Olmo e a Gaivota.

O rage desnecessário do filme “abortista”

Olmo e a Gaivota ( Dirigido por Petra Costa e Lea Glob, 2015)

Em primeiro lugar é preciso destacar que eu não sou um critico de cinema. Em segundo lugar, dar uma critica sobre o filme não é a intenção deste texto, mas ele vai mesclar diversos assuntos referentes a isso.

Fiquei interessado em “Olmo e a Gaivota” após a propaganda nacional que, confesso, precisei rever após assistir ao filme. Levado pela série de comentários e postagens no facebook e youtube, fui induzido a assistir ao vídeo de divulgação partindo de um posicionamento errado: de que o filme tratava sobre aborto.

Não se trata de aborto. E confesso agora estar me sentindo bem idiota por ter acreditado que era isso. De fato, em determinado momento da propaganda, os artistas convidados falam sobre o direito de interromper uma gravidez. “Meu corpo minhas regras”. Mas o foco nunca foi o aborto ou a interrupção de uma gravidez. O foco é a gravidez. E revendo agora isso me soa tão óbvio que eu não sei como pude assistir e deixar tal informação e conclusão passar em branco. Os ativistas “pró-vida / contra o aborto” reduziram toda a sinopse e introdução do filme a um só tópico: a interrupção de uma gestação. E isso causou um auê completamente equivocado.

Olmo e a Gaivota” conta a história de uma atriz que fica grávida exatamente no momento em que o espetáculo no qual trabalha está ganhando uma maior visibilidade e uma produção para se apresentar em outros países. Impossibilitada de atuar devido as mudanças de seu corpo, ela ainda é obrigada a ficar somente em casa por ter um ferimento dentro da barriga que pode causar um aborto espontâneo caso ela faça esforço físico. Frustrada com a impossibilidade de trabalhar e obrigada a ter que passar a maior parte do tempo em seu minúsculo apartamento num prédio sem elevador, o filme leva o telespectador a monólogos sensíveis e as vezes um tanto frustantes, proporcionando a muitas pessoas algumas reflexões a respeito da gravidez. Toda mulher gravida é feliz? O que é uma gravidez? Como eu me sentiria nessa situação?

E é um choque que ao ir assistir ao filme no cinema você não se depara em momento algum com a hipótese da personagem fazer um aborto. O tema até é citado, mas somente pelo médico que dá as indicações e fala do risco que a personagem sofre de ter um aborto espontâneo. O filme não levanta bandeira sobre o direito da mulher de abortar ou não. Sequer aborda o assunto e também não incentiva, mas de forma muito sutil e inteligente ele entrega ao telespectador suas reflexões sobre o assunto. “E se eu não quiser ter um filho agora? E se fosse comigo? Eu teria feito diferente?”

Olmo e a Gaivota” é um filme sensível que retrata todos os medos e anseios de uma mulher diante a gravidez. Suas frustrações por inviabilidade de manter a rotina e tarefas diárias, a insegurança proporcionada pelas mudanças em seu corpo, o medo do futuro que está por vir, a ansiedade de retomar sua vida de volta ao normal e uma redescoberta do seu corpo e de sua natureza. A sinceridade dos monólogos e diálogos junto a exposição dos mais profundos sentimentos das personagens são um ponto muito forte e tocante no filme. Ele realmente trabalha com o seu interior de uma forma muito sutil chegando até mesmo a ser prazerosa e divertida em alguns momentos de leve descontração.

Com certeza foi uma das surpresas mais prazerosas deste ano e que foi injustamente crucificada por conta de uma má interpretação de um possível público que sequer se deu ao trabalho de assistir ao filme.

É com certeza o retrato mais honesto que eu já vi sobre o que é uma gravidez.


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