Evangelismo de Gelo e Fogo

Desde a Reforma Protestante até os dias atuais, um sem número de doutrinas — sãs ou não — passaram a dominar o meio Evangélico. Desde as mais sérias, apologéticas, estudiosas, voltadas à prosperidade, entre tantas outras.

Contudo, um dos fenômenos mais interessantes que podemos observar é o que eu chamo de “Evangelismo de Gelo e Fogo”, parafraseando o título da renomada série literária A Song of Ice and Fire (George R. R. Martin).

Ora, em muitas congregações o que vemos mais é o gelo. Sentimos o frio dos templos ainda que possamos criar luzes e cores e sons e eventos; ainda que encontremos bancos confortáveis e ótimos agasalhos.

Domingo após domingo, dia após dia, passamos na mesmíssima rotina: canções, que nem sempre são de fato louvor ou adoração; depois disso, junto da última música o momento dos dízimos e ofertas, os avisos gerais, um estudo da palavra, a bênção apostólica e… fim. Semana que vem tem mais.

Contudo, entre um e outro, muitos dos crentes das Igrejas de Gelo vão buscar o Fogo nos templos que valorizam a atuação do Espírito Santo, caminhando por vezes sobre a linha que divide a manifestação santa da histeria coletiva; o choro (do convencimento do pecado e da condição de miséria inerente ao ser humano) dos tambores (…e “saculejos” e palavras de ordem).

Vivem um evangelho de gelo e fogo. O gelo que lhes apraz, e o fogo que lhes supre as demais necessidades. Porque não viver isso na sua própria congregação? Porque não dar liberdade ao Espírito?

“Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?”— Primeira Carta aos Coríntios, 3:16 (NVI)

Não digo, claro, para viver em desordem como a igreja de Corinto. Não digo para que façamos algo sem o devido discernimento, sem compreender os dons, para usarmos os dons a nós dados por Cristo para edificação própria e glória própria, de tal sorte que os que vêm até nós se sintam repelidos.

“Porquanto Deus não é Deus de desordem, mas sim de paz” — Primeira Carta aos Coríntios, 14:33 (KJA)

Basta de vivermos as nossas reuniões com “fui numa igreja que é fogo puro”. Basta de dizermos “fui buscar uma profecia”. Somos todos nós sacerdotes do Senhor, e devemos encontrar na nossa parte do corpo, na nossa congregação, os dons espirituais variados.

Ora, é óbvio que por sermos um só corpo, convém que convivamos em harmonia com todos os irmãos, e visitas a outras congregações são salutares. Mas é necessário que o objetivo seja de fato a comunhão dos santos; e não a busca por momentos pontuais que tal grupo pode oferecer.

Que entre o gelo e o fogo, seja você em sua congregação a fonte da qual fluirão rios de água viva

“Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” — Evangelho de João, 7:28.

Não dispense o estudo da sã doutrina, da teologia que vem de Deus, mas permita-se o fogo do Espírito Santo. Permita o mover nos louvores, permita as coisas loucas que confundem as sábias.

Permita o choro e o riso, permita a cura e o poder, ore e profetize se assim o Espirito de conduzir.

Porque, amados, assim está escrito:

“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. Sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão. Mostrarei maravilhas em cima no céu e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça.” — Atos 2:17–19

Na paz,

Fellipe Fraga.