Uma introdução

Esta publicação vai relatar meus dias de dieta. Em julho de 2016, eu cansei. Cheguei aos 169kg comendo porcarias demais e fiquei completamente sem perspectiva de me manter vivo, pra começar esse relato de maneira bem honesta. São muitos anos de gordofobia alheia que me transformaram em alguém inteiramente acuado para o mundo externo, fechado e calado em quase todas as situações da vida. Tive de superar depressões, afasia social, mudanças de humor e toda a sorte de preconceitos que você pode imaginar para chegar até os 32 anos com lesões suficientes para calejar minh’alma.

Portanto, ser gordo não era o problema, afinal eu aprendi a lidar com as desavenças de um mundo feito para pessoas magras, embora não concorde com nada disso e me sinta bem sendo quem sou.

Eu só precisava me manter vivo.

Depois de um post no facebook, no qual eu falava da necessidade de parar de comer dessa maneira asquerosa, meu amigo Diego Sanches que trabalha com academia, body building, nutrição e assuntos assim, se propôs a me ajudar. Ele indicou uma dieta de 21 dias e, nos posts a seguir, vou detalhar como vem sendo mudar de vida e sobreviver.

Hoje decidi colocar tudo em palavras. Meu blog pessoal está relativamente abandonado e os últimos posts falavam apenas sobre isso. Pra não entediar todo mundo, resolvi juntar tudo num lugar só.

Quando eu disse no começo desse post “comendo porcarias demais”, você deve ter me imaginado no Mc Donalds, o que eu fazia com alguma frequência também. O que não deve ter imaginado é meu almoço ser uma batatinha chips, 2 moranguetes, uma trakinas, dois salgados e uma coca-cola lata. Nem todas as vezes que comprei três salgadinhos de isopor e duas caixas de cerveja pra terminar a semana sozinho no meu apartamento. E, ainda que você tenha imaginado o Mc Donalds, não imaginaria 1 Big Mac, 1 Quarteirão, 2 cheeseburgers com batata e Coca grande por pedido (ao menos não para uma pessoa só).

Sim, eu comia o que todas as pessoas comuns comem, mas de maneira desproporcional e doentia. Sempre escondido dentro do carro, ou sozinho em casa, o que deixa ainda mais claro que minha compulsão alimentar¹ não é exatamente uma brincadeira.

Aqui vão minhas experiências, vitórias, frustrações e sentimentos sobre algo que eu deveria ter começado antes, que tem me feito muito bem e não tem sido tão assustador quanto eu achei que seria.


¹A Júlia Meirelles escreveu, na minha opinião, o post definitivo sobre compulsão alimentar e acho que nunca me identifiquei tanto dentro de um problema como depois de ler o relato dela. Vale a leitura, a quem se interessar.