Ainda bem que você não me amou.

Her — Spike Jonze (2013)

Estive me lembrando daquela noite em que você, quase que de maneira nostálgica, me magoou novamente. Aquilo estava virando um costume, um vício. Era o clichê dos nossos fins de semana. E enquanto magoado, os dias se arrastavam e eu sentia um vazio gigantesco no peito, uma agonia cruciante que pesava em todo meu corpo a cada minuto que passava em câmera lenta até a próxima semana, onde eu tentava aparentar estar bem enquanto silenciosamente recuperava os meus caquinhos que você havia espalhado pelo chão dois dias antes.

Mas essa noite em especifico deve ter sido uma das piores. E eu quis ir embora para qualquer lugar assim que a aurora veio. Eu queria ir para longe e esquecer de você, das noites, das obrigações e esquecer de São Paulo. Consegui fugir por uma tarde: fui para a praia, sozinho. Comprei uma canga, deitei sob um céu azul incrível e voltei para a minha leitura. Na época, “Quem é você Alaska?”. E em paralelo a minha leitura eu também me perguntava: quem era você, afinal?

Recentemente percebi que uma paixão é sempre muito diferente da outra e que os sentimentos que envolvem elas são extremamente nebulosos e difusos. E por você minha paixão era arrebatadora, violenta. Tenho quase certeza que, na época, tomaria um tiro por você. Mataria por você. Quem era eu, afinal?

Caminhando na praia, eu te contei tudo. Que eu te amava, que você era o homem da minha vida e que eu não sabia mais o que fazer com esse sentimento, pois algo que deveria ser tão bom estava me matando, torturando e dilacerando. Eu disse que te amava. Foi a única vez que eu disse isso para alguém. Eu te amava. Eu realmente te amava, eu te amei.

Mas você nunca me amou. E quem éramos nós, afinal?

Hoje, alguns anos depois, é curiosa a forma em que eu agradeço por você nunca ter retribuído meus sentimentos. Ainda te acho lindo, adoro seu sorriso e você até é engraçado, mas no fim realmente não era para ser. Digo, nós. Nós não éramos para ser. E ainda bem que não foi, pois eu aprendi, a longo prazo, muitas coisas.

Tipo a não me desdobrar e redobrar por alguém. Aprendi, com você, que preciso ter pulso firme para proteger os meus próprios sentimentos. Descobri que eu deveria me colocar em primeiro plano e a confiar nos meus instintos: se algo está parecendo errado, está. E o melhor de tudo é que eu aprendi a não mendigar o amor de ninguém. Fui de pouco em pouco ao longo dos anos construindo o meu amor próprio. Afinal, eu sou foda. E convenhamos: você não me merecia. Nem em um milhão de anos.

Ainda bem que você não me amou.


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