Deambulando

Passeio os olhos aleatoriamente por uma série de fotografias. Na maioria são de pessoas, rostos, corpos, de várias cores e tamanhos. Cada um sugere uma história, e algumas parecem-me demasiado longe. Em todos há algo que ressoa em mim. Percebo que somos diferentes. Às vezes demasiado diferentes. A minha mente viaja livremente a propulsão do ar quente da imaginação. Dou por mim a imaginar como será a vida daquelas pessoas. Será que ela está apaixonada? Será que está de luto? Será que hoje teve um dia duro e só lhe apetece chegar a cama e dormir? Será que teve uma discussão e se degladeia com a sua raiva, tentando dar prioridade ao que lhe importa… Como ficará a sua cara quando chora? E quando ri? Neste deambular apercebo-me que aí somos iguais. Podemos falar russo ou criolo, mas sentimos as mesmas coisas. Quando estamos apaixonados sentimos as mesmas borboletas, quando nos zangamos sentimos o mesmo vulcão e a mesma lava. Não é diferente em nada. Sinto uma tranquilidade, há uma paz que me invade. Noto que o meu ser relaxa um pouco nessa sensação de igualdade. Chego-me a sentir ridículo pelas batalhas que escolho travar. Há uma sensação de pertença que é como um colo, um suporte que eu posso dar ao meu Ser. Queres ver que…posso confiar em mim?