Epílogo | O céu cor de Laranja

É quase como asfixia, você não tem como emergir. Acabei me tornando poético e lírico, escrevendo com palavras rebuscadas ou imaginando contextos que nenhum outro escritor ousou dissertar, e é exatamente isso que teu estou fazendo agora, não?
Fiquei muito tempo sem escrever, porque eu achava que ninguém se importava, que pouca gente lia ou que eu tinha que dedicar meu tempo pra outra coisa.
Olhando pra trás eu vejo a verdade. Eu escrevia pra mim e por mim, pra eu ler e eu me corrigir. Todos os livros que publiquei já foram editados ao menos umas 5 vezes, e eu sempre fui criterioso. Não sou um gênio, não vou escrever o próximo best-seller e nem tenho capacidade pra isso.
Mas enquanto estava escrevendo, fui feliz.
Lembro de escrever por desafio, pra provar pra mim mesmo que conseguia. Lembro de escrever sobre a minha mãe sem parecer um texto sentimental, e sim algo singular. Lembro de escrever sobre a minha namorada e refletir o quanto a amava e lembro de escrever sobre futilidades, sobre algo que ninguém dava a mínima, mas eu queria escrever.
Mas em determinado momento, eu não quis mais. Por falta de reconhecimento? Não. Por falta de tempo ou recursos? Não. Só não podia mais, nada saia como eu queria e isso era frustante. Escrever isso é frustante pra mim, reconhecer isso é frustante.
O que eu precisava mesmo era trazer de volta aquilo que me trazia esperança.

