Dazhai (antiga Tachai), aldeia modelo agrícola - 8 e 9/10

Mao nas plantações de chá sobre os terraços de Dazhai; a moça à sua direita é a Sun Liyng, entrevistada por nós 2 décadas depois (poster que José Gomes da Silva presenteou LiAn; ele ganhara na China nos anos 60)

Chegamos de trem na cidade de Yangquan — onde havia um carro com dois funcionários a nossa espera. Viagem de meia hora até Dazhai , onde chegamos às 19h — jantar (pastel de vento delicioso).

O prédio onde nos hospedaram é enorme. Que nem o Hotel de Araxá. Só nós e os funcionários que nos acompanhavam, o guia tradutor, chofer, guia chefe da seção de informações, prefeito da vila, outro chofer e mais dois funcionários da vila. Fomos em dois carros na manhã seguinte visitar a região: aldeia modelo agrícola dos anos 60.

Agricultura aproveitando cada palmo de terra, terraços com arrimos de pedra, desde embaixo, no vale, até o cume dos morros onde tem um reservatório de água. São cinco iguais. Tiravam a terra orgânica para um lado, formavam o terraço e depois espalhavam a terra por cima. Isto foi feito mais ou menos de 63 a 78. Maioria dos tabuleiros tem mais ou menos 1/3 hectare.

Terraços irrigados construídos entre 63 e 78, com 1/3 de hectare cada
Agricultura aproveitando cada palmo de terra

Poucos maiores, sendo os grandes de 1 hectare. Daí… tudo só é feito à mão, nem cabe trator nessas áreas, mas até na beirada são plantados.

Terraços de cultivo na antiga Comuna-modelo Dazhai, tão louvada por “Henfil na China”

Dos reservatórios no alto dos morros descem tubos com aspersores por pressão da gravidade em todos os terraços. Cada reservatório tem capacidade para 400 mil litros. Áreas mais difíceis para terraço formaram pomares de maçãs irrigadas por gotejamento.

Mao lançou a conclamação durante a Revolução Cultural: “aprender com o exemplo de Dazhai”. (Tachai)

Camponeses preparando a terra para receber chuvas e descansar no inverno

Quando começaram a construir os tabuleiros a partir de 73, tudo manual, veio a estação chuvosa violenta que destruiu as lavouras, arrasando grande parte dos tabuleiros. A população, sem ajuda do governo, se organizou e trabalhando em turnos dia e noite construiu outros tabuleiros, desta vez com arrimos de pedra, proteção contra enxurradas, etc. Tudo à mão, cavando, transportando pedras, fazendo reservatórios d’água, plantando tudo de novo. Daí a fama que passou a ter além das fronteiras da China. Com uma área de menos de 100 hectares, população de 500 habitantes, onde apenas a metade era força de trabalho.

Hoje está enriquecendo de novo. Foi formada uma cooperativa que com uma mina de carvão mineral, produzindo ainda frutas, fábrica de vinagre e molhos, pedras para construção, conseguiram comprar caminhões e tratores.

Debulhando painço com o peso dos pneus (ver video)

As casas dos camponeses parecem alojamentos militares; casas compridas (múltiplas) de tijolo cinza escuro da mesma cor dos morros onde o carvão mineral brota em cada cava mais profunda. Trabalham no campo das 6h às 18h. Vêm para casa, comem e deitam mais ou menos as 22h.

As casas dos camponeses parecem alojamentos militares; casas compridas (múltiplas) de tijolo cinza escuro. Armazenam o milho sobre estrados na porta das casas

A vila está a mil metros de altitude com uma temperatura média anual de 9 graus, 145 dias com geada. São 135 famílias num total de 501 pessoas. São 796 hectares de terras cultivadas; 250 pessoas trabalham: 52 cuidam dos pomares, 50 nas minas de carvão, 19 em transportes (trator ou caminhão), algumas na fábrica de vinagre e molhos, outros na produção de pedras para a construção ou pavimentos. Os serviços que chamam de auxiliares (industriais) aumentaram desde a “Terceira Sessão Plenária do Partido Comunista” (do 11º Congresso, em junho de 1978), como minas de carvão, pedras, tijolos, silvicultura, pomares, trato de cereais, etc.

As famílias podem ter animais domésticos desde essa época. A aldeia tem oito caminhões, onze tratores (em geral tipo Tobata).

Notas da fala de Cao, o chefe da aldeia: “Com a criação de indústrias aumentou o entusiasmo dos camponeses havendo então o começo do sistema de “responsabilidade por produção”, desde 1983. Dizem que para muitos foi difícil aceitar este novo sistema. O governo distrital e da comuna popular fez a cabeça destes. Aí mudaram o “trabalho ideológico para convencer esses camaradas do novo sistema”.

Desde 1983 a prática e os fatos convenceram os trabalhadores desta aldeia. Grande início com a colheita de 1983. Produção bateu recorde. Mais de 500 quilos de grãos. Antes o máximo foi 450 quilos. Em 1983, a renda per capita foi para 544 yuans; em 1978 era apenas 180 yuans. Estes fatos convenceram os trabalhadores.

Em 1984, a receita global 44.000 yuans — houve uma seca violenta e perdeu-se um pouco da produção de cereais, porém, ganhou-se na indústria (renda per capita 705 yuans). Ano de 1986 muito seco, porém, produção não foi inferior ao ano anterior. Fatos mostram que mudanças políticas corretas, mesmo com três anos críticos, os camponeses ganharam. Trabalho árduo do camponês não deve ser esquecido, mais as políticas justas do partido transformaram-se em grande êxito. Necessário criar produções adequadas para mulheres, para maior liberdade delas. Trabalhadores devem conhecer com mais clareza sistemas de comércio. Há diferenças entre esta unidade e outras mais avançadas no país. Pretendem diminuir essas diferenças. Há outras piores, mas as condições naturais são diferentes, não são boas.

A melhor aldeia que conhece é no subúrbio de Sanchuan; tem relações econômicas com alguns países estrangeiros, produzindo para exportação (cerâmica vitrificada) e está junto de cidade grande.

Elementos subterrâneos: carvão, bauxita e argila amarela para cerâmica.

Os subterrâneos de Dhazai contém carvão, bauxita e argila amarela para cerâmica. O carvão mineral, em 1986 era a principal fonte de renda da aldeia
A extração de carvão mineral, respondia por 70% da renda da aldeia, em 1986

Dazhai pode melhorar mais ainda porque pretende ter técnicas industriais e facilitadores de transportes e também conhecimentos industriais.

Os mais velhos não aceitaram o novo sistema de responsabilidade de produção porque tinham medo que a mudança os levasse ao velho sistema de país e já estavam satisfeitos com o que produziam. Critério da verdade é o fato, o que convenceu muitas pessoas.

Antes da mudança o alimento básico era o milho (alimento não fino). Depois da mudança comem mais cereais finos como trigo e arroz.”

Milho, antes alimento básico, agora para as galinhas… à direita a lendária Sun Liyng do poster na abertura deste post
À esquerda Sun Liyng e seu marido. Átras a foto de Zhou Enlai. À direita o casal com Lian
Milho armazenado sobre estrados na rua, nas portas das casas

Trabalho durante a revolução cultural: a tarefa era distribuída pelo chefe da brigada. Acontecia que os trabalhadores apareciam, mas não trabalhavam com afinco. Apesar disso, nesse período, foi construído a maioria dos terraços. O horário de trabalho foi aumentado, faziam duas refeições no campo, mas o trabalho era objetivo, não às cegas.

Lian entrevistando e Guo traduzindo camponesas “felizes”. Difícil extrair comparações entre o sistema de comuna e o novo, familiar

O sistema de produção por responsabilidade foi criado noutro lugar e trazido para Dazhai em 1957 ou 1978. Algumas outras regiões tiveram também este sistema. Depois da 3ª Sessão foi elaborado este sistema para ser implantado. Cada família, após pagar imposto da terra e colaborar para fundo coletivo ficava com o resto. Os que trabalham na indústria ganham mais, mas também pagam mais impostos. Os da lavoura equilibram a renda não precisando pagar os adubos. A direção da aldeia distribui os serviços para evitar que alguns não tenham trabalho ou outros tenham demais, após o trabalho normal no campo. A cada um conforme sua capacidade.

Cao, dirigente da aldeia, indica Dazhai no mapa da provincia de Shanxi, a sudoeste de Beijing

“Há dois princípios rígidos:

1. seguir o caminho socialista

2. quem trabalha mais, ganha mais; quem trabalha menos, ganha menos.

Serviços de saúde não são gratuitos, a família paga ou se não pode mesmo o governo arca com a responsabilidade. Educação gratuita e obrigatória dos 6 aos 15 anos.

Pergunta: Quais os cinco maiores problemas da população de Dazhai?

Resposta:

  1. Como continuar a melhorar a infraestrutura de irrigação
  2. Melhorar sistema de água potável
  3. Falta de fábricas para colocar mão de obra excedente
  4. Trabalho adequado para as mulheres (serviços industriais leves, por ex. Não tem informação qual indústria o mercado quer)
  5. Ampliar instalações de irrigação, melhorar qualidade do solo (adubo) falta de água, etc

Princípios de Dazhai:

  1. Princípio de trabalho árduo
  2. Amar a Pátria e praticar coletivismo
  3. Persistir no caminho socialista”
Guo Yuanzeng, nosso guia “material e espiritual”, observa as colheitas de painço e sorgo
Transportando a colheita. A direção da aldeia distribui os serviços para evitar que alguns não tenham trabalho ou outros tenham demais, após o trabalho normal no campo. A cada um conforme sua capacidade

Retângulo de cipós mais ou menos 2 m de comprimento por 0,40 cm de largura com algumas hastes salientes, não vai ser usado, mas carregado pelo camponês saindo da lavoura destorroada.

Vera desenha em seu diário de viagem, e fotografa, aparelhagem para trabalhar a terra, que descreve como um retangulo de cipós, com hastes salientes

Tábua puxada por burro onde o camponês pisa em cima, aliviando o peso ora de um lado, ora de outro. Tábua com espetos por baixo. Vi de longe, não sei se são espetos de ferro ou de madeira.

Análise química do solo antes da adubação — não fazem — os camponeses sabem pelas folhas qual adubo falta. Solo tem bastante cálcio — falta fósforo e nitrogênio. Usam em grande escala estrume animal e orgânico e restos de lavoura anterior.

A criação de veados, cujo chifre teria propriedades medicinais, representa uma renda extra para a aldeia
Like what you read? Give Vera Furtado a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.