groove

sobre expectativas e realidade

(ou talvez uma breve autobiografia)


passei boa parte dos meus 15 pros 16 anos imaginando e idealizando como seria minha vida lá pelos 30, o que eu estaria fazendo, onde, como e com quem. um bom trabalho, uma confortável casa, uma esposa apaixonada, um casal de filhos e o agradável gosto de objetivo alcançado.

eram planos e sonhos, criados, alterados e idealizados diariamente, alimentando a expectativa do futuro que parecia cada vez mais próximo.

e então vieram os quase 20, as múltiplas escolhas, as múltiplas dúvidas, a faculdade, as dificuldades, os namoros e términos, os momentos de solidão, a auto-sabotagem, os dias nublados, os dias ensolarados e, ainda assim, nublados. toda a turbulência característica dos 20 e poucos anos.

na esquina dos 30, toda aquela expectativa dos 15 pros 16, já havia se transformado em decepção e em combustível para um eterno ciclo de questionamentos, na tentativa vã de descobrir e entender o que deu errado, onde os planos começaram a descarrilhar, o real motivo da realidade não ter se alinhado com a expectativa.

e no ínicio dos 30 e poucos, meio por acaso, meio por necessidade, você percebe o óbvio, realidade e expectativa fazem parte de universos diferentes. universos que se afastam, se aproximam, se cruzam brevemente, mas nunca se sobrepõe.

repetimos como um mantra, que não devemos ter expectativas para evitar as desilusões, mas talvez entender que as expectativas são apenas idealizações de desejos e vontades, e não projeções da realidade, seja mais sincero, mais correto.

é um guia, um rascunho de como pode ser, de como você quer que seja, a sua realidade. mas o traço final nunca será o mesmo, nem será pior, nem melhor, será apenas real. na complexidade matemática da vida, a expectativa é a parte imaginária.

talvez nada disso faça sentido, talvez eu esteja absolutamente errado, mas hoje considero libertador saber lidar com expectativas dessa forma.

e próximo a dar mais um passo nos 30 e poucos, tenho um trabalho legal (não o que imaginei), moro em um lugar legal (não como imaginei), não tenho uma esposa apaixonada e nem um casal de filhos. mas tenho vivido, ou tentado, e as expectativas pros próximos 15 pra 16 anos, já surgem, como um norte, um rascunho.

c’est la vie.

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