54% dos vestibulandos não definiram profissão, diz MEC

Pesquisa também revela que metade dos universitários não conclui o primeiro curso escolhido

Por Karoline Guedes e Lúcia Haggstrom

A indecisão sobre a escolha profissional tem afetado os jovens. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), que ouviu dois mil adolescentes, 54% dos estudantes do terceiro ano do ensino médio não sabem que carreira seguir. O levantamento mostra que quase metade dos alunos que ingressam no ensino superior não conclui o curso, seja por falta de condições financeiras para se manter no ensino superior, ou por não se identificarem com a carreira escolhida. O motivo da indecisão divide opiniões entre os especialistas.

O MEC sugere que seja reflexo de uma falha no ensino médio, que deveria instruir os alunos na hora de tomar a decisão. A professora e orientadora educacional do Colégio Adventista Marechal Rondon, Rosangela Lopes, ouvida durante o Festival de Profissões UniRitter, esclarece que a escola realiza atividades de orientação profissional. “A gente faz testes vocacionais com os alunos, […] a gente participa de ‘aulões’ com os nossos professores”, explica. Ela destacou que o índice de decisão dos alunos da instituição está acima da média.

A estudante do Colégio Estadual Francisco Vieira Caldas Júnior, Júlia Teixeira, pretende cursar Design de Moda. “Desde pequena eu gosto muito de moda, e a escola me ajudou a ter essa certeza. Pois na medida em que eu fui estudando, e ouvindo falar de outros cursos, vi que nenhum outro me interessa tanto quanto moda”, contou. Rafaela Malta, que cursa o terceiro ano no Colégio La Salle São João, está entre os 54% indecisos. “Eu pesquiso sobre os cursos e nada me interessa. E eu também acho que sou muito nova para decidir isso agora”, afirmou.

Para a psicóloga do Colégio Leonardo da Vinci Beta, Ana Paula Pacheco, a exigência é inadequada à faixa etária. “Hoje em dia tem muitas possibilidades. Os jovens, nessa época, estão com uma série de questões abertas e isso atrapalha na hora de tomar a decisão” argumenta.

A estudante de Psicologia, Victória Fogazzi, já passou pelos cursos de Estética e Cosmética, Jornalismo, Design de Moda e Psicologia. A pressão dos amigos e da família foi ficando cada vez mais intensa na medida em que trocava de curso. “Com meus amigos era sempre aquela história ‘qual curso será que ela vai fazer ano que vem’ […] o meu pai já nem queria mais opinar”. Hoje, aos 22 anos, a estudante se vê decidida a prosseguir na psicologia. “Não vou me formar só porque eu comecei o curso e quero um diploma, mas porque hoje tenho certeza de que é isso que eu quero pra mim”. Ela entende que a decisão é resultado de um processo de autoconhecimento.

O assunto preocupa, pois, essa parcela indecisa é inserida no mercado profissional mais tarde, em razão do tempo que levam experimentando opções. Algumas vezes, por não estarem em sua área de interesse, a falta de entusiasmo com a carreira pode fazer com que eles não utilizem todo o seu potencial — deixando-os frustrados.

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