As estufas de couve chinesa em Taiyuan construídas com varas que saem do alto em curva até o chão, cobrindo tudo com plástico, que conforme o tempo é enrolado até certa altura com uma carretilha de ferro

Taiyuan, música de juncos no ar - 10 a 14/10

Ida rumo norte para Taiyuan, capital da província de Shanxi, de manhã cedo. Chegamos às 11h. Não se vê trator arando lavoura. Os terraços são pequenos subindo a montanha. Só se planta com irrigação, pois o índice pluviométrico é mais ou menos 300 mm. Todo serviço do campo é manual e também feito pelas mulheres.

Domingo = tráfego na estrada, parece maior que durante a semana. Caminhões (às dezenas ou centenas) carregados com carvão mineral, coque, pedras, se misturam às pequenas carretas puxadas por trator tipo pequeno, carroças de burro e bicicletas.

Tudo com alguma carga, desde legumes, gente, pedras, grãos, palha de milho, tijolos, madeira em toras, ferro em barras, etc.

Em qualquer lugar, nas pequenas cidades ou mesmo nas estradas dos subúrbios, o camponês chega com sua carga de legumes, põe no chão, assenta do lado e ali fica a vender seus produtos.

Cena mais comum à beira das estradas e ruas em 86: produzir e vender por conta própria deixou de ser “rabo do capitalismo” e passou a ser “aprender com as famílias de mais de 10 mil Yuans (renda anual equivalente a 2.700 dólares em 86)

As estufas para produzir no inverno os legumes para as cidades têm uma forma curiosa: fazem um muro de taipa e colocam varas que saem do alto em curva até o chão, cobrindo tudo depois com plástico, que conforme o tempo é enrolado até uma certa altura com uma carretilha de ferro.

Desenho de Vera da estufa para produzir verduras no inverno. Ver foto no inicio do post

As plantações de junco estão lindas, já amareladas batidas pelo vento de outono, se inclinam balançando (sente-se música no ar).

Muitas mulheres com filhos pequenos nas bicicletas, na cadeirinha de ferro, vime ou bambu presa no quadro. Colocam uma telinha de nylon vermelho (parece véu de chapéu de madame) cobrindo a cara da criança para evitar que os insetos entrem nos olhos, boca e nariz.

Perguntei ao guia se na China não usam farelo de trigo e a resposta: “Só para o gado”. Me perguntou se no Brasil não comemos painço, respondi: só para pássaros na gaiola. Mas a sopa de painço é bem gostosa. Lembra o gosto da aveia.


A China cheira e cebola e coentro, não a bosta como já ouvi.


É muito comum dois homens andarem de mãos dadas ou abraçados. O que não se vê é casais assim. Parece que é proibido namorar em público.


Estados Unidos = Mei — gó

Brasil = Pássil

Vera = Wi –lá

Marília = Malila


Um almoço em Taiyuan

Em Taiyuan ficamos no hotel Yan Ze (quer dizer construído para Mao). Almoço oferecido pelo pessoal da Associação de Compreensão Internacional da China (||que nos patrocinou como convidadas semi-oficiais, a um custo total para nós baratíssimo, incluindo tudo: US$60 por dia x 30 dias = 1.800 dólares||). Saímos do hotel de carro às 11h50 levadas a um restaurante numa rua estreita, piso de lajotas, do tamanho de tijolos, cinza escuro. Há só restaurantes nessa rua, com a fachada das casas todas em madeira trabalhada e pintada de vermelho com lanternas vermelhas penduradas do lado de fora.

Havia pessoas comendo em mesas improvisadas na rua mesmo, em pé, nas tigelinhas próprias de sopa. Gente em penca e nós de carro preto (Toyota) com chofer, intérprete e representante da Associação; o carro muito devagar passando entre os pedestres (desta vez sem buzinar!) até a porta do restaurante.

Na entrada chineses conversavam com um garçom que nos indicou o andar superior. Fiquei mal impressionada com o terraço de piso sujo e também a escada. No andar superior fomos levadas a uma sala particular de mais ou menos seis por seis metros atapetada, com sofás ocupando duas paredes. No centro uma mesa redonda com tampo menor de vidro sobre o de madeira com toalha e já arrumada com a louça apropriada; um pratinho, uma tigelinha, uma colher de porcelana, um copo para cerveja (sempre na temperatura natural), um copo de pé para refrigerante e um cálice pequenininho para vinho (menor que os nossos de licor). No copo de pé o guardanapo amarelo em forma de leque.

No teto uma treliça de bambu com cachos de uva branca e roxa. Lustres de pequeninas lâmpadas coloridas. As paredes de papel, imitando gorgorão com desenhos, cor pérola.

No teto uma treliça de bambu com cachos de uva branca e roxa. Lustres de pequeninas lâmpadas coloridas. As paredes de papel, imitando gorgorão com desenhos, cor pérola.

Fomos conduzidas aos sofás e logo vieram as costumeiras canequinhas de chá de jasmim com tampas (desta vez vieram as clássicas com pratinho, tigelinha redonda e tampa com ilustrações de figuras chinesas). Enquanto tomávamos chá chegou o “hostess” acompanhado de mais quatro homens e fotógrafo. Foram feitas apresentações palavras gentis de boas-vindas, etc. Maços de cigarro sobre as mesinhas com chá. Fumam o tempo todo em baforadas. Falatório sobre o que são, o que fizeram, responderam algumas perguntas. Aí foram servidos os primeiros pratos e convidaram-nos para a mesa. O chefe, Lian de um lado, eu do outro. À direita o intérprete Guo, à minha esquerda o subchefe e depois os outros completando a roda.

Vera e Lian com membros da Associação pela Compreensão Internacional da China

Primeiros pratos: carne de vaca fatiada fina, presunto fatiado, presuntada fatiada com gelatina em volta, gomos de tangerina arrumados numa travessa em formato de dois peixes com olhos de cereja, raízes de lótus fatiadas, algas, talos de aipo cortados finos com mais ou menos cinco centímetros, ovos de codorna com polvo em fatias finas, frango assado fatiado, pato fatiado, ovos de mil anos, peixe de três cores arrumados num só prato, dois tipos de ravióli, tofu empanado, camarão com verduras sobre claras batidas com açúcar, estômago de peixe, fungo (parece esponja fina) com carne de frango desfiado com molho e champignon, pato assado com gergelim, bolinho frito muito engordurado.

Os raviólis tinham como recheio: a) carne moída com repolho, b) carne moída com broto de bambu picado.

Cerveja sem parar — se o copo esvaziava dois dedos enchiam outra vez e também os refrigerantes (gosto igual de Fanta). O pequeno cálice cheio no princípio até a borda com uma espécie de aguardente chinesa com 60 graus (maotai). Primeiro foram os brindes com aguardente, todos de pé, votos de boas-vindas, elogios, etc. Tintin falam coisas, mais tintin, mais aguardente. Só provei, pois é fortíssima. Depois de uns três brindes nos sentamos e aí começou o almoço. Depois de não sei quantos pratos (mais de 20) e mais ou menos duas horas de comilança, cerveja e muita fumaça (quase a cada quatro pratos param para fumar e conversar, nosso intérprete quase não pode comer). O chefe foi lembrado de outro compromisso. Assim faltou o arroz e a sopa no almoço. Mas tivemos outro brinde, agradecimentos, boas-vindas, boa viagem, etc. Retratos de todos em vários ângulos e nos deram um presente: uma caixa com quatro vazinhos chineses. O chefe entre cada três pratos fumava um cigarro soltando fumaça que nem locomotiva e, assim que saiu, os outros pediram para esperarmos um pouco, em sinal de respeito, para depois sairmos.

Lanche com as mulheres

Do almoço fomos direto para a Associação de Mulheres, que já nos esperavam na porta com sorrisos, apertos de mão, palavras amáveis. Fomos conduzidas a um salão com mesa larga e enorme; fruteiras com maçãs, peras e uvas; pratinhos com semente de girassol, outro com balas de licor, pratinho ao lado, caneca com tampa para chá, xícaras de chá com água fria (sem tampa).

Guo, Lian e Vera no lanche na Associação de Mulheres de Taiyuan. Lian fez um punhado de perguntas (feminismo, aborto, tudo) e elas nos perguntaram sobre a mulher brasileira.

Feita a apresentação de todas pela chefe que falou um pouco sobre as atividades de cada uma: subchefe ativista da reforma agrária; secretária da Associação, membro da célula do partido; vice-presidente da Associação e médica veterinária; chefe da defesa dos direitos da mulher; secretária desta e também de uma aldeia; vice-chefe da seção de propaganda; universitária, vice-diretora do gabinete da Federação das Mulheres; jornalista. Palavras de satisfação em nos receber — palmas para nós. Palavras da vice sobre o trabalho da mulher na China. Enquanto isso, a minha vizinha e outra descascavam maçãs e peras para nós, nos serviram chá, ofereceram balinhas licorosas.

Dirigentes da Associação nos falam sobre o trabalho da mulher na China

Prontas para perguntas — Lian fez um punhado (||feminismo, aborto, tudo||). Perguntas delas sobre a mulher brasileira. Agradecimento pela visita a elas, e por nos receberem. Nos deram presentes: quadro de laca com bichinhos de rolha. Retratos. Saída: nos acompanharam até a escadaria, mais retrato de todo mundo junto. Despedida com abraços à brasileira (sugestão da Lian, gostaram) bye, bye do carro.

Guo, Vera e LiAn na despedida do encontro com a Associação de Mulheres de Taiyuan

17h no hotel — sem fazer xixi desde de manhã. Dez minutos depois saímos para uma volta a pé pelo parque em frente ao hotel. Não quisemos jantar — não era possível depois de um dia de tanta comida.

Um pouco antes do almoço houve uma barulhada na rua com foguetório, bombas de todos os tipos. Nos disseram que era um casamento que estava sendo comemorado.


Namorados! A impressão que se tem é que os casamentos são arranjados pelos pais pois quase não se vê namorados. Andam em grupo de moças por um lado e rapazes por outro. O engraçado é que os homens andam de mãos ou braços dados com a maior naturalidade. Representa uma forma de amizade, mas rapaz com moça nunca andam assim.

Os homens andam de mãos ou braços dados com a maior naturalidade. Representa uma forma de amizade, mas rapaz com moça nunca andam assim

Em Beijing a temperatura estava 19 graus, com muita bruma — choveu um pouco, no dia seguinte, céu azul.

Em Dazhai, temperatura mais baixa — cama com edredom de penas — quentinho.


Comem carne de cachorro — acham gostosa, mas nunca provaram de gato. Não vimos cães em Beijing, mas no interior há vários, na rua, nas casas, presos em correntes que nem no Brasil.


Dizem que no tempo da Revolução Cultural quem criasse mais de três galinhas era rabo de capitalista; outros que só se podia criar o número de membros da família, mais que isso era capitalismo.


Dizem que em 1940, a mulher ficava em casa. Em 1950, o marido ia na frente, a mulher atrás. Em 1960 iam ombro a ombro. Em 1970, de mãos dadas. Em 1980, iam abraçados. O que esperar de 1990?????


Lian já tem profissão na China: consertadora de descarga de privada. Todas vazam (são do tipo de caixa atrás do vaso).


Lógica chinesa

Numa lojinha o chinês não tinha determinada marca de cigarro; não tinha porque vendia muito, tudo que tinham vendiam logo, assim achou melhor não ter mais aquele!!! O governo atual está trabalhando para incutir no povo o espírito mercantilista.

Museu de Usos e Costumes de Shanxi

Visitamos um palácio do tempo da Dinastia Ming — Templo da Deusa D’Água. Uma árvore plantada no jardim há mais de 3 mil anos é ainda viva. A segunda mais velha da China.

Palácio da Dinastia Ming, templo da Deusa D’Água. Árvore de 3 mil anos
Vera, Lian e Gui nos jardins do Palácio da Dinastia Ming
Jovens chinesas nos jardins do Palácio da Dinastia Ming, vestindo roupas típicas de sua região

Almoço num restaurante em frente ao palácio Ming, restaurante novo, dizem que somos as primeiras estrangeiras; comida gostosa.

Depois fomos visitar o Museu de Usos e Costumes Antepassados Populares de Shanxi (pouco visitado ainda). A casa imensa (8 mil m²) pertenceu a uma família rica. Vários pátios e imensas salas, todas com roupas, objetos, móveis de rica família capitalista da dinastia Qing do fim do século passado. Ilustrações, roupas, carruagens em que as rédeas, selas de cavalo, argolas de bronze com enfeites em cloisonné. Roupas finíssimas, bordados maravilhosos, porcelanas de várias épocas Ming, Qing, Han. Lindo prédio de museu em restauração e por isso muito poucos visitantes. Somos o primeiro grupo de estrangeiros — proibido fotografar, mas antes do aviso tirei uma foto vislumbrando três portas seguidas.

Museu de Usos e Costumes Antepassados Populares de Shanxi, últimas fotos logo antes da proibição de fotografar. Vários pátios e imensas salas, todas com roupas, objetos, móveis de rica família capitalista da dinastia Qing
100 maneiras de escrever longevidade. No Museu de Usos e Costumes Antepassados Populares de Shanxi

O museu está praticamente escondido numa aldeia no meio do campo, uns 20 km fora de Taiyuan. E do lado de fora não se imagina o que tem dentro. Paredes externas altíssimas (uns cinco a seis metros).

Lian e Guo no exterior do Museu de Usos e Costumes Antepassados Populares. Lindo prédio em restauração e por isso muito poucos visitantes

O prédio em mal estado de conservação — necessidade de restauração da pintura, piso e limpeza em geral.

Em Taiyuan, Lian entediada de museus, sonhando em encontrar os lavradores

Em todos os quartos em que estivemos não usam lençol de cima — apenas edredom de seda, com recheio de plumas de ganso, dentro de uma capa de algodão branco. Um buraco retangular por cima, por onde se enfia o de seda. Deixam no quarto garrafa térmica com água quente e chá de saquinho. Coca-Cola mesmo ainda não vi. Vi uma Coca chinesa (gosto de Pepsi) e a laranjada é uma água com leve gosto de laranja e muito açúcar. Aliás, gostam muito de coisas doces, seja lá o que for. Também as coisas fritas têm muito boa aceitação. Os pastéis de vento são muito apreciados por todos.


Mao era gordo — devem ter feito muitas roupas para ele, mas quando precisasse era só trocar. Ele morreu, ficaram as roupas que devem ter sido aproveitadas por outros mais magros e menores. Daí deve ter virado moda, pois usam roupas muito folgadas e as mangas sempre maiores que os braços.


Esta casa não é primor de limpeza apesar de morar sozinha. Uma vizinha com uma filha e marido tem a casa limpíssima. Isto é, a sala e os quartos. Não vi o banheiro, mas a cozinha… Fogão de uma boca só, de ferro, colocada numa estrutura de tijolo, cimento comum por cima. É a carvão, mineral. Uma pequena pia e as verduras esparramadas no chão, num canto da cozinha (batata doce, abóbora, repolho, acelga, alho e cebola).

Fogão a carvão, numa casa no subúrbio de Taiyuan

Visitamos uma casa de camponeses, escolhida por nós ao passarmos pela estrada. Acharam estranho, mas nos levaram. A moradora, viúva de 59 anos, está aposentada, mas até três anos atrás trabalhava com outras mulheres da vizinhança na coleta de esterco animal para a lavoura e instruía as outras como juntar excrementos da família para adubação. Também foi conselheira, resolvendo problemas entre casais, vizinhos, etc. Disse que o marido nunca a chamou pelo nome; apenas dizia “mãe do meu filho, vem cá” ou “oi, você aí, vem cá”. Contou isso rindo muito. A casa é razoável, com móveis lustrosos, limpa. A cozinha fora, do outro lado, era suprida com pia, fogão de carvão de uma só boca e as verduras no chão, num canto.

Visitamos uma casa, escolhida por nós. Uma viúva de 59 anos, aposentada, nos conta que trabalhava na coleta de esterco animal para a lavoura e instruía as outras mulheres da vizinhança como juntar excrementos da família para adubação.

A maioria das vilas não tem asfalto nas ruas. Nesta época (outono) há muito vento e levanta aquela poeira. Entre Dazhai e Taiyuan (que é a capital da província) fazem grande quantidade de casas como se fossem entrada de túneis com mais ou menos quatro metros de largura por quatro de altura e oito metros de fundo.

Desenho de Vera no diário de viagem, ilustrando as casas construídas encravadas nos barrancos, como se fossem entrada de túneis

Tem porta e janela envidraçada na frente. Não tem banheiro (dizem que fica de fora em casinha [não vi]). Não sei como fazem para recolher os excrementos. Dizem que tomam banho de bacia. Condições bem precárias em tudo — comem macarrão feito a mão, arroz, legumes.

Esqueci de dizer que as casas são realmente encravadas nos barrancos, de modo que as paredes internas, em geral, têm umidade.

Interior de uma casa no subúrbio de Taiyuan
A esquerda, o interior de uma casa no subúrbio de Taiyuan. A direita a construção de uma casa encravadas em um barranco
À esquerda, típico fogão a carvão mineral, que abunda em Shanxi. Aos poucos será substituido pelo fogão a gás à direita

Jardim de infância

420 crianças divididas em 13 classes de três a seis anos; 62 funcionários e professores formados em escola normal especializada em jardins ou creches. Crianças recebem treinamento em matemática, literatura, ginástica, música, conhecimentos gerais. 7h30 às 18h de segunda a sábado. Professores têm férias mas fazem rotatividade. As crianças podem ficar o ano inteiro ou gozam férias na época de férias dos pais. Pagam 24 yuans por mês com todas as despesas por criança; destes 9 yuans de administração são pagos pela unidade onde trabalham os pais. Na zona desse jardim todas as crianças vêm ao jardim.

Jardim de infância de Taiyuan. São 420 crianças divididas em 13 classes de três a seis anos. Podem ficar o ano inteiro, 7h30 às 18h de segunda a sábado, ou gozam férias na época de férias dos pais.

Todos os pais têm condição de pagar. São filhos de funcionários do governo. Escola Jardim Infantil Estrelas Novas da vila, outros filhos de operários. Não tem camponeses neste. Há outro jardim para filhos de camponeses. Cada classe com dois professores. Todas as salas têm órgão para o canto das crianças que cantam para os visitantes. Escola com piso marmorite bem varrido mas parece nunca ter visto água. Berçário bem arrumado e limpo.

Comentários diversos sobre Shanxi

Há fábrica de vidro, malha, móveis. Economia predominantemente industrial e comercial nesta vila.

Indo para o campo homens com bicicletas com ferramentas atrás (enxadas, pás etc.).

Pequena vila com velhos e crianças menores se aquecendo ao sol, agachados junto às casas.

Um quilo de cebola= 0,20 yuan.

Bicicletas com carga de galinhas atrás e no guidom.

Visitando empresa de tubos, fios e cabos metálicos gerida por camponeses. Salão com sofás verdes, mesinhas com flores artificiais. Baranguíssimo.

Sala de recepção da fábrica de tubos de ferro em Taiyuan. Construída em 1949, quase duplica a produção a cada ano. Dirigida por alguns operários aposentados e outros preparados especialmente. Chama-se empresa rural porque está em vila camponesa onde a principal atividade é a agricultura

A fábrica tem mais ou menos 60 mil m² e 316 operários. Atualmente com muito desenvolvimentismo a média de valor da produção anual de 46.000 yuans. Quase duplica a produção a cada ano. Não havia capital nem técnica no passado. Investimento total de mais de 7 milhões de yuans. Produtos fundamentais para a indústria elétrica, cabos elétricos como para instalações hidroelétricas. Foi construída em 1949. Salário médio em 1984: 2.400 yuans. Ano passado: 5.000 yuans.

Dirigida por alguns operários aposentados e outros preparados especialmente — chama-se empresa rural porque está em vila camponesa, rural onde a principal atividade é a agricultura. Produção de tubos de ferro. Vila Beige (Beiguê). 76 mulheres trabalham no controle das máquinas e também na seleção dos tubos.

Algumas vacas holandesas para leite.

Visita a uma estufa produtora de legumes.

Casa de família que era camponesa, hoje aposentada. A mulher é contadora, o homem é gerente. Muito limpa, três quartos. Outra família de quatro pessoas trabalha no campo: marido trabalha na brigada de produção. Planta berinjela e pepinos no campo. Filhos três moças e dois rapazes e são camponeses, têm sua terra contratada. Mulher doméstica, trabalha algumas horas por dia na lavoura (ambos), filho mais velho é tratorista e outros nas indústrias locais; 3.000 yuans por ano para toda a família (500 yuans da lavoura mais salários dos filhos nas empresas comarcais mais ou menos 70 yuans por mês). Filho tratorista comprou trator com a renda da família; o trator é alugado para outros como transporte, etc. a receita maior não é da lavoura, mas se consideram camponeses.

Li Xau Deng, viúva aposentada, é mãe do secretário do comitê do Partido Comarcal. Foi chefe na comissão das mulheres na brigada da vila. Organizava mulheres para acumular adubo doméstico, transmitia ordens e resolvia problemas das famílias

Outra casa: tem um filho de 40 anos, secretário do comitê do Partido Comarcal, a nora trabalha na empresa Comarcal, o neto como policial e o outro estuda e o marido faleceu há um ano. Ela já foi chefe na comissão das mulheres na brigada da vila, hoje aposentada com 25 yuans por mês — Li Xau Deng, o marido não falava o nome da esposa: ‘ mãe do filho, vem cá” e antes do filho: “vem cá”. Amigos chamam o nome inteiro. Quando chefe da comissão organizava mulheres para acumular adubo doméstico, reuniões, transmitia ordens, resolvia problemas das famílias… Aposentou como camponesa; todas as mulheres se aposentam com 55 anos e homens com 60, quando ganham 30 yuans. Ela pediu para mandar fotos e escrever. Teto: palha embaixo da laje. Nos ofereceu bolinhos e se ofereceu para nos hospedar de outra vez, vai cozinhar para nós e nos vai dar dinheiro chinês para compras.

Passeamos à tarde num museu de arte chinesa antiga muito lindo no centro de Taiyuan onde comprei uma vasilhinha Ming autêntica.

Museu de arte chinesa antiga, no centro de Taiyuan

Depois visitamos os dois pagodes onde tiramos algumas fotos.

Pagode em Taiyuan
Vera e Lian visitam pagodes em Taiyuan

Em seguida fomos jantar com outro chefe de seção e outro que já havíamos encontrado e uma moça farmacêutica. Sempre que ficam sabendo que tenho uma filha que já estudou acupuntura na China e que pretende voltar para estudar mais se oferecem para ajudá-la, para hospedá-la. Jantar com não sei quantos pratos, terminamos com o pato laqueado.

De volta para Beijing

Rápidos para a estação da estada de ferro. Estávamos na cabine quando passaram dois chineses que havíamos conhecido na Associação de Mulheres e fizeram festa para nós. Estão indo para Beijing para reunião de cúpula. Nossa cabine com quatro camas, duas em cima e duas embaixo. Ficamos Lian e eu em cima; Guo nosso guia e um estranho embaixo. Isto é que é comunismo: repartir cabine com homem que não é nosso marido, completamente estranho. Chegamos em Peking (sic) às 6h30 da manhã. Continua frio e brumoso. Fomos ao hotel tomar um banho, ir à Japan Airlines marcar passagem. Antes telefonamos para casa (demora mais ou menos 30 minutos para fazer uma ligação para “Paxi”). Tudo ok.

Congestionamento horrível no trânsito hoje, talvez pela visita da rainha da Inglaterra que aqui está há dois dias. (Debido a visita da Rainha a Xian, foi cancelada nossa ida a essa cidade para ver os Guerreiros de terracota)

Almoço com o chefe Son Wen (muito simpático) com que já estivemos há dias.

Em Beijing, Vera e Guo com Son Wen, vice-diretor do Comitê Central para Relações Internacionais com a América Latina

Na conversa sugestões de melhor propaganda da China no Brasil: livros, melhor rádio Pekim (sic), outras coisas mais, mas não tem muita força para traduções por falta de elementos que falem português, também porque só o Brasil fala português em toda a América Latina. Podem arranjar matéria em espanhol que já tem bastante. Vão arranjar. Também gostariam de publicar livros chineses no Brasil. Pediram sugestões quanto a outras maneiras de divulgar a China no Brasil e também o Brasil na China.

Vera, Lian, Son Weng, em Beijing. Na conversa sugestões de melhor propaganda da China no Brasil: livros, melhor rádio Pekim, outras coisas mais

Yeng Cheng Restaurant — ótima comida de Cantão.

Vera e Lian com Son Weng, em Beijing, no restaurante Yeng Cheng, ótima comida de Cantão

Son Wen é vice-diretor do bureau do Comitê Central das Relações Internacionais para a América Latina (esses almoços são uma desgraça, muita comida, chá antes, cerveja durante, chá depois…e depois? Não tem banheiro no restaurante, então a gente tem que esperar chegar no hotel. Sábado ficamos de 8,30 h às 16,30 h sem fazer xixi — loucura — no fim nem conseguia entender o que o guia traduzia.

Falam que os todas as mulheres têm que se aposentar aos 55 anos e os homens aos 60 anos. No entanto, os três maiores dirigentes do país têm 82, 74 e 66 anos e não se aposentam. Ao se aposentar as pessoas ou ficam em casa, ou vão dar conferências ou vão ser professores em alguma universidade.

Aeroporto: o prédio é novo, mas o serviço é de funcionário público brasileiro. Em frente aos guichês onde deveria haver uma fila há um bolo. Quem vai ser atendido primeiro??? Ganham dos mineiros que não perdem o trem; chegam super cedo para viajar. Quando um avião se aproxima do prédio junta gente na janela para ver. Parece que nunca viram um avião. No entanto são uns “experts” em política interna, pois um país que tem a população da China (mais de um bilhão de habitantes, em 1986) consegue manter essa política sem usar a força. Dizem que a força só é usada para reprimir criminosos, assassinos, ladrões, estupradores. Mesmo durante a revolução só foram fuzilados os corruptos e traidores.

De Taiyuan voltamos a Beijing de trem durante a noite, chegamos de manhã às 6h30. À tarde devíamos ter decolado às 16h30 para Chengdu. Fomos para o aeroporto mais ou menos as 15h e lá ficamos até 21h30 quando avisaram que este vôo havia sido cancelado. Ninguém reclamou. Nosso guia idem. Saímos aproveitando um ônibus que estava saindo para a cidade (sugestão nossa) fomos folgadas no último banco, até perto do centro, onde descemos. Pegamos um táxi, tendo chegado no hotel quase 11h da noite.

Levantamos 6h15 para aeroporto onde tomamos café (desta vez nos serviram 3 ovos fritos — em geral são 2 virados) — Decolagem 9h30. Viagem boa até umas 11h — algumas turbulências — avião lotado, mais ou menos umas 140 pessoas. Dentro do avião, em voo, há fila para ir ao banheiro. No saguão, antes de embarcar colocam a bagagem de mão em fila, marcando lugar de entrar primeiro, mesmo com lugares marcados.

Bagagem de mão em voo de Beijing a Chengdu. No saguão, antes de embarcar colocam a bagagem de mão em fila, marcando lugar de entrar primeiro, mesmo com lugares marcados.

A imprensa é muito fraca, o principal jornal é pequeno com notícias muito com palavras de ordem. A principal revista “Beijing Informa” muitos fatos com camponeses, com uma ingenuidade incrível. Parece imprensa de cidadezinha do interior do Brasil.


Querem tecnologia do exterior, matérias primas, alimentos em geral. Querem exportar carvão, petróleo, grãos, sedas, cerâmicas


Ainda não vi sedas bonitas — Vamos ver no Sul — Shanghai e Hangzhou (capital da seda). Sapatos chineses, tão apreciados no Brasil, só feitos com sola branca ou marrom. Difícil achar tamanhos pequenos para criança ou mesmo coloridos.

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