de economia e cidadania, que me demonstraram, acima de tudo, que a criatividade não se traduz numa mera qualidade ou acto mas num exercício quotidiano e contínuo — como uma forma própria de conceber os desafios do dia-a-dia. Neste sentido, a Junior Achievement mudou, de alguma forma, a minha vida, por a tornar mais inquieta, mais atenta, mais preparada para ver e fazer diferente. Não deverá ser essa uma das mais elementares aprendizagens de um jovem em formação?
Mais, a missão da Junior Achievement é também revolucionária na destruição de mitos e preconceitos, sobretudo quanto a uma visão “mercantilista” do empreendedorismo. Com efeito, como tão nitidamente aprendi, a educação para o empreendorismo não passa por fazer de cada jovem um futuro empresário. O propósito destes programas assenta antes na exploração, como nenhum outro desafio escolar, de ferramentas úteis para a vida, como o trabalho em equipa, a necessidade da decisão, a auto-confiança, a inovação, o sentido de responsabilidade. É um processo de auto-conhecimento, de aprender fazendo, a que ninguém fica indiferente. É, acima de tudo, a aprendizagem de uma atitude construtiva e crítica, ambos factores decisivos na hora de esboçar e concretizar um projeto de vida.