Ballade

Inspirado por Ballade №1 in G minor, Op.23 — Frédéric Chopin

Vladimir Horowitz

É daqueles exercícios hercúleos

Traduzir de uma linguagem, a outra que não se atina

O tecido em sons, tons e semitons que por natureza são indescritíveis

Inenarráveis, unspeakable indeed

Pelas palavras, por outros sons falados

Por cromáticas pinceladas, tons, nuances ou massas formosas

Por atos monólogos e dialogados

Ou por corpos desembaraçados que dançam embaraçados um pas de deux

Ou mesmo a dita sétima,

Poesia de lumière,

Ilusão de frames alinhavada que enganam a retina

Mas possivelmente narráveis pelos sentidos sentidos com sentido

To stroll,

A balader,

A caminhar ou passear

“Oh, La Ballade” dizia Horowitz

A dita cuja de Chopin

A balada principal

Toda vez que a escuto

O coração, a minha própria alma e o meu eu ausculto

Um espelho d’alma caminhante

Que passeia sem querer

Mas querendo

Como um flâneur

Buscando

Sentido sentido

E sentida direção

Para que?

Pour quoi?

Je ne sais quoi

Eu só sei é que há de continuar

A balader, to stroll e a caminhar

Mudo, disléxico ou bilíngue

A encontrar o sentido sentido dentro de mim

Como neste aniversário e nos aniversários de ciclos diários

Diariamente

E constantemente

Renascer